Sobre a diversidade sonora

Neil Thomson, regente convidado
Marlon Humphreys, trompete

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LIADOV
TOMASI
WALTON
Oito canções populares russas, op. 58
Concerto para trompete
Sinfonia nº 1 em si bemol menor

Neil Thomson, regente convidado

Neil Thomson é um dos mais respeitados e versáteis maestros britânicos de sua geração. Nascido em 1966, estudou com Norman Del Mar na Royal College of Music, em Londres, e com Leonard Bernstein e Kurt Sanderling no Festival de Tanglewood, nos EUA. É Diretor Artístico e Regente Titular da Filarmônica de Goiás desde 2014. Gravou com a Sinfônica de Londres e com a Filarmônica Real de Liverpool. Colaborou com diversas orquestras britânicas, como a Filarmônica de Londres, a Philharmonia, a Filarmônica da BBC, a Royal Scottish National Orchestra, a Hallé e a Royal Philharmonic. Já se apresentou com a Filarmônica de Tóquio, com as sinfônicas de Lahtu e de Oulu na Finlândia, a Royal Northern Sinfonia, a Sinfônica de Israel, a Sinfônica do Porto Casa da Música, a Osesp, a Orquestra da Rádio WDR, entre muitas outras. De 1998 a 2006, foi chefe de regência no Royal College of Music (RCM), tendo sido o mais novo a ser incumbido do cargo. Em 1994, tornou-se membro honorário da RCM por seus serviços à instituição e tem estabelecido uma louvável reputação como professor orquestral. Em 2002, foi convidado por Lorin Maazel para ser jurado da etapa europeia da Maazel Conducting Competition. Em 2007, foi jurado, ao lado de Gunther Schuller, no Eduardo Mata International Conducting Competition, na Cidade do México, e, em 2014, foi jurado na Prokofiev Conducting Competition, em São Petersburgo.

Natural de São Paulo, teve sólida formação musical com Gilberto Siqueira e foi vencedor do Prêmio Weril (2000). Com bolsa de estudos da Vitae, aperfeiçoou-se em Chicago com Mark Ridenour e Aldoph Herseth. Foi solista na Civic Orchestra of Chicago e trabalhou com a Chicago Symphony, Grand Park Symphony, Rochester Philharmonic e Oak Park Symphony. No Japão, foi membro fundador e solista da Hyogo Performing Arts Center Orchestra e participou do Pacific Music Festival. Trabalhou com os maiores regentes da atualidade, destacando-se Valery Gergiev, Daniel Barenboim e Pierre Boulez. A convite de Valery Gergiev, participa da World Orchestra for Peace.

Programa de Concerto

Oito canções populares russas, op. 58 | LIADOV

Anatoly Liadov era um homem reservado. Sua vasta cultura musical foi de grande valia para seus mais dedicados alunos do Conservatório de São Petersburgo, dentre eles Prokofiev, Rachmaninov e Miaskovsky. Como compositor, foi extremamente metódico e excessivamente autocrítico. Não escrevia uma nota sem a certeza absoluta de sua necessidade. Talvez por isto não tenha produzido uma obra mais extensa. Suas composições são curtas, intimistas e sem grandes arroubos dramáticos. Em 1897, viajou pela Rússia coletando canções folclóricas em colaboração com Mily Balakirev, importante compositor, pianista e regente. Os mais de cem cantos populares por ele reunidos foram publicados em três volumes sob os auspícios da Sociedade Geográfica Imperial, no início do século XX. Dessas canções, Liadov escolheu oito e as arranjou para orquestra sinfônica, criando assim seu opus 58, com um belo colorido orquestral que nos remete à influência de seu mestre Rimsky-Korsakov. O senso formal de Liadov era impecável. As Oito canções formam um conjunto simétrico: se partirmos do centro para as bordas, perceberemos que as duas canções centrais são alegres; as duas canções que as envolvem são lentas; as seguintes são danças singelas; e as canções das extremidades funcionam, respectivamente, como uma introdução e um solene desfecho.

A inventividade do francês Henri Tomasi é excepcional. Ele se interessou pela composição enquanto improvisava ao piano em bares, cabarés, teatros e principalmente no cinema-mudo, em que trabalhou durante a juventude a fim de custear os estudos musicais. A despeito de sua boa formação, Tomasi foi um artista sem escola. Christian Tournel definiu-o da seguinte forma: “Tomasi jamais escreveu uma nota pelo prazer intelectual da descoberta, mas sim para promover uma combinação íntima que suscita determinada emoção em sua alma poética”. Sua obra mais executada é o Concerto para trompete. (1948) A música se inicia com um golpe de caixa-clara seguido de uma fanfarra, ou clarinada, que expõe o timbre do instrumento solista de forma característica e familiar aos ouvidos. A fanfarra inicial é intercalada por um episódio lento: o solista utiliza a surdina, e então somos brevemente transportados ao sentimentalismo das antigas orquestras americanas de jazz. O dualismo segue até uma elaborada e longa cadenza que caracteriza o movimento. O segundo movimento é declaradamente um noturno: assemelha-se à escrita do gênero para piano, imortalizado por Chopin, de peças serenas e meditativas que sugerem ou evocam a noite. A obra conclui-se com um curto e espirituoso allegro, no qual são reaproveitados diversos elementos do primeiro movimento.

Desde a morte de Purcell, em 1695, passaram-se quase dois séculos sem que a Inglaterra produzisse um compositor à altura de seus contemporâneos continentais. O Império Britânico passou a desenvolver suas manifestações musicais em torno de compositores e empresários estrangeiros. A partir do século XIX, os ingleses consolidaram iniciativas sociais que viabilizavam o acesso da população à cultura musical. Inúmeros corais formaram-se em cidades provincianas e os concertos populares foram criados em Londres e em Manchester. Frutos dessa efervescência cultural, surgiram os primeiros compositores ingleses modernos, cujas obras conquistaram um lugar permanente no repertório sinfônico internacional. Elgar, Vaughan Williams, Britten e Walton são os mais conhecidos deles. Autodidata, William Walton afastou-se do folclorismo natal (então muito cultivado por seus pares) e deixou-se influenciar por outras correntes europeias. Escreveu duas sinfonias, duas óperas, um oratório, três concertos (viola, violino e violoncelo), música de câmara, canções e trilhas para o cinema. A Sinfonia nº 1, criada quando tinha 31 anos, possui grandes dimensões. O jornalista Tom Service, em um artigo para o jornal The Guardian, escreveu: “essa sinfonia é uma erupção vulcânica de uma paixão sombria e sensual, que transparece poderosa e imediatamente desde o primeiro compasso”.

28 set 2017
quinta-feira, 20h30

Sala Minas Gerais

29 set 2017
sexta-feira, 20h30

Sala Minas Gerais
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