A serenidade em Mozart e Mahler – filho

Fabio Mechetti, regente
Camila Titinger, soprano

MOZART
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MAHLER
A flauta mágica: Abertura
A flauta mágica: Ach, ich fühl’s
As bodas de Fígaro: Abertura
As bodas de Fígaro: Porgi amor
As bodas de Fígaro: Dove sono
Sinfonia nº 4 em Sol maior

Fabio Mechetti, regente

Natural de São Paulo, Fabio Mechetti é Diretor Artístico e Regente Titular da Filarmônica de Minas Gerais desde sua criação, em 2008. Recentemente, tornou-se o primeiro brasileiro a ser convidado a dirigir uma orquestra asiática, sendo nomeado Regente Principal da Filarmônica da Malásia. Foi Residente da Sinfônica de San Diego, Titular das sinfônicas de Syracuse, Spokane e Jacksonville, sendo agora Regente Emérito das duas últimas. Foi Regente Associado de Mstislav Rostropovich na Sinfônica Nacional de Washington. Além de uma sólida carreira nos Estados Unidos e no Brasil, já conduziu em países como México, Peru, Venezuela, Nova Zelândia, Espanha, Japão, Escócia, Finlândia, Canadá, Suécia e Itália. Venceu o Concurso Internacional de Regência Nicolai Malko. Mechetti possui títulos de mestrado em Composição e em Regência pela Juilliard School.

A jovem soprano Camila Titinger vem construindo sua carreira nos principais palcos de ópera do Brasil com papeis importantes em obras de Mozart, Bizet e Golijov. Nos últimos anos, venceu prêmios no Concurso Brasileiro de Canto Lírico Maracanto, no Maranhão, e no Concurso de Ópera Maria Callas, em Jacareí (SP), além de ter sido finalista na competição internacional Neue Stimmen em 2013 e 2015, na Alemanha. Em 2016, Titinger foi convidada para cantar na abertura do Festival de Bregenz, na Áustria, com a Orquestra Sinfônica de Viena. No mesmo ano, fez sua estreia na França interpretando a Contessa di Almaviva da ópera As bodas de Fígaro, de Mozart. Atualmente, Titinger estuda canto com a soprano Eliane Coelho, um dos nomes mais importantes da música lírica brasileira.

Programa de Concerto

A flauta mágica: Abertura | MOZART

Em novembro de 1790, Mozart concordou em colaborar com o amigo Emanuel Schikaneder para a produção de um singspiel, forma dramático-musical tipicamente germânica e que combina, em obras de caráter popular, o diálogo falado e o canto. Nascia assim A flauta mágica, para muitos, a obra máxima do gênero. Schikaneder ficou responsável pelo libreto, cujo enredo, ambientado no Egito exótico, combina elementos de conto de fadas, farsa popular, comédia crítica e alusões finamente disfarçadas à maçonaria. Para essa ópera em que impera a diversidade, Mozart criou obras-primas variadas — números bufos, árias de ópera séria italiana, motivos populares vienenses, corais luteranos — que, miraculosamente, formam um todo preciosamente coeso e lógico. A Abertura constrói-se sobre dois temas principais, que apresentam contrastes de dinâmica, riqueza dos timbres orquestrais e jogos contrapontísticos repletos de erudição e espontaneidade. A flauta mágica estreou em Viena, dois meses antes da morte precoce de Mozart, aos 35 anos.

Entre maio a julho de 1791, Mozart trabalhou com grande entusiasmo na composição de A flauta mágica, criando música de extraordinária e eterna beleza. A ópera é estreada em 30 de setembro daquele mesmo ano. O enredo oferece um contexto às vezes solene e nobre, com ilações egípcias e maçônicas, outras vezes com influências de contos de fadas e divertimentos, além da diversidade de personagens, como o passarinheiro Papageno, a Rainha da Noite e Sarastro, o sacerdote. A ária de Pamina – Ach, ich fühl´s – acontece quando a princesa, encontrando Papageno e Tamino, dirige-se a seu amado príncipe, que se afasta sem responder. Pamina, que ignora a interdição de falar, imposta a Tamino pelos sacerdotes, crê que o príncipe não mais a ame. Desolada, canta a triste ária: "Sinto que minha felicidade desapareceu para sempre. Nunca voltareis ao meu coração, horas deliciosas! Vê, Tamino, estas lágrimas correm só por ti, amado. Não vês as ânsias do amor? Somente na morte haverá paz!".

