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29 de outubro de 2011

O violinista Joshua Bell em cinco pontos

Talvez a palavra mais usada para se referir a Joshua Bell seja “carismático”, mas não será escutando um de seus quase quarenta álbuns que se comprovará isso. É preciso ver!

Talvez a palavra mais usada para se referir a Joshua Bell seja “carismático”. Não será escutando um de seus quase quarenta álbuns ou lendo um respeitoso artigo do New York Times que se comprovará a veracidade desse tão propagado adjetivo. Ouvir dá a acesso apenas a uma parcela do que de fato o violinista norte-americano significa para o mundo da música clássica hoje: é o Joshua Bell “virtuose”.

Para entender todo o burburinho que seu nome traz, é preciso vê-lo – o que, em tempos de YouTube, não é nada difícil. Ainda assim, a experiência completa só acontece na “vida real”. Uma oportunidade, rara para quem vive abaixo da Linha do Equador, é a Temporada 2011 da Filarmônica de Minas, que traz Bell como solista no Concerto para violino de Tchaikovsky. Abaixo, algumas poucas notas sobre Joshua David Bell, cuja música já foi parar no Grammy, na parada Billboard, no Oscar e até mesmo em uma estação de metrô.
  • Ele é o que os americanos convencionaram chamar de “farm boy”. Nasceu em Bloomington, no estado de Indiana. Gostava de esportes, de videogames e de suas aulas de violino, que começou a aprender por volta dos cinco anos de idade, quando seus pais, ambos psicólogos, descobriram que ele tinha estendido tiras de borracha entre os puxadores de suas gavetas para tentar reproduzir a música que tinha escutado a mãe tocando mais cedo no piano.
  • “Me sinto muito ligado à música francesa, amo música francesa! Tanto que meu próximo álbum se chama “French Impressions” [Impressões Francesas] e traz obras de Ravel, Saint-Saëns e Frank. Meu professor Josef Gilgod foi aluno de um dos grandes violinistas de todos os tempos, Eugène Ysaÿe.” Gingold é um nome recorrente nas entrevistas que Joshua Bell concede, como nesta que ele fala conosco, da Filarmônica de Minas. Na verdade, o violinista e professor nascido na Rússia em 1909 tem uma legião de alunos ilustres que frequentavam suas aulas na mesma Bloomington onde vivia a família Bell.
  • As irmãs Janet e Ursula encontram um jovem ferido na praia próxima à casa onde vivem na vila de Cornwall. Era Andrea, que especulam ter sobrevivido a um naufrágio. Especulam porque eles não falavam a mesma língua. Com o desenrolar da história, descobrem que Andrea é um excelente violinista. Daniel Brühl, o ator por trás do personagem em “O violinista que veio do mar” [Ladies in Lavender - 2004], não é quem tira o som do instrumento. As músicas são executadas por ninguém menos que Joshua Bell, cuja aproximação com o cinema vem de antes, em “O Violino Vermelho”. Passando por “Defiance” (2008) e, mais recentemente, “Anjos e Demônios” (2009). A propósito, é uma foto de Andrea que ilustra esse post.
  • Bell gravou os clássicos: Tchaikovsky, Vivaldi, Bernstein, Brahms... Mas gravou também Beatles, Regina Spektor, Ennio Morricone e até mesmo Tom Jobim. Chovendo na Roseira, que faz parte de seu álbum “At home with friends”, lançado em 2009, que conta também com a participação de Sting. Perguntado sobre essa relação com o universo pop, o violinista respondeu: “95% do que eu faço é música clássica. Gosto de experimentar e tocar outros tipos, mas no fim é só música. Há as que eu sinto uma relação e as que eu não sinto. Não penso em categorias artificiais, porque às vezes é muito difícil de categorizar. Gosto de todo tipo de música e me divirto também arriscando [na hora de tocá-las]. Não estou necessariamente tentando fazer a música clássica popular, barata ou algo assim”.
  • Joshua Bell se apresenta com um Stradivarius, um Gibson ex-Humberman, fabricado em 1713 por Antonio Stradivari de Cremona. Enquanto estava sob os cuidados do violinista Bronislaw Huberman, o instrumento foi roubado duas vezes. Uma delas é no mínimo curiosa: no dia 28 de fevereiro de 1936, enquanto Humberman tocava com seu Guarnieri no palco do Carnegie Hall em Nova York, o também o músico Julian Altman roubou o Stradivarius que estava nos bastidores. 50 anos depois, Altman confessou para sua esposa em seu leito de morte que seu violino era roubado, mas o verdadeiro dono, Humberman, já estava morto.

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