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  20/08/2010
Turnê Nacional



A Orquestra se prepara para realizar, em setembro, a maior turnê de sua historia, quando vai se apresentar em sete capitais da região nordeste e norte do país. Em uma viagem com doze dias de duração, a Filarmônica de Minas fará concertos em Salvador, João Pessoa, Recife, Natal, Fortaleza, Belém e Manaus. Sob liderança do Diretor Artístico e Regente Titular Fabio Mechetti, esperamos fazer dessa experiência algo realmente marcante para nós e para o público de cada cidade visitada.

Nos próximos dias, o blog e o Twitter da Filarmônica (@filarmonicamg) farão uma cobertura especial da Turnê Nacional, com ações pensadas para esses concertos e algumas informações interessantes sobre cada cidade.

Turnê Nacional da Orquestra Filarmônica de Minas Gerais, uma orquestra emocionante em cidades que emocionam.

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19/08/2010
Fim de semana - Concertos de Câmara



A série de Concertos de Câmara da Filarmônica teve início em 2010 e já é um dos grandes atrativos de nossa temporada. No próximo fim de semana, quem ainda não assistiu a nenhuma das apresentações terá duas chances para participar de uma experiência única com nossos músicos.

Na sexta-feira, o Quinteto de Sopros faz sua estreia nos Concertos de Câmara, em uma apresentação especial, com obras de Ligeti, Haydn, Ibert e Mozart. A apresentação será na Fundação de Educação Artística, as 20h30, com ingressos a 10 reais.

No domingo, o Grupo de Percussão reapresenta, no Inhotim, o programa do concerto de abertura da série, realizado no dia 21 de maio, com obras de Kusma, Peck, Ligeti, Becker, Vine e Grenn. A apresentação começa as 11h.

Saiba mais sobre os concertos desse fim de semana aqui. Para acompanhar a série de Concertos de Câmara, clique aqui.

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17/08/2010
Fotos - Concerto Série Allgero - Nelson Freire



Tivemos o grande prazer de receber, em julho, o pianista Nelson Freire em sua estreia pela Filarmônica de Minas. O concerto, que teve o programa reapresentado uma semana depois, no Festival Internacional de Inverno de Campos do Jordão (saiba mais aqui), foi um sucesso tanto aqui quanto no festival paulista. Em sua primeira passagem pela Filarmônica, tocando o Concerto para piano e orquestra n° 2, de Brahms, Nelson Freire emocionou o público em apresentação registrada pelas lentes de Rafael Motta. Você pode ver algumas fotos, em nossa galeria, clicando aqui.

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13/08/2010
"Pay what you like"

A companhia de Ópera inglesa OHP, que realiza apresentações nos verões londrinos, inovou na forma de arrecadação em suas récitas deste ano. Assistir à peça Francesca da Rimini, do italiano Riccardo Zandonai, custa apenas uma doação de qualquer valor. O formato “pague quanto quiser” busca, segundo a direção da companhia, atrair novos públicos às apresentações. A ideia é que as doações sejam feitas após as récitas, e que cada um pague o que achar justo pelo que assistiu.

(informações do blog Intermezzo)

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06/08/2010
Fotos - Turnês Sul de Minas e Triângulo Mineiro



Estão disponíveis as galerias de imagens das duas Turnês que a Orquestra fez em junho. Em um período de um mês – 17 de junho a 17 de julho – a Filarmônica passou quase todo o tempo na estrada. Foram sete cidades visitadas além de duas participações em Festivais, em Campos do Jordão e Juiz de Fora. Nas duas galerias que vão ao ar hoje, imagens dos concertos em Tupaciguara, Araguari e Uberlândia, feitas por Rafael Motta, e das apresentações em Pouso Alegre, Alfenas, Poços de Caldas e Guaxupé, tiradas por André Fossati. O resultado das fotos, assim como toda a viagem, foi excelente! Confira aqui a galeria do Triângulo Mineiro e aqui as do Sul de Minas.

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02/08/2010
Momentos

Lembram do vídeo institucional que estamos fazendo?

