Evelyn Glennie e a sensorialidade da percussão

Fabio Mechetti, regente
Evelyn Glennie, percussão

|    Allegro

|    Vivace

MACMILLAN
DEBUSSY
MUSSORGSKY/Mignone
Veni, veni, Emmanuel
Prelúdio para “A tarde de um fauno”
Quadros de uma exposição

Fabio Mechetti, regente

Natural de São Paulo, Fabio Mechetti é Diretor Artístico e Regente Titular da Filarmônica de Minas Gerais desde sua criação, em 2008. Recentemente, tornou-se o primeiro brasileiro a ser convidado a dirigir uma orquestra asiática, sendo nomeado Regente Principal da Filarmônica da Malásia. Foi Residente da Sinfônica de San Diego, Titular das sinfônicas de Syracuse, Spokane e Jacksonville, sendo agora Regente Emérito das duas últimas. Foi Regente Associado de Mstislav Rostropovich na Sinfônica Nacional de Washington. Além de uma sólida carreira nos Estados Unidos e no Brasil, já conduziu em países como México, Peru, Venezuela, Nova Zelândia, Espanha, Japão, Escócia, Finlândia, Canadá, Suécia e Itália. Venceu o Concurso Internacional de Regência Nicolai Malko. Mechetti possui títulos de mestrado em Composição e em Regência pela Juilliard School.

Evelyn Glennie é a primeira pessoa na história a criar e manter com sucesso uma carreira em tempo integral como percussionista solo. Ao longo dos anos, tem se apresentado por todo o mundo com os principais regentes, orquestras e artistas. Executou o primeiro concerto de percussão na história do BBC Proms, em 1992, no Royal Albert Hall, ajudando a popularizar os concertos para o instrumento. Gravou mais de 30 discos, tem mais de 200 obras comissionadas em seu nome e já recebeu mais de 80 prêmios internacionais, incluindo o Polar Music Prize, dois Grammy e uma indicação ao BAFTA. O documentário Touch the Sound e uma inspiradora palestra no TED Talks mostram a relação de Evelyn, surda desde a infância, com a música, e com a percussão em especial. Nascida na Escócia, foi convidada a se apresentar na Cerimônia de Abertura dos Jogos Olímpicos de Londres, em 2012, e recebeu o título de “Dame”, o maior da Ordem do Império Britânico, em 2007.

Programa de Concerto

Veni, veni, Emmanuel | MACMILLAN

James MacMillan desponta hoje como o maior dentre os compositores britânicos vivos. Sua produção é ampla, abrangendo óperas, balés, música para teatro e obras orquestrais, com destaque para suas quatro sinfonias e os diversos concertos encomendados ou compostos em homenagem a nomes de peso. Contudo, é sua produção de caráter religioso que faz de MacMillan um dos mais notáveis compositores de seu tempo. Veni, veni, Emmanuel foi estreada pela Orquestra de Câmara Escocesa sob regência de Jukka-Pekka Saraste e solo de Evelyn Glennie, em 10 de agosto de 1992, no Royal Albert Hall. O concerto inspira-se no cantochão Veni, veni, Emmanuel, cujo refrão traz as palavras “Gaude, Gaude” (Regozijai, Regozijai) cantadas na forma de uma nota breve seguida de uma outra longa e uma breve seguida de outra nota longa. Essa estrutura rítmica (breve-longa-breve-longa) sugere ao compositor a batida do coração e é o elemento gerador de toda a peça, figurando assim em todos os seus compassos. A criação deu-se entre o primeiro domingo do Advento de 1991 e o domingo de Páscoa de 1992. Essas datas representativas do calendário cristão delimitam ainda sua estrutura, que explora inicialmente a dimensão teológica contida na noção de Advento e encerra-se, através daquilo que o compositor nomeia um “desvio litúrgico”, com uma alusão à Páscoa.

Se revoluções podem chegar suaves como o sopro de uma flauta, o Prelúdio para “A Tarde de um fauno” de Claude Debussy é a prova cabal disto. A partitura imaginada por ele é moderna, ligeiramente nebulosa, sedutora, de harmonia indescritível e tonalidades ambíguas. Trata-se de um verdadeiro banquete sonoro transcendental. Sobre ela, Debussy escreveu: “A música deste Prelúdio é uma ilustração muito livre do belo poema de Stéphane Mallarmé. Ela não reivindica ser uma síntese dos versos, mas sim uma sucessão de cenas pelas quais os desejos e sonhos do fauno avançam no calor de uma tarde. Então, exausto de perseguir o caminho por medo das ninfas e náiades, ele abandona a si mesmo em um sono inebriante, cheio de sonhos, e finalmente percebeu-se em plena posse no meio da natureza universal”. A estreia deixou a todos deslumbrados, tanto que os parisienses que estavam na Société Nationale de Musique naquele dia 22 de dezembro de 1894 insistiram para que a obra fosse imediatamente repetida.

Quadros de uma exposição foi composta por Mussorgsky para seu amigo Viktor Hartmann, pintor talentoso que jamais conheceria o sucesso em vida. Hartmann morreu em 1873, aos 39 anos, vítima de um aneurisma. No ano seguinte, a Associação dos Arquitetos de São Petersburgo realizou uma exposição com aproximadamente 415 obras do pintor, a qual Mussorgsky visitou inúmeras vezes. Desejoso de homenagear o amigo, ele compôs, no mesmo ano, a grandiosa suíte para piano intitulada Quadros de uma exposição. A obra é estruturada em dez quadros e cinco caminhadas (Promenade). Os quadros são inspirados nos desenhos, croquis e pinturas de Hartmann; as Promenades são o próprio compositor que caminha pela exposição. Após a morte de Mussorgsky, em 1881, a obra alcançaria um sucesso estrondoso no mundo inteiro e inúmeros compositores se empenhariam em orquestrá-la. Um deles foi o brasileiro Francisco Mignone, mas pouco se sabe sobre essa belíssima orquestração. Sua viúva, a pianista Maria Josephina Mignone, desconhecia a obra e parece tê-la encontrado apenas após a morte do marido, em 1986, perdida em uma gaveta. No entanto, acredita-se que tenha sido realizada no final da década de 1940, já que nos manuscritos das partes cavadas, atualmente na Biblioteca Nacional, verifica-se que ela foi executada em março de 1952 no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, assim como em 1953 no Sodre (Servicio Oficial de Difusión Radio Eléctrica), de Montevidéu, e em 1954 nas comemorações do quarto centenário da cidade de São Paulo. A orquestração de Mignone para Quadros de uma exposição é especial, extremamente fiel às indicações originais de Mussorgsky, e das poucas que contempla a suíte completa (a versão de Ravel, mais conhecida, omite a quinta Promenade).

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29 nov 2018
quinta-feira, 20h30

Sala Minas Gerais
de R$ 44,00 a R$ 116,00
compre seu ingresso

Estudantes, maiores de 60 anos, jovens de baixa renda entre 15 e 29 anos e pessoas com deficiência (e seu acompanhante) têm direito a meia-entrada.
Os ingressos para o setor Coro (44 reais) serão comercializados somente após a venda dos demais setores.

O programa deste concerto foi impresso com papel doado pela Resma Papéis.

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30 nov 2018
sexta-feira, 20h30

Sala Minas Gerais
de R$ 44,00 a R$ 116,00
compre seu ingresso

Estudantes, maiores de 60 anos, jovens de baixa renda entre 15 e 29 anos e pessoas com deficiência (e seu acompanhante) têm direito a meia-entrada.
Os ingressos para o setor Coro (44 reais) serão comercializados somente após a venda dos demais setores.

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