O amado Concerto de Tchaikovsky

Fabio Mechetti, regente
Sasha Rozhdestvensky, violino

|    Allegro

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LISZT
STRAVINSKY
TCHAIKOVSKY
Orfeu
Orfeu – Balé em três cenas
Concerto para violino em Ré maior, op. 35

Fabio Mechetti, regente

Natural de São Paulo, Fabio Mechetti é Diretor Artístico e Regente Titular da Filarmônica de Minas Gerais desde sua criação, em 2008. Recentemente, tornou-se o primeiro brasileiro a ser convidado a dirigir uma orquestra asiática, sendo nomeado Regente Principal da Filarmônica da Malásia. Foi Residente da Sinfônica de San Diego, Titular das sinfônicas de Syracuse, Spokane e Jacksonville, sendo agora Regente Emérito destas duas últimas duas. Foi Regente Associado de Mstislav Rostropovich na Sinfônica Nacional de Washington. Além de uma sólida carreira nos EUA e no Brasil, já conduziu em países como México, Peru, Venezuela, Nova Zelândia, Espanha, Japão, Escócia, Finlândia, Canadá, Suécia e Itália. Venceu o Concurso Internacional de Regência Nicolai Malko. Mechetti possui títulos de mestrado em Composição e em Regência pela Juilliard School.

Sasha Rozhdestvensky foi reconhecido por Yehudi Menuhin como "um dos mais talentosos e refinados de sua geração". Ele já se apresentou com orquestras como a do Estado Bávaro, Sinfônica de Boston, Filarmônica de Israel, Sinfônica de Londres, do Teatro La Scala, Mariinsky, Filarmônica Real, Tonhalle de Zurique e Sinfônica de Sydney. Entre os maestros com quem trabalhou figuram Vladimir Ashkenazy, Valery Gergiev, Theodor Guschlbauer, Vernon Handley, Louis Langree, Jacques Mercier, Yuri Simonov e Christopher Warren-Green. Na música de câmara, é parceiro de David Geringas, Marc Coppey, Gary Hoffman, Nobuko Imai, Steven Isserlis, Josiane Marfurt, Jeremy Menuhin, Kun Woo Paik, Michel Portal, Viktoria Postnikova, Michael Rudy e Andrei Vieru. Sempre com grande aclamação, apresentou-se nas principais salas do mundo, entre elas o Carnegie Hall, Royal Albert Hall, Barbican e Festival Hall, Concertgebouw, Philharmonie, Suntory Hall e La Scala. Por sua dedicação à música contemporânea, Sasha mantém estreito contato com compositores como Alfred Schnittke, Sofia Gubaidulina e Giya Kancheli. Ele também se dedica à música latino-americana tradicional, em especial com o grupo instrumental Ambar, e integra o Paris Gotan Trio. Atualmente, é professor no Royal College of Music e na Haute École de Musique de Genebra. Desde 2010 é embaixador da Stradivarius Society.

Programa de Concerto

Orfeu | LISZT

Franz Liszt compôs treze poemas sinfônicos compostos. Desse total depreende-se um subgrupo de quatro obras que poderiam ser definidas como esboços de personagens: são elas Tasso, Prometeu, Mazeppa e Orfeu. Essas peças trazem um diferencial em relação à proposta fundamental do poema sinfônico: os programas em que se baseiam não se vinculam a um esquema narrativo linear, mas à interpretação de aspectos psicológicos, sociais, morais ou éticos que essas personagens condensam e representam. Em prefácio à partitura de Orfeu, Liszt menciona a sua contemplação de um vaso etrusco, em que a figura de Orfeu, segurando sua lira, aparece como o espírito civilizador da humanidade. Ao contrário da maior parte de seus poemas sinfônicos, o Orfeu de Liszt se apresenta muito mais contemplativo. Daí, talvez, a escolha por dar voz a diversos instrumentos solistas, que despontam do corpo orquestral. A obra lembra-nos abertamente certos trechos futuros de um Wagner, como o de Parsifal e do Tristão. Ainda visceralmente romântico, o Liszt que se apresenta aqui já faz antever uma estética que, posterior à sua, iria transformar todo o caminho da música no Ocidente.

Grosso modo, divide-se a obra de Stravinsky em três grandes períodos. O primeiro, a fase russa, vai de 1907 até 1919, traz obras paradigmáticas para gerações futuras, como A Sagração da Primavera (1913). A segunda fase, neoclássica, que vai de 1920 a 1954, apresenta peças ainda fundamentais para a formação de uma nova consciência na mentalidade musical contemporânea. No terceiro período, que vai de 1954 a 1968, ele revisita e discute o serialismo proposto por Schoenberg. Orfeu, que pertence à segunda fase, foi encomendado a Stravinsky pelo coreógrafo George Balanchine, para a sua então recém-fundada companhia de dança. O balé foi estreado em Nova York, sob a regência do próprio compositor, em abril de 1948. Engana-se quem espera ouvir de um Stravinsky neoclássico o retorno à sonoridade do passado. As conquistas que ele mesmo alcançou, desde o início, mantêm-se, ainda que atenuadas. O que se vê em Orfeu é um Stravinsky livre para usar tanto da dissonância, agora liberta, como de sonoridades consonantes. A métrica e a orquestração de Orfeu são ele próprio. As alusões ao mito grego, como o uso da harpa, não passam de evocações, ou de uma proposta seriamente interdisciplinar. Stravinsky é um homem do século XX e pertence à modernidade, mesmo quando resolve voltar seus olhos para o passado.

Aos trinta e sete anos, após uma união desastrada com sua aluna Antonina Miliukova, Tchaikovsky se refugiara no balneário suíço de Clarens, à beira do Lago de Genebra, para recuperar-se do colapso nervoso causado por esse casamento que durara apenas seis semanas. A estada em Clarens parece ter-lhe feito muito bem. Nos seis meses em que lá esteve compôs algumas de suas obras mais importantes: a Sinfonia nº 4, a ópera Eugene Onegin e o Concerto para violino. Em Clarens Tchaikovsky também recebeu a visita de um antigo aluno, o violinista Yosif Kotek, que lhe deu a assessoria técnica que necessitava para escrever o Concerto. Composto em apenas um mês, é ainda hoje considerado uma das mais belas e difíceis obras escritas para o violino. Tchaikovsky inicialmente dedicou o Concerto ao violinista Leopold Auer, professor do Conservatório de São Petersburgo e primeiro violino das orquestras dos teatros imperiais da cidade e do quarteto de cordas da Sociedade Musical Russa. Porém, Auer não se entusiasmou muito com o Concerto e o considerou impossível de ser tocado. Tchaikovsky providenciou uma segunda edição, dedicada ao violinista Adolph Brodsky, que o tocou pela primeira vez em Viena, no dia 4 de dezembro de 1881, sob a regência de Hans Richter. Presente na estreia, o crítico Eduard Hanslick sentiu-se profundamente incomodado com o último movimento do Concerto. Para ele, a maneira direta com que Tchaikovsky criara a atmosfera festiva cigana era obscena e incivilizada: “quando se escuta esta música é possível ver uma série de rostos selvagens, ouvir seu linguajar bárbaro e sentir o cheiro de bebida”. Talvez para ele, e para os vienenses da época, isso fizesse sentido. Para nós, não é nada mais que uma música divina e encantadora, com um sabor exótico de um mundo distante.

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6 jul 2017
quinta-feira, 20h30

Sala Minas Gerais

7 jul 2017
sexta-feira, 20h30

Sala Minas Gerais
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