Que tal conferir um pequeno trecho filmado para esse vídeo, em que nossa harpista Mareike Burdinsky treina para uma apresentação com a orquestra? As imagens do vídeo abaixo são de Alexandre Baxter.

ensaio from Marilia Rocha on Vimeo.



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31/07/2010
Parabéns para a Orquestra do Recife

Encerramos essa semana com um desejo de muito sucesso ao Conservatório Pernambucano de Música e à Orquestra Sinfônica do Recife, que completam 80 anos de existência neste final de semana. A Sinfônica de Recife é a Orquestra de mais tempo em atividade ininterrupta no Brasil, e conta com a regência do maestro Osman Giuseppe Gioia. A celebração da data terá apresentação do pianista Nelson Freire, entre outras programações.

Lembrando que Recife tem, também, um bom motivo para aguardar o mês de setembro. No dia 12 de setembro a Orquestra Filarmônica de Minas Gerais se apresenta na cidade, no Teatro Santa Isabel.
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29/07/2010
Roberto Díaz faz masterclass para músicos da Filarmônica

Não é todo dia que temos um violista se apresentando como solista em nossos concertos. Até porque o repertório para viola não é tão extenso ou, ao menos, tão popular como, por exemplo, para piano ou violino. Não é o caso de hoje. O chileno Roberto Díaz, aclamando violista, se apresenta na noite desta quinta com a Filarmônica, tocando Haroldo na Itália, importante obra do compositor francês Hector Berlioz.

Pensando nisso, e aproveitando a oportunidade pouco frequente, surgiu entre os músicos da Orquestra a ideia de uma masterclass com Roberto Díaz. A proposta foi levada a Díaz que, felizmente, se colocou à disposição para a aula, que contará com quatro violistas participando ativamente além de outros músicos ouvintes. O evento acontecerá amanhã de manhã. Nós, do blog da Filarmônica, vamos estar lá e quem sabe traremos alguns registros desse momento para vocês?

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28/07/2010
Celulares, concertos e Marketing

No início do mês, um concerto no Central Park trouxe ao palco a Orquestra Filarmônica de Nova York e a Sinfônica de Xangai. Era a primeira vez que os músicos chineses se apresentavam na cidade, mas essa não foi a única novidade do dia. Antes do concerto, o público foi convidado a enviar mensagens de texto através do telefone celular a um determinado número, dizendo qual música gostaria de ouvir no bis, uma obra de Chopin ou, em homenagem aos músicos convidados, uma tradicional canção chinesa.

Encerrada a execução do programa anunciado, a orquestra chinesa deu início à canção conterrânea, vencedora da pesquisa instantânea por celular.

O uso de mídias móveis em ações de comunicação nas orquestras é algo que vem ganhando bastante espaço no mundo. Só se tratando de celular, já foram testados pedidos de bis, votações em concursos e até perguntas para artistas.

Por outro lado, como pondera o blogueiro Peter Matthews, o uso de telefones celular em campanhas de marketing pode ser perigoso. Todos aqueles que votaram no concerto no Central Park, por exemplo, receberam uma mensagem de volta oferecendo descontos na compra do CD do solista que acabara de tocar. Como ressalta Matthews, o armazenamento de números de telefone e o possível uso dessas informações para envio de material não solicitado pode ser um tanto quanto assustador. De fato, o uso de celulares para fins de divulgação já foi testado no passado em outras áreas, sem muito sucesso.

E você? O que acha do uso de mensagens de texto em ações de marketing?

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27/07/2010
Festival 200 anos Chopin e Schumann

Em 2010, dois compositores fundamentais na história da música sinfônica completam 200 anos de nascimento, o alemão Robert Schumann e o polaco Frédéric Chopin. Vivendo plenamente o momento histórico do Romantismo, os dois músicos marcaram época pelo repertório pianístico e complexidade musical. Por isso, não faltam celebrações no mundo da música às célebres datas. A Filarmônica de Minas, por exemplo, realizou um concerto em abril com a obra Concerto para piano e orquestra em lá menor, executada por Eduardo Monteiro, em homenagem ao compositor alemão.