As bodas de Fígaro é a primeira das três colaborações de Mozart com o libretista Lorenzo Da Ponte – as outras duas são Don Giovanni e Così fan tutte. É uma ópera em quatro atos, cuja estreia aconteceu em maio de 1786, no Burgtheater, em Viena, sob regência do compositor. Para escrevê-la, Mozart baseou-se na peça homônima de Beaumarchais, segunda parte da trilogia do autor francês que começa com O barbeiro de Sevilha e termina com A mãe culpada. A trama se passa em um único dia, o do casamento de Fígaro com Susanna. Ambos trabalham e vivem no castelo do Conde de Almaviva que tenta, de todo modo, seduzir a noiva de seu criado antes da cerimônia. A Abertura, entretanto, é independente, ou seja, não traz temas da ópera propriamente dita, mas sim nos antecipa o estado de espírito da obra.

As bodas de Fígaro, de Beaumarchais – comédia inicialmente denominada La Folle Journée, de grande repercussão em Paris – dava continuidade a O barbeiro de Sevilha, no bojo da efervescência que levaria à Revolução Francesa. Adaptada em 1784 por Lorenzo da Ponte, a fim de conseguir aprovação na corte de Viena, a comédia foi proposta a Mozart pelo italiano, para que sobre ela criasse uma ópera. Mozart deu a cada personagem personalidade bem caracterizada. Fígaro marca a passagem da opera buffa à ópera moderna. Na breve cavatina do 2º ato – Porgi, Amor, qualche ristoro –, a Condessa de Almaviva, percebendo que perde o amor do marido, roga ao Amor algum consolo e que o devolva ou a deixe morrer.

As bodas de Fígaro, de Beaumarchais – comédia inicialmente denominada La Folle Journée, de grande repercussão em Paris – dava continuidade a O barbeiro de Sevilha, no bojo da efervescência que levaria à Revolução Francesa. Adaptada em 1784 por Lorenzo da Ponte, a fim de conseguir aprovação na corte de Viena, a comédia foi proposta a Mozart pelo italiano, para que sobre ela criasse uma ópera. Mozart deu a cada personagem personalidade bem caracterizada. Fígaro marca a passagem da opera buffa à ópera moderna. na grande ária Dove sono, a condessa se queixa: "Onde estão os belos tempos de doçura e de prazer? Para onde foram as juras daqueles lábios mentirosos? Se tudo, para mim, em pranto e dor se transformou, por que a memória daquele bem, em meu peito não se apagou?". Mantendo embora o caráter geral jocoso do enredo, Mozart não deixa de destacar emoção, beleza e ternura na música que escreve.

Mahler compôs nove sinfonias e diversos esboços para uma décima. Dessas, a Quarta é uma das que possui participação relevante da voz humana. Essa obra incorpora, em seu último movimento, a canção popular alemã Das himmlische Leben [A vida no Paraíso], que também já havia sido citada por Mahler na Sinfonia nº 3, ainda que de maneira menos incisiva. Cantado por uma voz de soprano, o texto descreve a visão de uma criança sobre o Paraíso. Nem assim, contudo, Mahler abandona os contrastes que prefiguram essencialmente sua linguagem, marcados pela melancolia e por uma angústia insolúvel. Com isso, os versos que descrevem a festa preparada para os justos no Céu remetem também ao sacrifício da ovelha inocente. A partir de tal ideia, a canção fornece o mote musical e ideológico para todos os movimentos da Sinfonia nº 4, ainda que apenas no último ela seja apresentada integralmente, transcendendo, assim, a proposição clássica da elaboração temática. Esses e outros aspectos mostram com clareza a posição limiar que Mahler ocupa na evolução da linguagem musical do Ocidente, na virada do século XIX para o XX, angustiada entre uma era que expira e outra que nasce.

Quero ser lembrado deste concerto.
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