Itinerários Sonoros – Alemanha e Áustria

José Soares, regente
Adolfo Cabrerizo, fagote

|    Concertos para a Juventude

BACH
MOZART
BEETHOVEN
BRAHMS
WAGNER
STRAUSS JR.
Concerto de Brandemburgo nº 3 em Sol maior, BWV 1048: 1º movimento
Concerto para fagote nº 1 em Si bemol maior, K. 191: Allegro
Egmont: Abertura
Danças Húngaras números 5, 6 e 10
A Valquíria: Cavalgada das Valquírias
O Danúbio Azul, op. 314

José Soares, regente

Natural de São Paulo, José Soares é Regente Associado da Orquestra Filarmônica de Minas Gerais, tendo sido seu Regente Assistente desde as duas temporadas anteriores. Venceu o 19º Concurso Internacional de Regência de Tóquio, edição 2021 (Tokyo International Music Competition for Conducting). José Soares recebeu também o prêmio do público na mesma competição. Iniciou-se na música com sua mãe, Ana Yara Campos. Estudou Regência Orquestral com o maestro Cláudio Cruz, em um programa regular de masterclasses em parceria com a Orquestra Sinfônica Jovem do Estado de São Paulo. Participou como bolsista nas edições de 2016 e 2017 do Festival Internacional de Inverno de Campos do Jordão, sendo orientado por Marin Alsop, Arvo Volmer, Giancarlo Guerrero e Alexander Libreich. Recebeu, nesta última, o Prêmio de Regência, tendo sido convidado a atuar como regente assistente da Osesp em parte da temporada 2018, participando de um Concerto Matinal a convite de Marin Alsop. Foi aluno do Laboratório de Regência da Orquestra Filarmônica de Minas Gerais, sendo convidado pelo maestro Fabio Mechetti a reger um dos Concertos para a Juventude da temporada 2019. Em julho desse mesmo ano, teve aulas com Paavo Järvi, Neëme Järvi, Kristjan Järvi e Leonid Grin, como parte do programa de Regência do Festival de Música de Parnü, Estônia. Atualmente, cursa o bacharelado em Composição pela Universidade de São Paulo.

Adolfo Cabrerizo iniciou os seus estudos musicais em Granada (Espanha), sua cidade natal, como aluno de Joaquín Osca. Em 2007, tornou-se o aluno mais jovem de sopros da Escola Superior de Música Reina Sofia, ocupando a Cadeira de Fagote de Klaus Thunemann. Também no mesmo ano, foi admitido no Instituto Internacional de Música de Câmara em Madri, onde foi aluno de Hansjörg Schellenberger e Radovan Vlatkovi, sendo convidado por quatro anos consecutivos para o Festival de Santander. Como integrante da Orquestra Jovem da Escola Reina Sofia, apresentou-se em inúmeras ocasiões sob a batuta de maestros de renome, como Zubin Mehta. Em 2010, foi solista em um álbum com a Camerata do Instituto Internacional de Música de Câmara de Madri, sob a batuta de Hansjörg Schellenberger. Orientado por Dag Jensen, obteve o mestrado em Performance Musical pela Universidade de Música e Artes Cênicas de Munique e pela Academia Norueguesa de Música, orientado por Dag Jensen. Já atuou com as orquestras da Ópera e Balé Nacional da Noruega e as filarmônicas do Estado da Noruega e de Nuremberg (Alemanha). Suas participações incluem as orquestras de Câmara de Bremen (Alemanha) e da Suécia, a Filarmônica da Malásia, a Sinfônica de Madri e a Orquestra de Rádio da Suécia. Em 2020, iniciou um segundo mestrado com o professor Sergio Azzolini na Basileia (Suíça).

Programa de Concerto

Concerto de Brandemburgo nº 3 em Sol maior, BWV 1048: 1º movimento | BACH

Algumas das obras mais populares de Johann Sebastian Bach, cada um dos seis Concertos de Brandemburgo apresenta características diferentes entre si e aplica uma distinta combinação de instrumentos para transformar-se no epítome do concerto barroco. As influências encontradas fazem destas obras perfeitos exemplos de um estilo híbrido, que mescla os parâmetros de alto virtuosismo e a estrutura musical estabelecida na Itália por Vivaldi, a preferência alemã por um rigor temático e um certo sabor francês, proveniente da música instrumental francesa nas cortes alemãs. Escrito para orquestra de cordas, o Concerto de Brandemburgo nº 3 em Sol maior estabelece um diálogo constante entre as três partes de violino, os três violoncelos e as três violas (acompanhados de um continuo formado por harpa e baixo). Não há aqui o diálogo tradicional entre solos e o tutti orquestral. Parte da excitação com o Terceiro Concerto de Brandemburgo se deve à maneira como as cordas soam essencialmente homogêneas, ainda que seções emerjam momentaneamente da textura geral. O resultado final, um sutil fluxo entre os instrumentos, é visível na performance, em que o movimento da música em grupo é praticamente coreográfico.