Nesta semana, está programada uma série de apresentações na Fundação de Educação Artística, em Belo Horizonte, que irão compor um festival dedicado à música de Schumann e Chopin. Na programação do evento, encontramos alguns músicos da Filarmônica. Na quarta, o oboísta Alexandre Barros se apresenta com seus irmãos Eliseu e William Barros e, na quinta, sobe ao palco o clarinetista Dominic Desautels.

Clique aqui e saiba mais sobre o Festival e também sobre sua programação.

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23/07/2010
Marília Rocha tem longa premiado

Já falamos que estamos fazendo um vídeo institucional da Orquestra Filarmônica de Minas Gerais? Não? Pois então, depois de dois anos e meio repletos de histórias, momentos e fascinantes detalhes do dia a dia da Orquestra, achamos que já temos uma quantidade suficiente de material para contarmos essa história para vocês através desse vídeo. A direção do projeto está nas mãos de Marília Rocha e Clarissa Campolina, realizadoras integrantes do núcleo Teia.
 
Falando nisso, vamos aproveitar o momento para dar os parabéns à Marília, que recebeu na semana passada o Prêmio do Júri de Melhor Filme Latino-Americano no 5º Festival de Cinema Latino-Americano de São Paulo, pelo longa A falta que me faz. No site da Marília, que você acessa aqui, tem a notícia do Prêmio. Navegando pelo site dela, quem sabe não é possível achar algo nosso por lá?
 
Parabéns Marília!

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22/07/2010
Compositores mineiros premiados em Campos do Jordão

No Festival de Inverno de Campos do Jordão, além das várias apresentações, masterclasses e palestras, acontece também a premiação do Concurso Camargo Guarnieri para novas composições. Nesse ano, a cerimônia que aconteceu no último domingo, 18 de julho, decidiu dividir o prêmio de primeiro lugar entre dois compositores mineiros: José Henrique Padovani, pela obra Impedance, e Sérgio Rodrigo Lacerda, com Acquarello tintas diluídas em água.

Ficamos felizes com novos talentos da composição despontando em Minas e no Brasil. No Festival Tinta Fresca, concurso para novos compositores realizado pela Orquestra Filarmônica de Minas Gerais, os dois artistas tiveram brilhantes passagens. Padovani foi finalista na edição 2008 do Festival. Sérgio Rodrigo foi o vencedor em 2010, com a obra Stupor.

Saiba mais sobre o Festival Tinta Fresca 2010.

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15/07/2010
Livro - Aleijadinho, o Violoncelo - A Luteria de Dantas-Barreto

A fabricação de um instrumento musical requer um processo delicado, que traz em si vários aspectos técnicos, históricos e de tradição. Os luthiers, figuras responsáveis por confeccioná-los, são artesãos dedicados a entender o funcionamento de todos os instrumentos e dotados de uma boa dose de talento na marcenaria. No livro Aleijadinho, o Violoncelo - A Luteria de Dantas-Barreto, lançado ontem em São Paulo, o lado artístico do trabalho do luthier é exposto no desenrolar da história de Saulo Dantas-Barreto e o processo que o levou à criação do violoncelo Aleijadinho, inspirado no artista mineiro. Integrante de uma coleção de instrumentos temáticos, o violoncelo é apadrinhado por Antonio Meneses e tem uma qualidade musical indiscutível, apesar de desagradar esteticamente músicos mais conservadores.

O livro foi escrito pela jornalista Marcia Glogowski. O trabalho de Saulo Dantas-Barreto pode ser conhecido através do site da Luteria:

www.dantasbarreto.com.br

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13/07/2010
Boa surpresa em Campos do Jordão



Voltando do 41º Festival de Inverno de Campos do Jordão, onde a Filarmônica se apresentou ao lado de Nelson Freire, tivemos uma grata surpresa. Peter Moon, colunista da revista Época que também esteve no Festival, escreveu um delicioso texto em que narra o encontro entre Maria João Pires e Antonio Meneses. Ao longo do texto, uma jovem figura ganha destaque: Lucas Barros, violoncelista que já se apresentou aqui no ano passado, na série Concertos para a Juventude. Lucas é filho de uma das musicistas da Filarmônica de Minas e sobrinho de outros quatro. Vale a pena ler cada parágrafo do texto:


