Pela galáxia de Holst

Fabio Mechetti, regente
Concentus Musicum de Belo Horizonte, coral feminino
Iara Fricke Matte, regente do coral

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IVES
FACÓ
HOLST
A pergunta não respondida
Aproximações Áureas
Os planetas, op. 32

Fabio Mechetti, regente

Natural de São Paulo, Fabio Mechetti é Diretor Artístico e Regente Titular da Filarmônica de Minas Gerais desde sua criação, em 2008. Recentemente, tornou-se o primeiro brasileiro a ser convidado a dirigir uma orquestra asiática, sendo nomeado Regente Principal da Filarmônica da Malásia. Foi Residente da Sinfônica de San Diego, Titular das sinfônicas de Syracuse, Spokane e Jacksonville, sendo agora Regente Emérito das duas últimas. Foi Regente Associado de Mstislav Rostropovich na Sinfônica Nacional de Washington. Além de uma sólida carreira nos Estados Unidos e no Brasil, já conduziu em países como México, Peru, Venezuela, Nova Zelândia, Espanha, Japão, Escócia, Finlândia, Canadá, Suécia e Itália. Venceu o Concurso Internacional de Regência Nicolai Malko. Mechetti possui títulos de mestrado em Composição e em Regência pela Juilliard School.

O Concentus Musicum de Belo Horizonte é um grupo misto, com formação vocal e instrumental variável, dedicado à interpretação e difusão de obras dos períodos Barroco, Clássico e Renascentista, bem como de um seleto repertório contemporâneo. Foi idealizado pela maestrina Iara Fricke Matte e fez sua estreia em dezembro de 2016, junto à Orquestra Filarmônica de Minas Gerais, com quem mantém uma frutífera parceria. Entre seus projetos futuros, incluem-se a montagem de obras vocais e orquestrais de J. S. Bach, de seu contemporâneo Jan Dismas Zelenka e de compositores brasileiros coloniais, além de obras instrumentais do século XVIII e início do século XIX.

Regente coral e orquestral, Iara Fricke Matte vem se dedicando intensamente ao estudo e à apresentação de obras dos períodos Barroco, Renascentista e Contemporâneo, com ênfase na performance historicamente embasada. Seu repertório é formado de peças corais a capela, sinfônico-corais e sinfônicas, destacando sua grande afinidade com o repertório de J. S. Bach. Iara é Doutora e Mestre em Regência Coral pela Universidade de Indiana e pela Universidade de Minnesota (EUA), onde se especializou em Música Antiga e História da Música. Professora de regência da Escola de Música da UFMG, foi regente titular e diretora artística do coral Ars Nova, da mesma universidade, com o qual conquistou o Troféu JK de Cultura e Desenvolvimento e o terceiro lugar na competição coro misto do 34º Festival de Música de Cantonigròs (Espanha). Em 2016, formou o grupo coral e orquestral Concentus Musicum de Belo Horizonte.

Programa de Concerto

A pergunta não respondida | IVES

Música para madeiras, trompete e cordas. Suponhamos que, em vez do título pelo qual conhecemos a pequena joia orquestral de Charles Ives, o compositor a tivesse nomeado dessa forma bem menos sugestiva, considerando um dos efetivos instrumentais previstos na partitura. Desprovida da misteriosa evocação de seu título, ainda assim essa miniatura camerística nos surpreenderia. Se acrescentarmos à experiência auditiva dados do Prefácio de Ives, publicado com a partitura, nossa admiração pela obra será ainda maior. Para Ives, trata-se de uma “Paisagem Cósmica”, na qual as cordas evocam “O Silêncio dos Druidas”, e o quarteto das madeiras representa a busca por “Respostas” à “Eterna Pergunta da Existência”, formulada pelo trompete solo. Ainda no Prefácio, o compositor aponta possibilidades de espacialização na disposição instrumental. Observa também que as madeiras não precisam obedecer, rigorosamente, os momentos das entradas previstas na partitura. Estamos, portanto, diante de uma obra-prima de horizontes vastos: politonalidade, polimetria, um certo grau de aleatoriedade, liberdade e rigor, simbolismo, transcendência. Depois de seis insistentes perguntas, que as tentativas confusas das madeiras se mostram incapazes de responder, uma última vez o trompete formula a questão perene que, agora, mergulha no insondável, no “Imperturbável Silêncio”. A singularidade de Ives, com A pergunta não respondida, parece fazer uma alegoria musical às palavras de Varèse: “Em arte, um excesso de razão é mortal. É a imaginação que dá forma aos sonhos”.

As obras do jovem compositor cearense Caio Facó mesclam seu criativo pensamento matemático com um expansivo interesse em modos de expressão da cultura e da realidade brasileiras para além de estéticas nacionalistas. Aproximações Áureas é dedicada a seu pai, por lhe ter revelado “o fantástico universo da matemática”, e alia à manipulação calculada de elementos musicais um trabalho de experimentação sonora. Às abstrações matemáticas, juntam-se influências de natureza diversa, como a cena passada na boate Clube Silêncio do filme Mulholland Drive [Cidade dos Sonhos], de David Lynch, que lhe serve de inspiração para um trompete que se ouve, mas não se vê. O título da peça evoca a noção de proporção áurea, constante matemática relativa à natureza do crescimento que, pelo menos desde Fídias, é utilizada em obras de arte e arquitetura. Se o princípio que governa a criação é matemático, sua força expressiva reside, porém, em seu conteúdo sonoro, na natureza dos materiais musicais e no caráter dramático, produzido principalmente pelo colorido orquestral livremente inspirado em Paul Dukas e Gustav Holst. Aproximações Áureas recebeu menção honrosa no Festival Tinta Fresca 2016 da Filarmônica.

Os planetas é o astro-rei do legado de Gustav Holst. Imaginada para uma grande orquestra, a obra é dividida em sete movimentos, cada um retratando um planeta do Sistema Solar. Holst não está preocupado com o discurso científico, mas sim em uma narrativa mítica do Cosmos. É mais astrológica que astronômica, por assim dizer. A astrologia em que o compositor britânico se inspira é a das antigas ciências grega e latina, cuja observação de corpos celestes e o estudo de sua posição e movimentação exprimem propriedades comportamentais dos homens e da natureza. Representados através dos sons, os planetas são deuses da mitologia romana; cada movimento exprime em discurso musical a função cósmica de um astro e o todo da obra, a ordenação dos deuses no universo. O primeiro planeta é Marte – O Anunciador da Guerra, seguido de Vênus – O Anunciador da Paz; Mercúrio – O Mensageiro Alado, Júpiter – O Anunciador da Alegria, Saturno – O anunciador da velhice, Urano – O Mágico, Netuno – O Místico.

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14 dez 2017
quinta-feira, 20h30

Sala Minas Gerais

15 dez 2017
sexta-feira, 20h30

Sala Minas Gerais
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