A dimensão do som

José Soares, regente
Rommel Fernandes, violino

|    Allegro

|    Vivace

BRUCKNER
VAUGHAN WILLIAMS
ALMEIDA PRADO
MESSIAEN
Abertura em sol menor
A ascensão da cotovia
Arcos sonoros da catedral Anton Bruckner – Meditação sinfônica
A Ascensão, Quatro meditações sinfônicas

José Soares, regente

Natural de São Paulo, José Soares é Regente Associado da Orquestra Filarmônica de Minas Gerais, tendo sido seu Regente Assistente desde as duas temporadas anteriores. Venceu o 19º Concurso Internacional de Regência de Tóquio (Tokyo International Music Competition for Conducting 2021), recebendo também o prêmio do público. Iniciou-se na música com sua mãe, Ana Yara Campos. Estudou com o maestro Claudio Cruz e teve aulas com Paavo Järvi, Neëme Järvi, Kristjan Järvi e Leonid Grin. Foi orientado por Marin Alsop, Arvo Volmer, Giancarlo Guerrero e Alexander Libreich no Festival Internacional de Inverno de Campos do Jordão. Pelo Prêmio de Regência recebido no festival, atuou como regente assistente da Osesp na temporada 2018. José Soares foi aluno do Laboratório de Regência da Filarmônica e convidado pelo maestro Fabio Mechetti a reger um dos Concertos para a Juventude da temporada 2019. Atualmente, cursa o bacharelado em Composição pela Universidade de São Paulo.

Rommel Fernandes é o Spalla em exercício da Filarmônica de Minas Gerais e mantém intensa atividade como recitalista e músico de câmara. Foi solista frente a diversas orquestras, incluindo a Filarmônica de Minas Gerais, a Osesp (como vencedor do concurso Jovens Solistas), Sinfônica de Campinas, Orquestra Unisinos, Orquestra Sesiminas Musicoop, Orquestra de Câmara da Unesp, Advent Chamber Orchestra e Northwestern University Chamber Orchestra. Doutor e Mestre em Música com honra pela Northwestern University (EUA) na classe de violino de Gerardo Ribeiro, Rommel frequentou também o Lucerne Festival Academy (Suíça) e o Tanglewood Music Center (EUA). Foi músico convidado das sinfônicas de Boston e Chicago, colaborou com o grupo Fifth House Ensemble, fez parte do corpo docente da North Park University e foi membro da Chicago Civic Orchestra. Natural de Maria da Fé (MG), Rommel iniciou seus estudos musicais no Conservatório Estadual de Pouso Alegre e obteve o Bacharelado em Violino pelo Instituto de Artes da Unesp em São Paulo, como aluno de Ayrton Pinto.

Programa de Concerto

Abertura em sol menor | BRUCKNER

A vida e obra de Bruckner são todas guiadas pela fé, inquebrantável, devota, que é a sua fonte maior. Na sua linguagem, a herança de Beethoven e Schubert mistura-se à de Wagner, sem, no entanto, fazê-la perder a originalidade. Fato é que, com isso, Bruckner acaba sendo adotado pela modernidade, que o alça a uma espécie de lugar paradigmático. O autor da Abertura em sol menor é, no entanto, relativamente diverso do compositor das extensas nove sinfonias. Sintético, quase clássico, é ainda a um jovem artista que se ouve (a despeito dos seus trinta e oito anos), anterior à Primeira Sinfonia, cuja herança beethoveniana é inquestionável. Em Linz, estudando com Otto Kitzler, Bruckner compõe, em 1862, suas quatro primeiras obras orquestrais. A obra seguinte, composta entre 1862 e 1863, ainda sob a orientação de Kitzler, foi a justamente a Abertura em sol menor. Publicada e estreada somente em 1921, em Kolsterneuburg, Áustria, sob a batuta de Franz Moissl, a obra sofreu algumas alterações a partir de sua concepção, sempre orientadas por Kitzler.