Aprendiz de feiticeiro

Sobre Antônio Meneses, Maria João Pires e o desafio de se tornar músico
 
Peter Moon

No início da semana, fui a Campos do Jordão, São Paulo, para entrevistar Maria João Pires, a maravilhosa pianista portuguesa “quase brasileira” (“dei entrada na papelada para a naturalização. Ainda não saiu. Estou esperando”), ao lado do igualmente soberbo violoncelista pernambucano Antônio Meneses. Maria João e Meneses se reuniram para tocar juntos pela primeira vez. Os dois concertos realizados nos dias 8 e 9, com sonatas de Beethoven para piano e cello, e sonata para piano, além da 3ª Suíte para violoncelo solo de Bach, foram os pontos altos do 41º Festival Internacional de Inverno.

A entrevista estava marcada para a hora do almoço da terça-feira, 6. Meneses e eu conversávamos no saguão do Grande Hotel de Campos do Jordão, aguardando Maria João (leia “Ode à Maria João Pires”). Eu sabia que o encontro de dois músicos daquela estatura seria memorável. Não sabia que seria histórico. Eles não se conheciam?!? Estava escrito que dois dos maiores músicos em atividade iriam trocar beijos e cumprimentos bem na minha frente (a reportagem sobre este encontro memorável está publicada na edição de ÉPOCA deste sábado, 10 de julho). Espero na coluna de hoje acrescentar umas coisinhas e momentos agradáveis que ficaram de fora da edição impressa.

Voltemos ao saguão do hotel, antes da chegada da pianista. Eu conversava com Meneses, e estava nervoso. Nervoso não, o adjetivo correto é inseguro. Fiz minha carreira jornalística cobrindo ciência e tecnologia. Entrevistei mais de uma dezena de ganhadores do prêmio Nobel. Só me senti inseguro da primeira vez, em 1994, diante do americano Arno Penzias, o co-descobridor, em 1965, da radiação escura. A descoberta comprovou a teoria de que o universo surgiu no Big Bang. A conversa com Penzias fluiu bem, e eu perdi o medo de falar com um Nobel.

É engraçado o jeito como a mente gosta de brincar com a gente. Meu inconsciente foi pinçar o arquivo com a memória da conversa com Penzias, um acontecimento esquecido há anos, só para atormentar. A lembrança afluiu ao consciente justamente ali, na frente de Meneses. O desconforto que sentia devia ser muito, muito parecido – para não dizer o mesmo.

Não sou músico. Logo, não achava que o meu parco conhecimento de música erudita ou clássica (escolha o rótulo que preferir. Ou então faça melhor, esqueça-o. Pense apenas em boa música) estaria à altura de uma conversa com aqueles dois virtuoses. Mas o meu amigo e editor de cultura da ÉPOCA, Luís Antônio Giron – que é músico – achava que eu teria competência para “tirar de letra” aquela entrevista. Só tinha faltado combinar comigo...

Eu havia conhecido Meneses na tarde anterior, durante uma masterclass, uma aula para alunos avançados de violoncelo. O Festival de Campos se apóia tanto nos recitais e concertos quanto nas master classes dos músicos e conjuntos convidados com bolsistas de todo o Brasil. As aulas acontecem no Preventório Santa Clara, um edifício grande e antigo, do início do século XX, construído originalmente para abrigar e cuidar de doentes com um quadro clínico que poderia evoluir para a tuberculose. Mas lá não há doentes há décadas. A única tosse que se ouve no Preventório é aquela que incomoda as execuções musicais.

O lugar respira música. Desde o estacionamente, já se ouve à distância os sons de violinos, pianos ou canto lírico. No gramado, um grupo de garotos bolsistas aproveita à hora do almoço para jogar bola. Ali e acolá, vê-se uma moça tocando violino à sombra das árvores ou um garoto repassando pela enésima vez a música que estuda faz meses para apresentar na master class.

