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voltar21 de junho de 2012
Alguns pensamentos musicais de Carl St. Clair
"Aqui vamos nós de novo. Estou emocionado. Frank". O Frank em questão é Frank Ticheli, compositor residente da Pacific Symphony, orquestra da qual St. Clair é Diretor Artístico e Regente Titular há cerca de 20 anos.
Na partitura que Carl St. Clair usa para conduzir Estrelas Cadentes lê-se: “Aqui vamos nós de novo. Estou emocionado. Frank". O Frank em questão é Frank Ticheli, compositor residente da Pacific Symphony, orquestra californiana da qual St. Clair é Diretor Artístico e Regente Titular há cerca de 20 anos. "A partitura que estou usando é a primeira que recebi. Fizemos muitas mudanças desde então, logo, é um partitura revista, com algumas alterações na dinâmica, na articulação e com algumas partes retiradas. Acrescentamos também algo novo, editamos algumas notas... Alterações que fizemos desde que estreamos a obra", nos contou o simpático maestro em entrevista concedida na época de seu concerto como regente convidado da Filarmônica, no dia 24 de maio.
Estrelas Cadentes foi a obra que abriu a apresentação, com direito ao Grande Teatro lotado. O texto escrito por Igor Reyner especialmente para o programa da Filarmônica sobre a obra e o compositor traz: "(...) a música evoca o brilhantismo alcançado pela Pacific Symphony em sua curta vida, pela analogia com a estrela cadente que cruza o céu, luminosa e com rapidez. St. Clair encomendou para o evento uma fanfarra curta; como já havia composto a Pacific Fanfare, Ticheli optou pela composição de uma obra que soasse brilhante, evocasse uma dança arrebatadora na qual se perde o fôlego. 'Estrelas Cadentes é um símbolo de minha duradoura amizade com o regente Carl St. Clair e um gesto de agradecimento pelos sete anos que desfrutei como compositor residente na Pacific Symphony', disse o compositor." Para ler o programa na íntegra, clique aqui.
Estrelas Cadentes foi a obra que abriu a apresentação, com direito ao Grande Teatro lotado. O texto escrito por Igor Reyner especialmente para o programa da Filarmônica sobre a obra e o compositor traz: "(...) a música evoca o brilhantismo alcançado pela Pacific Symphony em sua curta vida, pela analogia com a estrela cadente que cruza o céu, luminosa e com rapidez. St. Clair encomendou para o evento uma fanfarra curta; como já havia composto a Pacific Fanfare, Ticheli optou pela composição de uma obra que soasse brilhante, evocasse uma dança arrebatadora na qual se perde o fôlego. 'Estrelas Cadentes é um símbolo de minha duradoura amizade com o regente Carl St. Clair e um gesto de agradecimento pelos sete anos que desfrutei como compositor residente na Pacific Symphony', disse o compositor." Para ler o programa na íntegra, clique aqui.
Confira aqui um pouco da nossa conversa com o maestro Carl St. Clair:
Muitas obras contemporâneas integram os programas da Pacific Symphony, muitas delas comissionadas, como a de Ticheli que o senhor irá conduzir aqui. Vemos aqui uma certa resistência do público para as obras "do nosso tempo". Como é esse cenário nos Estados Unidos, principalmente na orquestra em que o senhor trabalha?
Como Diretor Artístico, tenho a responsabilidade com a orquestra, com a música do meu país e também com o público. Sou a pessoa responsável pela dieta musical. Logo, não posso dar a eles apenas o que amam; seria como dar apenas doces a crianças. Quer dizer, não posso dar a eles apenas Tchaikovsky, Beethoven... E não podemos, enquanto orquestra, ser um museu, os guardiões de um museu.
Seria de uma pobreza e tanto escondermos a música feita em nosso tempo. A maneira de proteger a música é dando a ela relevância, mostrando o que é o hoje. Sabendo o que está acontecendo hoje, temos um melhor entendimento do que estava acontecendo na época de Beethoven, por exemplo. Não devemos ser apenas protetores da tradição clássica, mas também organizadores do nosso tempo, dar luz a novas vidas em nosso mundo.
O que a experiência de conduzir essas obras agrega para o seu fazer musical?
O que a experiência de conduzir essas obras agrega para o seu fazer musical?
Digo a muitos e muitos músicos e maestros que aprendo muito mais sobre interpretar Beethoven, Brahms e todos os compositores do passado quando trabalho com compositores vivos. Isso porque o processo é muito diferente: você faz perguntas, ele te dá respostas, ele te permite ter liberdade, ele diz “isso soa bem, então mantenha”, ainda que não seja exatamente o que ele imprimiu na partitura. Então, com o programa de um concerto, tenho que imaginar o coração do público, dar a eles paixão, beleza sonora, mas também , vez ou outra, é preciso desafiar seu intelecto. Algumas vezes, essa é a palavra-chave.
Tome como exemplo Gustav Mahler. Em seu tempo, Mahler foi muito mais conhecido como um regente do que como um compositor. Ele compunha apenas em parte do tempo, no verão. Se você olhar para a partitura de sua Primeira Sinfonia, verá que ela é muito diferente da que usamos hoje, porque, quando começou a regê-la em frente à orquestra, começou também a acrescentar coisas, mudar coisas e assim sucessivamente. Então, o compositor, ou compositora, começa a fazer música não apenas na mente.
Você também compõe, ainda que nas "horas vagas"?Tome como exemplo Gustav Mahler. Em seu tempo, Mahler foi muito mais conhecido como um regente do que como um compositor. Ele compunha apenas em parte do tempo, no verão. Se você olhar para a partitura de sua Primeira Sinfonia, verá que ela é muito diferente da que usamos hoje, porque, quando começou a regê-la em frente à orquestra, começou também a acrescentar coisas, mudar coisas e assim sucessivamente. Então, o compositor, ou compositora, começa a fazer música não apenas na mente.
Não! (risos) Eu não sou compositor. Quer dizer, tenho muitos pensamentos musicais, mas eu definitivamente não sou um compositor.
Foto: André Fossati
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