Quando o circo encontra a Orquestra

Fabio Mechetti, regente
Marcos Arakaki, regente
Cirque de la Symphonie

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GOMES
ABREU
SAINT-SAËNS
BIZET
RIMSKY-KORSAKOV
BIZET
SMETANA
KHATCHATURIAN
WAGNER
TCHAIKOVSKY
GLINKA
KHATCHATURIAN
OFFENBACH
MOZART
TCHAIKOVSKY
GOUNOD
RAVEL
O Guarani: Protofonia
Tico-tico no fubá
Dança Macabra, op. 40
Carmem: Os toureadores
A dama da neve: Dança dos bufões
Carmem: Dança Boêmia
A noiva vendida: Abertura
Masquerade: Valsa
A Valquíria: Cavalgada das Valquírias
O lago dos cisnes: Dança dos pequenos cisnes
Ruslan e Ludmila: Abertura
Gayane: Dança do sabre
Gaîté Parisienne: Cancã
As bodas de Fígaro: Abertura
O lago dos cisnes: Valsa
Marcha fúnebre para uma marionete
Bolero

Fabio Mechetti, regente

Natural de São Paulo, Fabio Mechetti é Diretor Artístico e Regente Titular da Filarmônica de Minas Gerais desde sua criação, em 2008. Recentemente, tornou-se o primeiro brasileiro a ser convidado a dirigir uma orquestra asiática, sendo nomeado Regente Principal da Filarmônica da Malásia. Foi Residente da Sinfônica de San Diego, Titular das sinfônicas de Syracuse, Spokane e Jacksonville, sendo agora Regente Emérito das duas últimas. Foi Regente Associado de Mstislav Rostropovich na Sinfônica Nacional de Washington. Além de uma sólida carreira nos Estados Unidos e no Brasil, já conduziu em países como México, Peru, Venezuela, Nova Zelândia, Espanha, Japão, Escócia, Finlândia, Canadá, Suécia e Itália. Venceu o Concurso Internacional de Regência Nicolai Malko. Mechetti possui títulos de mestrado em Composição e em Regência pela Juilliard School.

Marcos Arakaki é Regente Associado da Filarmônica de Minas Gerais. Tem conduzido importantes orquestras no Brasil e também nos Estados Unidos, México, Argentina, República Tcheca e Ucrânia. Colaborou com artistas de renome, como Pinchas Zukerman, Gabriela Montero, Sergio Tiempo, Anna Vinnitskaya, Sofya Gulyak, entre outros. Vencedor do I Concurso Nacional Eleazar de Carvalho para Jovens Regentes (2001) e do I Prêmio Camargo Guarnieri (2009), foi Regente Titular da Sinfônica da Paraíba e da Sinfônica Brasileira Jovem, com grande reconhecimento da crítica especializada e do público. Gravou a trilha sonora do filme Nosso Lar, composta por Philip Glass, com a Orquestra Sinfônica Brasileira. Natural de São Paulo, é Bacharel em Violino pela Unesp e Mestre em Regência Orquestral pela Universidade de Massachusetts. Nos últimos anos, Arakaki tem contribuído de forma decisiva para a formação de novas plateias, por meio de apresentações didáticas, bem como para a difusão da música de concertos através de turnês a mais de 70 cidades brasileiras.

Liderado pelo acrobata russo Alexander Streltsov, o Cirque de la Symphonie é composto por artistas com sólida formação circense, recordistas mundiais e atletas olímpicos, que se revezam em diversas linguagens como malabarismo, contorcionismo, mímica e acrobacia. Quando o Cirque de la Symphonie se apresenta em frente ou sobrevoando a orquestra, essas duas artes – música e circo – se fundem de forma arrebatadora e única. Desde 2005, a trupe já compartilhou o palco com mais de 100 orquestras, como as sinfônicas de San Francisco, Houston, Detroit, Dallas, Baltimore e Quebec, as filarmônicas de Hong Kong e da Malásia, a Orquestra da Filadélfia e a Orquestra Nacional Russa. Esta é a primeira vez do grupo no Brasil.

Programa de Concerto

O Guarani: Protofonia | GOMES

Carlos Gomes se inspirou no romance indianista O Guarani, de José de Alencar, para compor sua ópera de mesmo nome. A obra em quatro atos, com libreto em italiano de Antônio Sclavini e Carlo D’Orneville, trata da história de amor de Ceci e Peri. A montagem estreou com grande sucesso em 19 de março de 1870 no Teatro Scala de Milão – a estreia brasileira só veio em dezembro do mesmo ano, no Rio de Janeiro. A Protofonia, ou Abertura, é sem dúvida o tema mais conhecido dessa criação de Carlos Gomes. Inclusive, é uma versão dela que ouvimos no rádio na abertura do programa a Voz do Brasil.

A composição de Dança Macabra, de Camille Saint-Saëns, é baseada em um poema de Henri Cazalis sobre uma velha superstição francesa na qual a Morte aparece todo ano à meia-noite do Halloween. “Hallow” é um termo antigo para “santo” e “eve” é o mesmo que “véspera”. O termo designava, até o século XVI, a noite anterior ao Dia de Todos os Santos, celebrado em 1º de novembro. A propósito, foi no século VIII que o papa Gregório III mudou a data do Dia de Todos os Santos, de 13 de maio – a data do festival romano dos mortos – para 1º de novembro, a data do festival celta de Samhain (fim do verão). Na Dança de Saint-Saëns, uma curiosa música se inicia com a harpa tocando uma única nota 12 vezes consecutivas – para expressar as batidas do relógio à meia-noite. Entra um violino solo – representando a Morte – que então é substituído por uma flauta, acompanhada de orquestra. Os xilofones adicionam um toque especial, incorporando os sons dos ossos dos esqueletos chocando-se em sua dança. A música se intensifica, como a dança dos mortos, até que reste, ao fim, apenas um violino, representando os esqueletos voltando às suas tumbas ao amanhecer.