Aprendiz de feiticeiro
Entrei no prédio e percorri um longo corredor repleto de salinhas à direita e à esquerda, com o nome do músico a quem está reservada. No fim do corredor ficava a capela. Abri a porta com cuidado. A master de Meneses já havia começado. Uma moça dos seus 20 anos estava enfrentando dificuldades para tocar o prelúdio da 1ª Suíte de Johann Sebastian Bach. Talvez estivesse nervosa, talvez fosse falta de técnica, muito provavelmente seriam as duas coisas, pois as Seis Suítes de Bach são dificílimas. Músicos jovens podem e devem estudá-las – agora conseguir tocá-las é outra história. Para interpretá-las, só mesmo alguém como Meneses, que gravou o ciclo completo em 2004 (confira aqui sua interpretação do prelúdio da 1ª Suíte).

Meneses estava sentado à frente da moça. No colo, amparava com carinho o seu cello, uma valiosa obra de arte construída há 300 anos pelo mestre napolitano Alessandro Gagliano (1700- c.1735). Quando a moça terminou a execução, Meneses fez algumas observações sobre a maneira como ela empunhava o arco, sobre a dificuldade técnica da suíte e sobre a importância de sempre imaginar como Bach quis que sua música fosse tocada – um exercício muito difícil, pois o mestre de Leipzig morreu em 1750. Estudar música é estudar seus compositores. São anos de estudo e pesquisa. Só quem passa por este calvário, tem chance de se tornar intérprete.

Enquanto Meneses falava, olhei à minha direita e vi no canto da capela um garoto moreno e gordinho. Tinha o violoncelo no colo, permanecia imóvel e parecia tímido. Quando chegou sua vez, sentou-se na cadeira diante de Meneses, que perguntou o que iria tocar? “O Allegro Appassionato, de Saint-Saëns,” respondeu Lucas (confira aqui a interpretação da inglesa Jacqueline du Pré). “Muito bem”, disse Meneses, acenando com a cabeça para Lucas iniciar a execução. E foi o que o garoto fez. Aquele adolescente ainda imberbe tocou e tocou e tocou. Todas as notas estavam no lugar. Aquilo não era tentar fazer música. Aquilo era música!

Meneses se levantou e começou a andar pausadamente de um lado a outro. Vez por outra olhava o teto da capela, apreciando o som, para em seguida voltar os olhos para Lucas e seu violoncelo. Num momento, apoiou-se ao piano de cauda que estava ao seu lado e pareceu deixar de analisar para começar a apreciar a música tangida pelo arco de Lucas. Este, muito sério, totalmente compenetrado, não parava de mergulhar e se aventurar pelo universo de Camille Saint-Saëns (1835-1921).

Quando acabou, o acorde da última frase ecoou ainda por alguns segundos pela capela. Depois, fez-se silêncio. Eu estava boquiaberto. Havia mais uma meia dúzia de músicos na capela, todos mudos. Finalmente, Meneses iniciou um aplauso. Todos o acompanhamos. Lucas estava suando, sem graça, e só conseguiu murmurar duas vezes um “obrigado” meio sem jeito.

“Você melhorou muito desde a última vez que nos vimos. Quanto tempo faz?”, perguntou Meneses. Fazia um ano e meio. “Quantos anos você tem?” Lucas disse que tinha 14. “É engraçado. Meu primeiro recital foi aos 13 anos. E toquei o Allegro Appassionato. Nunca mais toquei essa música”, revelou o homem de 53 anos.

“Lucas, a sua técnica está muito boa. Agora você precisa parar de ser violoncelista e começar a ser músico!” decretou Meneses – e passou a fazer observações sobre a interpretação correta da melodia e o sentimento que o compositor quis passar em cada uma das notas. A master class havia começado.

No meio da pelada
No dia seguinte, voltei ao Preventório umas 9 da manhã, antes de seguir para a entrevista com Maria João e Meneses. A pelada no gramado parecia à mesma. Só os garotos eram diferentes. Lá no meio vi Lucas. Eu tinha que conhecê-lo. “Lucas, Lucas, vem cá, por favor?”. O menino se virou pra mim, saiu do jogo e veio em minha direção. Estava todo suado. Ofegante. Aquilo era bom. O jovem violoncelista “aprendiz de feiticeiro” não era um enclausurado, que só vive para a música. “Lembra de mim, eu vi sua aula com o Meneses ontem. Puxa, muito bom, foi muito bom mesmo!” disse. Ele agradeceu. Fiz o questionário padrão de qualquer repórter e fiquei sabendo que Lucas Martins Barros era mineiro de Belo Horizonte, filho de uma violista da Orquestra Filarmônica de Minas Gerais, e havia começado a estudar violoncelo com 9 anos.

