Acordes hispânicos e latinos

Marcelo Lehninger, regente convidado
Ronaldo Rolim, piano

|    Presto 2021

G. FRANK
FALLA
BEETHOVEN
Três danças latino-americanas
Noites nos jardins de Espanha
Sinfonia nº 6 em Fá maior, op. 68, "Pastoral"

Marcelo Lehninger, regente convidado

Atual Diretor Artístico e Regente Titular da Orquestra Sinfônica de Grand Rapids, nos Estados Unidos, o brasileiro Marcelo Lehninger também foi Diretor Artístico e Regente Titular da Sinfônica de New West e Regente Associado da Sinfônica de Boston. Ele tem conduzido diversos grupos da América do Norte, como as sinfônicas de Chicago, Houston, Baltimore, Seattle, Toronto, Detroit e a Filarmônica de Rochester. Na Europa, atuou na Suíça e na Eslovênia, além de ter auxiliado o então Diretor Artístico da Orquestra do Concertgebouw, Mariss Jansons, na turnê de 2015. Antes de se formar no Conductors Institute da Bard College em Nova York, Lehninger estudou violino e piano. Durante o ano de 2010, foi Regente Assistente da Filarmônica de Minas Gerais.

Ronaldo Rolim vem se estabelecendo como um dos principais nomes da nova geração de pianistas brasileiros. Como solista convidado, apresentou-se frente a diversas orquestras brasileiras e internacionais, como as sinfônicas da Capela de São Petersburgo, de Phoenix e a Brasileira, a Tonhalle, a Musikkollegium Winterthur e as filarmônicas de Liverpool, Lviv e Minas Gerais. Um ávido camerista, Rolim é membro fundador do Trio Appassionata, ao lado da violinista Lydia Chernicoff e da violoncelista Andrea Casarrubios. Aos 18 anos, após vencer os concursos Nelson Freire e Magda Tagliaferro, mudou-se para os EUA, onde concluiu seus estudos. Em 2016, Rolim defendeu sua tese de doutorado na Universidade de Yale, baseada nas obras programáticas do compositor polonês Karol Szymanowski escritas durante a I Guerra Mundial.

Programa de Concerto

Três danças latino-americanas | G. FRANK

Não é que elas não existam. Ouvir sobre compositoras na era clássica é algo raro. Ainda hoje, no cenário contemporâneo, os homens seguem sendo a maioria. No entanto, pelas mãos e partituras de algumas artistas como Gabriela Lena Frank, a tendência é de alguma mudança. A compositora norte-americana nasceu em Berkeley, Califórnia, porém, suas raízes nos levam aos judeus da Lituânia, por parte de pai, e ao Peru, terra de sua mãe, que tem ascendência chinesa. O casal se conheceu nos anos de 1960 durante visita do pai ao país andino, com o Corpo da Paz. Embora tipicamente compostas a partir das formas estruturais da música clássica ocidental, suas criações derivam de sua origem multicultural. Por isso, é comum notar em seus trabalhos sons de instrumentos latino-americanos, bem como ritmos, lendas e temas nativos. Gabriela escreve suas próprias notas de programa – e estas são parte integrante de suas obras. O segundo movimento de Três danças latino-americanas representa, segundo a própria autora, o coração da obra. Harawi nas alturas evoca “um adagio melancólico tradicionalmente cantado por uma única quena, flauta de bambu, que acompanha um único dançarino. Como uma música de montanhas, a peça cria um ambiente de mistério, vastidão e eco”.

Andaluz por parte de pai e catalão pelo lado materno, Manuel de Falla desde criança familiarizou-se com a música folclórica espanhola na sua forma mais genuinamente popular, cotidiana. Em 1907, mudou-se para Paris, onde fez amizade com seus compatriotas Picasso e Albéniz, além de Ravel e Debussy (que admirava especialmente). Nesse ambiente efervescente, começou a composição de Noites nos jardins de Espanha, mas as crescentes exigências que impôs a si próprio dificultaram o término da obra, que só foi concluída em 1915, em Barcelona. A peça se define em três impressões sinfônicas para piano e orquestra. A primeira faz referência a Generalife, castelo medieval dos reis mouros em Granada, cujos jardins, em terraços, dão para a fortaleza da Alhambra e suas fontes. A segunda apresenta uma constante figura rítmica de dança cigana e sugere os rumores das águas da Alhambra. E a terceira remete aos jardins da Serra de Córdoba, com destaque para as sonoridades cintilantes do triângulo e dos pratos. Noites nos jardins de Espanha se destaca também quanto à técnica pianística, cuja escrita é bastante inovadora, inspirada nos recursos da guitarra espanhola, e se desenvolve fluentemente, como que entregue a uma improvisação incessante.

Em 1808 Beethoven oferece ao público vienense um concerto extraordinário, em que, além de várias outras estreias importantes, apresenta suas Quinta e Sexta sinfonias. O público se mostra mais uma vez apático, certamente por não reconhecer o gênero de prazer a que estava habituado. Essa reação do público demonstra claramente a adoção de uma nova postura estética em Beethoven, que o desvincula do continuísmo clássico e cria laços estreitos com a ideologia romântica, especialmente no que concerne ao direito quase revolucionário de uma expressão individual: a expressão de um gênio criador, consciente de sua missão diante de um status quo que precisa ser modificado. Experiência única em Beethoven, o conceito dessa sinfonia funda-se no movimento de se tentar utilizar a música dita pura para expressar realidades e conteúdos extramusicais.

18 nov 2021
quinta-feira, 20h30

Sala Minas Gerais
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