No Leste Europeu, a escola tcheca de música sempre se manteve fecunda. Seu fundador, Bedrich Smetana, é símbolo de independência cultural e, com A noiva vendida, fundou a ópera no país. Composta entre 1863 e 1866, ano também de sua estreia em Praga, A noiva vendida trouxe ao “Ocidente” a consciência das peculiaridades e especificidades da música tcheca, nem tanto pela inclusão de citações de temas populares ou de danças tradicionais, mas pelo uso desse je ne sais quoi que, nas escolas nacionais, muitas vezes se confundem com exotismos. No brilho da abertura da ópera isso se afirma, não apenas em algumas harmonias, mas numa rítmica característica e em uma atmosfera festiva que mascara habilmente as danças tradicionais.

Guerra do Vietnã, 1969. Quando o esquadrão de helicópteros do Tenente-Coronel Bill Kilgore sobrevoa o rio Nùng e ataca a vila de Vin Drin Dop, um posto importante para os vietcongues, é A cavalgada das Valquírias que escutamos. Apocalypse Now, o clássico de 1979 de Francis Ford Coppola, tem nessa obra de Wagner o que o editor Walter Murch chamou de “o coração musical” do filme. É de fato impossível pensar a sequência sem a força implacável e intensidade da música. A cavalgada das Valquírias talvez seja o trecho instrumental das óperas de Wagner mais explorado pela cultura pop em tempos recentes. Essa peça abre o terceiro ato de A Valquíria, segunda ópera da tetralogia O Anel do Nibelungo, constituída ainda por: O Ouro do Reno, Siegfried e O Crepúsculo dos Deuses. Composto entre 1848 e 1874, a saga épica d’O Anel é um marco na linguagem wagneriana e, consequentemente, toda a História da Música. Aí Wagner abraça definitivamente as propostas do que chama de “trabalho artístico do futuro”, no qual música, poesia e artes visuais deveriam se fundir numa única manifestação. Assim, Wagner toma por base para o enredo da história elementos da mitologia nórdica e germânica, cujo centro narrativo trata da luta pela posse de um anel mágico, forjado pelo anão Alberich, feito de ouro do Rio Reno. Em A Valquíria o drama gira em torno do desentendimento da valquíria Brünhilde com o pai Wotan, chefe dos deuses, quando ela hesita em obedecer a uma ordem do pai. Na mitologia wagneriana, as valquírias eram encarregadas de levar, em seus cavalos alados, as almas dos guerreiros mortos para o Walhalla.

As bodas de Fígaro é a primeira das três colaborações de Mozart com o libretista Lorenzo Da Ponte – as outras duas são Don Giovanni e Così fan tutte. É uma ópera em quatro atos, cuja estreia aconteceu em maio de 1786, no Burgtheater, em Viena, sob regência do compositor. Para escrevê-la, Mozart baseou-se na peça homônima de Beaumarchais, segunda parte da trilogia do autor francês que começa com O barbeiro de Sevilha e termina com A mãe culpada. A trama se passa em um único dia, o do casamento de Fígaro com Susanna. Ambos trabalham e vivem no castelo do Conde de Almaviva que tenta, de todo modo, seduzir a noiva de seu criado antes da cerimônia. A Abertura, entretanto, é independente, ou seja, não traz temas da ópera propriamente dita, mas sim nos antecipa o estado de espírito da obra.

Quando Ravel criou o Bolero, jamais imaginou que seu nome ficaria para sempre ligado a essa obra. Nas suas palavras, tratava-se de “dezessete minutos de orquestra sem música”. Ao ser indagado por Honegger a respeito de suas grandes composições, Ravel disse, com um leve toque de ironia: “em toda a minha vida eu compus apenas uma obra-prima, o Bolero. Mas, infelizmente, ele é vazio de música”. Criado por encomenda da bailarina Ida Rubinstein, Ravel decidiu aproveitar na obra um tema que o perseguia há tempos: uma melodia com caráter insistente que ele utilizaria repetidamente, sem desenvolvimento, variando gradualmente o colorido orquestral. Para completar o primeiro tema, compôs um segundo. Muito mais que uma melodia individualizada, o segundo tema funciona como uma espécie de contratema, ou seja, uma melodia que se comporta como um complemento da melodia principal. O Bolero foi estreado no dia 22 de novembro de 1928, no Teatro Nacional da Ópera, em Paris, com o corpo de bailarinos de Rubinstein e coreografia de Bronislava Nijinska. O escândalo que a obra causou em suas diversas apresentações estimulou o compositor a tentar executá-la sem o balé. A versão de concerto foi estreada por Ravel em janeiro de 1930. Hoje uma das partituras mais executadas do repertório internacional, o Bolero pode parecer o resultado de uma composição bem calculada para causar impacto e ser bem sucedida nas salas de concerto. Mas foi com extrema dificuldade que a obra ganhou as graças do público.

13 nov 2018
terça-feira, 20h30

Sala Minas Gerais INGRESSOS ESGOTADOS

14 nov 2018
quarta-feira, 20h30

Sala Minas Gerais
de R$ 120,00 a R$ 350,00
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Os ingressos para este concerto começarão a ser vendidos a partir das 12h do dia 29 de setembro, sábado, tanto na bilheteria da Sala Minas Gerais.

Estudantes, maiores de 60 anos, jovens de baixa renda entre 15 e 29 anos e pessoas com deficiência (e seu acompanhante) têm direito a meia-entrada. Para isso, é preciso comprovar o direito ao benefício no acesso à Sala Minas Gerais.

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