“O que você sentiu quando um músico como Meneses aplaudiu a sua apresentação?” Lucas me olhou incrédulo. “Aplaudiu? Ele aplaudiu, é mesmo?”. Respondi que não só ele como todos na sala. “Puxa! Não percebi. Estava tão nervoso...” A reação do garoto fazia sentido. Quando se entra no universo de um compositor para executar sua obra, finda a execução leva certo tempo para que os sons e acordes desapareçam, e a mente clareie. Mas isso só ocorre com os intérpretes.

Achei que, se Lucas não se lembrava do aplauso, talvez eu lhe fizesse um favor relembrando-o de muito mais. “E você se lembra o que foi que ele disse pra você?” Lucas fez que sim. “Ele disse que agora você tinha que parar de ser violoncelista para começar a ser músico,” repeti. O menino acenou com a cabeça. “Você sabe por que ele disse isso?”, insisti. Lucas, como eu desconfiava, disse não. “Para Meneses, você já é violoncelista.” Lucas se empertigou, abriu os olhos, soltou um suspiro de surpresa... “É mesmo...”, e foi abrindo um sorriso que, espero, recorde para sempre.

De volta ao saguão
“Hoje cedo conversei com aquele menino, o Lucas, que tocou ontem o Allegro Appassionato. Lembra dele?” perguntei a Meneses, enquanto aguardávamos Maria João chegar. “Sim, foi a segunda ou terceira vez que dei aula para ele.” Disse que Lucas não se lembrava de ter sido aplaudido por Meneses. Também contei ter explicado ao garoto o significado (um dos significados) do conselho que Meneses lhe tinha dado, bem como qual foi a sua reação. O violoncelista experiente me olhou e sorriu. “É, Lucas tem talento.”

No instante seguinte, uma senhorinha miúda e sorridente surgiu na porta do hotel. Maria João e Meneses se conheceram diante dos meus olhos. E fomos almoçar.

Passados quatro dias, ao escrever esta coluna continuo me perguntando o enorme desafio que um garoto talentoso como Lucas tem pela frente: deixar de ser violoncelista para se tornar músico, como Maria João Pires e Antônio Meneses.

Não sei se Lucas irá conseguir. Afinal, ser solista é uma glória reservada para muito poucos. Mas torço por ele.

Cerram-se as cortinas.


*Texto publicado originalmente em http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI153994-15230,00.html

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12/07/2010
Série Vivace com Antonio Meneses



A galeria de imagens de hoje foi feita no concerto do dia 1º de junho, no Palácio das Artes, quando a Orquestra executou belíssimas obras de Yoshimatsu, Schumann e Bruckner. Além da formação peculiar dos músicos na primeira peça, em que a Orquestra adota uma formação semelhante à de um pássaro, a apresentação contou, em seguida, com um estupendo solo de violoncelo de Antonio Meneses no Concerto para Violoncelo e Orquestra op. 129. Enquanto isso, o fotógrafo Eugênio Sávio fez uma variedade de fotos da apresentação e dos bastidores. Clique aqui, veja as fotos e sinta-se à vontade para comentar.

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06/07/2010
Dica Cinematográfica - “Nelson Freire - Um Filme Sobre um Homem e sua Música”



Enquanto a nossa equipe se prepara para o próximo concerto, que acontece nesta quinta-feira, com a participação do pianista Nelson Freire, nosso Assessor de Produção Musical, Francisco César, nos lembrou de uma excelente dica para você se preparar para a apresentação. Leiam a mensagem dele:

“O nosso convidado de julho, o pianista Nelson Freire, é um dos principais nomes da música clássica brasileira e está entre os principais pianistas do mundo. Foi lançado, em 2003, um documentário muito bonito sobre a história de vida de Nelson Freire, com direção de João Moreira Salles. Vale a pena assisti-lo, não só por se tratar do  nosso próximo convidado, mas porque mostra uma relação profunda com a música. O filme pode ser encontrado nas melhores locadoras.”

