A orquestra barroca

Fabio Mechetti, regente
Alexandre Barros, oboé

|    Fora de Série 2021

VIVALDI
HAENDEL
A. MARCELLO
BACH
Sinfonia nº 3 em Sol maior, RV 149
Música Aquática: Suíte nº 1 em Fá maior, HWV 348
Concerto para oboé em ré menor
Suíte nº 3 em Ré maior, BWV 1068

Fabio Mechetti, regente

Natural de São Paulo, Fabio Mechetti é Diretor Artístico e Regente Titular da Filarmônica de Minas Gerais desde 2008, ano de sua criação. Em 2014, ao ser convidado para ocupar o cargo de Regente Principal da Filarmônica da Malásia, tornou-se o primeiro brasileiro a dirigir uma orquestra asiática. Foi Residente da Sinfônica de San Diego, Titular das sinfônicas de Syracuse, Spokane e Jacksonville, sendo agora Regente Emérito das duas últimas. Foi Regente Associado de Mstislav Rostropovich na Sinfônica Nacional de Washington. Além de uma sólida carreira nos Estados Unidos e no Brasil, já conduziu em países como México, Peru, Venezuela, Nova Zelândia, Espanha, Japão, Escócia, Finlândia, Canadá, Suécia e Itália. Mechetti é vencedor do Concurso Internacional de Regência Nicolai Malko. Possui títulos de mestrado em Composição e em Regência pela Juilliard School.

Alexandre iniciou seus estudos com o pai, Joaquim Inácio Barros, e foi aluno de Afrânio Lacerda, Gustavo Napoli, Carlos Ernest Dias e Arcádio Minczuk. Com o Quinteto de Sopros da UFMG venceu o V Concurso de Música da Câmara da universidade. Com o Trio Jovem de Palhetas foi menção honrosa nos concursos Jovens Solistas da Faculdade Santa Marcelina e da Osesp. Recebeu ainda o Prêmio Eleazar de Carvalho. Foi solista das sinfônicas de Minas Gerais, da UFMG, da Ufop, Orquestra Sesiminas, Filarmônica Nova, Sinfônica de Ribeirão Preto e Osesp. Integrou a Osesp e foi Primeiro Oboé da Sinfônica de Ribeirão Preto. Alexandre é Oboé Principal na Filarmônica desde 2008.

Programa de Concerto

Sinfonia nº 3 em Sol maior, RV 149 | VIVALDI

Em 21 de março de 1740, a escola veneziana Ospedale della Pietà organizou um luxuoso concerto em homenagem ao príncipe Frederico Cristiano, filho do Eleitor da Saxônia e Rei da Polônia. Quatro obras instrumentais de Antonio Vivaldi foram apresentadas na ocasião. Vivaldi dirigiu a execução de três concertos, RV 540, 552 e 558, e uma sinfonia, a RV 149. Cópias de todas as partituras foram encadernadas com uma dedicatória e entregues ao príncipe como um presente. Apropriada a uma ocasião festiva, a Sinfonia nº 3 em Sol maior, RV 149 é chamada de “o coro das musas” por ter sido apresentada antes de uma cantata de mesmo título do compositor napolitano Gennaro D’Alessandro, maestro di capella de Pietá.

Três suítes compõem o conjunto denominado Música Aquática, respectivamente nas tonalidades de Fá maior, Ré maior e Sol maior. Sua história é frequentemente associada à reconciliação entre Haendel e seu antigo patrão, o príncipe de Hanover. A lenda conta que em 1712, o compositor viajou a Londres com autorização do patrão para permanecer por um curto período. No entanto, Haendel prolongou a viagem por muito mais tempo do que a licença permitia; quando, em 1714, o então príncipe foi coroado Rei George, o compositor não se atreveu a pôr os pés na corte novamente. A reconciliação teria se dado após a composição da Música Aquática. Haendel escreveu o conjunto para acompanhar uma excursão fluvial que o rei faria sobre o Tâmisa na quarta-feira, 17 de julho de 1717. Em uma barcaça que seguiu a festa, Haendel reuniu um grupo de músicos para tocar as três suítes. Encantado com a música, o rei teria perguntado quem a tinha escrito, o que permitiu que o monarca o perdoasse. Mais extensa, mais alegre e popular das três, a Suíte nº 1 é para dois oboés, fagote, duas trompas, cordas e contínuo.

Filho de um senador veneziano, Alessandro Marcello publicou poesia e envolveu-se com todas as artes. Sua música foi publicada sob um pseudônimo usado por ele na Academia Arcadiana de Veneza, o que dificultou que pessoas de fora da Academia reconhecessem seus trabalhos. Sua obra mais famosa, o admirável Concerto para oboé em ré menor foi impressa em 1717 em Amsterdã sob esse pseudônimo, parte de uma coletânea de diferentes compositores. Antes de ser restituída a seu verdadeiro autor, a obra foi erroneamente atribuída a Vivaldi e ao irmão de Alessandro, Benedetto Marcello. O trabalho impressionou Bach, que o converteu em um solo para o cravo (BWV 984).

Chamadas pelo compositor de aberturas, as quatro suítes de Bach remontam aos dois períodos em que esteve à frente do Collegium Musicum (de 1729 a 1737 e, depois, a partir de 1739). Pela ausência de um documento contendo todas as quatro obras, é pouco provável que Bach as tenha considerado um grupo. Criada para três trompetes, tímpanos, dois oboés, cordas e contínuo, a Suíte nº 3 em Ré maior, BWV 1068 faz parte das composições criadas para o conjunto de músicos semiprofissionais do Collegium Musicum (conhecidos por “Bachisches”). Sua popularidade se deve a uma versão do segundo movimento, arranjada pelo violinista alemão August Wilhelmj. Apenas para cordas e contínuo, a Ária é um dos movimentos mais conhecidos em toda a obra de Bach e sugere, a todo o momento, o poder visionário do mestre da música. Em seguida, o retorno ao universo da dança – característica marcante deste conjunto de suítes – é recebido com Gavotte, Bourée e a Gigue.