A I Guerra Mundial abriu um hiato no movimento nacionalista musical inglês, que tinha um grande interesse pelo folclore e pelo repertório pré-clássico. Reação ao domínio da linguagem musical alemã e italiana na Inglaterra do século XIX, o gosto por modelos nacionais esfriou, seja porque muitos dos jovens compositores ingleses perderam a vida no campo de batalha ou porque a cena musical nesse período manteve-se sob o controle do maestro Thomas Beecham, que tinha predileção pelas criações do continente. O interesse pela música nacional se reacendeu com o término da guerra e o retorno à Inglaterra, no começo de 1919, de Vaughan Williams, que servira na França. De volta à composição, Williams optou por retomar os projetos anteriores ao tempo no front, ao invés de buscar assimilar as experiências de seus últimos anos através da escrita de obras novas. É desse período A ascensão da cotovia. Três estrofes de um poema homônimo do poeta vitoriano George Meredith compõem a epígrafe da obra. Os momentos mais programáticos ficam por conta dos solos iniciais e finais do violino, que buscam representar musicalmente o canto e o voo do pássaro descritos nos versos de Meredith. A peça associa-se à tradição inglesa ao combinar natureza e misticismo e ao alinhar-se aos modelos concertantes barrocos ao invés dos românticos.

José Antônio de Almeida Prado é um dos compositores mais importantes, imaginativos e prolíficos da música brasileira. Sua obra transitou por estilos bastante variados, como o nacionalismo, o pós-tonalismo e o pós-modernismo, embora nenhuma dessas marcas seja suficiente para abarcar a sua criação. Na maturidade, realizou uma síntese de todas as influências recebidas e declarou-se adepto da liberdade para criar. Estudou piano com Dinorah de Carvalho e dedicou-se ao instrumento até o fim, como compositor e instrumentista, destacando-se como improvisador. Com Camargo Guarnieri estudou composição; com Osvaldo Lacerda, harmonia e contraponto; foi discípulo também de Gilberto Mendes. Durante quatro anos na Europa, estudou com Nadia Boulanger, Annete Dieudonée e Olivier Messiaen, referências centrais na sua formação. A espiritualidade é um tema presente na obra de Almeida Prado, que se dedicou a ele com sua natural amplitude de interesses e ideias. No centenário do austríaco Anton Bruckner, um católico fervoroso, Almeida Prado lhe dedicou a peça Arcos sonoros da catedral Anton Bruckner, por encomenda da Orquestra Sinfônica Municipal de Campinas. Escrita na fase mais madura do compositor, a peça remete a gestos sonoros do homenageado, explorando texturas e timbres variados por meio de técnicas também diversificadas. Arcos sonoros da catedral Anton Bruckner recebeu o prêmio da APCA (Associação Paulista de Críticos de Artes) como Melhor Obra Sinfônica de 1996.

Olivier Messiaen nasceu em uma família intelectual, o que determinou a sua formação ampla e profunda. A religiosidade sempre o acompanhou e, aos 22 anos, tornou-se organista da igreja da Santíssima Trindade, em Paris, onde permaneceu por toda a vida. Graduou-se no Conservatório de Paris e, paralelamente, estudou o cantochão, a rítmica indiana, a música em quartos de tom, o canto dos passarinhos, as Sagradas Escrituras, a poesia surrealista. Nutria-se também do folclore, de Bach, da música russa, de Debussy, de Bartók, dos ruídos da natureza. Tudo isso ele levou para a sua música, junto à fé católica e à busca constante do rigor científico em seu suporte teórico. Mais tarde, tornou-se professor do mesmo conservatório, contribuindo para a formação de muitos compositores, entre eles o brasileiro Almeida Prado. Sua obra “A Ascensão, Quatro meditações sinfônicas” foi escrita nos seus primeiros tempos como organista da igreja. Ela foi pensada como acompanhamento dos ritos da Páscoa, especificamente os últimos passos, quando Jesus ascendeu aos céus. Criada originalmente para orquestra, posteriormente foi transcrita para órgão solo.

baixar programa