O Chico também achou uma boa sinopse do filme:

“Nelson Freire - Um Filme Sobre um Homem e sua Música”

Nelson Freire conta a história do menino-prodígio do interior de Minas que se tornou unanimidade internacional.

Filmado no Brasil, na França, na Bélgica e na Rússia, o documentário acompanha a rotina de Nelson em concertos e recitais, desde o primeiro contato com o piano até a recepção dos admiradores no camarim. Uma música extraordinariamente bela pontua o filme: Nelson toca Brahms, Schumann, Tchaikovsky, Chopin, Bach, Gluck, Villa-Lobos e interpreta Rachmaninoff, a quatro mãos, com Martha Argerich.”

Prontos para o concerto? Deixe seu comentário abaixo!

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30/06/2010
Concertos para a Juventude



Nilson Bellotto, jovem contrabaixista de 20 anos de idade, compõe o elenco da Filarmônica de Minas desde fevereiro de 2010. Em sua história breve, porém cheia de destaques, teve passagens pelas orquestras Sinfônica de Bragança Paulista, Orquestra Jovem de Atibaia e Orquestra Sinfônica Heliópolis, estudando, inclusive, na Academia de Música da Osesp.

Um breve currículo de Bellotto, no entanto, não resume a beleza proveniente do som de seu contrabaixo. É impressionante o talento do jovem músico, que foi aplaudido de pé por todos os presentes na apresentação da série Concertos para a Juventude, no dia 21 de maio, no Teatro Klauss Vianna.

Durante o concerto, o fotógrafo Rafael Motta registrou, com belas imagens, esse momento único. Veja aqui a galeria.

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29/06/2010
Concertos de Câmara - Grupo de Percussão



Em 2010 a Filarmônica de Minas incorporou à sua Temporada uma nova série. Trata-se dos Concertos de Câmara, execuções especiais em que os naipes da orquestra se apresentam separadamente, em um clima intimista entre a plateia e os músicos.

A programação dos Concertos de Câmara, que você confere aqui, teve sua estreia no dia 21 de maio na Sala Sergio Magnani, na Fundação de Educação Artística, quando o Grupo de Percussão da Filarmônica realizou um concerto profundo, intenso e emocionante. O fotógrafo André Fossati fez belíssimos registros, que estão disponíveis em nossa galeria. Clique aqui e veja as imagens.

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18/06/2010
Copa do Mundo

A Copa do Mundo é um evento que mobiliza uma parcela imensa da população mundial. O efeito visto durante o último jogo do Brasil, quando o país parou para assistir à primeira partida do time na maior competição esportiva do mundo, se repete em escala semelhante em vários cantos do globo. Inclusive na Inglaterra. A Orquestra Sinfônica da cidade de Birmingham, porém, soube contornar bem a disputa pelo público.

Durante a partida entre Inglaterra e Estados Unidos, válida pela primeira fase da competição internacional, a peça Lohengrin foi apresentada em horário que coincidia com o jogo. A diferença foi que o intervalo do concerto, que normalmente dura 10 ou 15 minutos, durou 90, o tempo exato para que todos assistissem à partida nas dependências do Symphony Hall. Resultado? Casa lotada.

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17/06/2010
3D in concert



Demorou muito pouco para que a nova tecnologia de filmes em 3D ultrapassasse a barreira do cinema. Nos próximos dias 18 e 24 de junho a Royal Opera House, tradicional casa de espetáculos inglesa, fará uma apresentação especial, com preços promocionais, em que o concerto será gravado com a tecnologia 3D. Os "felizardos" que assistirão a peça Carmen pagarão até quase 80% menos do que o preço normal da casa. O motivo? O equipamento utilizado na gravação, pelo que dizem os técnicos, atrapalha muito a visão do público. Será que vale a pena? Opinem!

(A imagem acima é uma adaptação de uma foto feita por Rafael Motta)

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