Blog
voltar15 de fevereiro de 2012
"Temporada estimulante"
Temporadas: Filarmônica de Minas Gerais
por João Luiz Sampaio
Em nossa arrogância, tendemos a deixar em segundo plano o que está fora do eixo Rio-São Paulo, ainda que, tanto na ópera como na música de concerto, a descentralização tenha sido a tônica dos últimos anos na vida musical brasileira. Por isso, é preciso falar da temporada 2012 da Filarmônica de Minas Gerais, que termina este ano com saldo artístico positivo e os planos de construção de uma nova sede (leia aqui a matéria da revista Concerto sobre a sala).
Ao longo do ano, a Filarmônica será comandada por seu titular, Fabio Mechetti, e por uma lista de regentes convidados que inclui Carl St. Clair, Carlos Miguel Prieto, Krzysztof Penderecki e Marcelo Lehninger. Nelson Freire fará o Concerto nº 20 de Mozart, Sergio Tiempo, o nº 3 de Rachmaninoff, Eduardo Monteiro, o nº 1 de Prokofiev, Leon Fleisher, o Concerto para mão esquerda de Ravel. Antonio Meneses toca o Concerto para violoncelo de Dvorák, Johannes Moser, o de Hindemith. Augustin Hadelich sola o Concerto para violino de Dvorák e Rachel Barton Pine, o de Korngold. Aliás, no repertório de concertos, há uma seleção de obras brasileiras que merece celebração: Sonia Rubinsky toca a Suíte para piano de Villa; Antonio Lauro del Claro, o Concerto para violoncelo de Claudio Santoro; Luiz Filipe Coelho, o Concerto nº 2 para violino de Guarnieri.
E, para encerrar o ano, um concerto que terá como solista o barítono Paulo Szot, enfim de volta ao Brasil depois de anos de ausência – e de triunfos em terras estrangeiras. Ponto para Mechetti por tê-lo chamado para cantar os Rückert Lieder de Mahler. Quem conhece a obra e a voz de Szot imagina há um bom tempo este casamento, que tem tudo para dar certo. Ele canta também a cena final da Valquíria, de Wagner, que pede por voz mais grave e escura – mas há precedentes, uma grande linhagem de barítonos que executaram o trecho em concerto. Tem tudo para ser um final apoteótico para uma temporada estimulante.
Texto publicado no blog Música clássica... E um pouco de tudo do Estado de S. Paulo.
Mais Posts
- Compartilhe:
Hekel Tavares e o diálogo entre o erudito e o popular
A capacidade de compor canções eruditas com temas populares rendeu a Hekel Tavares o apelido de “Schubert brasileiro", alcunha dada pelo maestro Eleazar de Carvalho.
O violinista Joshua Bell em cinco pontos
Talvez a palavra mais usada para se referir a Joshua Bell seja “carismático”, mas não será escutando um de seus quase quarenta álbuns que se comprovará isso. É preciso ver!
Conheça (e entenda) um pouco da nossa Temporada 2012
Como uma temporada de concertos é concebida? Desde quando a Temporada 2012 está sendo pensada?