Mozart manteve, como regra geral, a tradicional estrutura tripartida em seus concertos. Entretanto, a partir dos dezessete anos, que é quando compõe seus primeiros concertos realmente originais, ele criará, dentro dessa estrutura, uma solução formal particular a cada concerto, distinguindo-o de todas as outras obras de seu tipo. Entre essas primeiras peças notáveis, está o Concerto para fagote, composto em Salzburgo em 1774. Trata-se da primeira obra concertante de Mozart para instrumento de sopro, e o virtuosismo do solista valoriza os recursos contemporâneos do fagote – muito desenvolvidos ao longo do século XVIII, embora sem atingir ainda a forma do instrumento atual.

A peça Egmont, de J. W. Goethe, tem como tema central a liberação política no século XVI, quando o conde Egmont lidera o povo flamengo em sua revolta contra a tirania espanhola sobre a região de Flandres. Terminou de ser escrita em 1787, quando Beethoven contava então com dezesseis anos. Foi durante esse seu período de adolescência que o jovem gênio teve contato com o trabalho de Goethe e outros autores alemães associados ao movimento literário Sturm und Drang, que valorizava os sentimentos e a originalidade em oposição ao formalismo cultuado anteriormente. A leitura de Goethe e Schiller, principalmente, canalizou aspirações artísticas de Beethoven para os ideais inflamados de liberação pessoal e revolução social. A força comunicativa dessas peças provocava intensa reação do público, e elas certamente tornaram-se modelos estéticos fundamentais para o jovem compositor, que visava ampliar o conteúdo emocional de suas obras. A música de Egmont, porém, só seria escrita anos mais tarde, para uma reapresentação vienense da peça, em maio de 1810. Compõe-se de nove números, incluindo duas canções para a heroína Clärchen. Raramente é executada integralmente; a Abertura, em compensação, tornou-se célebre e permanece obrigatória no repertório das grandes orquestras.

Originalmente escritas para piano a quatro mãos, as Danças Húngaras estão entre as obras mais conhecidas de Johannes Brahms. Seu interesse pela música cigana cresceu durante uma turnê com o violinista húngaro Eduard Reményi, em 1853. Brahms era conhecido entre os amigos por seu senso de humor, e é bem possível que as Danças sejam o melhor exemplo deste lado divertido da personalidade do compositor. São 21 ao todo, publicadas em dois grupos, entre 1868 e 1880. Delas, Brahms também lançou as dez primeiras em versão para piano solo e orquestrou apenas três, 1, 3 e 10. As restantes foram orquestradas por outros músicos, já depois da morte de Brahms.

Guerra do Vietnã, 1969. Quando o esquadrão de helicópteros do Tenente-Coronel Bill Kilgore sobrevoa o rio Nùng e ataca a vila de Vin Drin Dop, um posto importante para os vietcongues, é A cavalgada das Valquírias que escutamos. Apocalypse Now, o clássico de 1979 de Francis Ford Coppola, tem nessa obra de Wagner o que o editor Walter Murch chamou de “o coração musical” do filme. É de fato impossível pensar a sequência sem a força implacável e intensidade da música. A cavalgada das Valquírias talvez seja o trecho instrumental das óperas de Wagner mais explorado pela cultura pop em tempos recentes. Essa peça abre o terceiro ato de A Valquíria, segunda ópera da tetralogia O Anel do Nibelungo, constituída ainda por: O Ouro do Reno, Siegfried e O Crepúsculo dos Deuses. Composto entre 1848 e 1874, a saga épica d’O Anel é um marco na linguagem wagneriana e, consequentemente, toda a História da Música. Aí Wagner abraça definitivamente as propostas do que chama de “trabalho artístico do futuro”, no qual música, poesia e artes visuais deveriam se fundir numa única manifestação. Assim, Wagner toma por base para o enredo da história elementos da mitologia nórdica e germânica, cujo centro narrativo trata da luta pela posse de um anel mágico, forjado pelo anão Alberich, feito de ouro do Rio Reno. Em A Valquíria o drama gira em torno do desentendimento da valquíria Brünhilde com o pai Wotan, chefe dos deuses, quando ela hesita em obedecer a uma ordem do pai. Na mitologia wagneriana, as valquírias eram encarregadas de levar, em seus cavalos alados, as almas dos guerreiros mortos para o Walhalla.

São poucos os casos na história da música em que composições se transformam em pura paisagem sonora. É difícil precisar se as margens do rio Danúbio, em Viena, são a própria música, ou se a música de Johann Strauss Jr. acabou por se impregnar nas margens do rio e nas ruas vienenses. Se Strauss Jr. é o pai da valsa (ele criou mais de 170), tem-se em O Danúbio Azul sua máxima expressão e o essencial de sua arte. A versão coral da obra foi introduzida inicialmente em Paris em 1867, sem entusiasmo. A versão orquestrada deu a volta ao mundo graças ao desenvolvimento do tema central ao longo de toda a peça, com especial destaque para os compassos de introdução e a coda final.

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6 mar 2022
domingo, 11h00

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Transmissão

Os ingressos para este concerto estão esgotados, mas você pode assistir à transmissão ao vivo pelo nosso canal no YouTube.

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