Beethoven e Mozart como inspiração

José Soares, regente
Fabio Martino, piano

|    Fora de Série

R. MIRANDA
LISZT
CHOPIN
BRAHMS
Variações Temporais (Beethoven Revisitado)
Fantasia sobre temas de "As ruínas de Atenas" de Beethoven
Variações sobre "Là ci darem la mano", op. 2
Variações sobre um tema de Haydn, op. 56a

José Soares, regente

Natural de São Paulo, José Soares é Regente Associado da Orquestra Filarmônica de Minas Gerais, tendo sido seu Regente Assistente desde as duas temporadas anteriores. Venceu o 19º Concurso Internacional de Regência de Tóquio (Tokyo International Music Competition for Conducting 2021), recebendo também o prêmio do público. Iniciou-se na música com sua mãe, Ana Yara Campos. Estudou com o maestro Claudio Cruz e teve aulas com Paavo Järvi, Neëme Järvi, Kristjan Järvi e Leonid Grin. Foi orientado por Marin Alsop, Arvo Volmer, Giancarlo Guerrero e Alexander Libreich no Festival Internacional de Inverno de Campos do Jordão. Pelo Prêmio de Regência recebido no festival, atuou como regente assistente da Osesp na temporada 2018. José Soares foi aluno do Laboratório de Regência da Filarmônica e convidado pelo maestro Fabio Mechetti a reger um dos Concertos para a Juventude da temporada 2019. Atualmente, cursa o bacharelado em Composição pela Universidade de São Paulo.

Aos cinco anos, Fabio Martino começou a tocar piano no instrumento de sua avó, uma professora em São Paulo. Dezessete anos mais tarde – após uma rigorosa formação nas principais universidades do Brasil e Alemanha –, obteve o primeiro lugar no maior concurso internacional de piano da América Latina, o BNDES, uma das mais de vinte competições internacionais que venceu. Em 2019, lançou dois álbuns: o primeiro deles com a Filarmônica de Stuttgart sob regência de Dan Ettinger; e seu terceiro disco solo, Latin Soul, que foi aclamado por publicações como Piano News, Klassik-Heute, Limelight e International Piano Magazin. Como solista, interpreta concertos de Prokofiev, Rachmaninov, Beethoven, Mozart, Gershwin, Schumann e Bartók acompanhado por orquestras como Osesp, Petrobras Sinfônica, Filarmônica de Minas Gerais, Badische Staatskapelle, as filarmônicas de Stuttgart e de Câmara Tcheca, as sinfônicas da Rádio da Baviera, de Berlim, de Shenzhen e de Schleswig-Holstein. Em 2020, durante a primeira quarentena da pandemia de covid-19, criou o projeto Fabio Martino @ HOME e com ele organizou e transmitiu, diretamente de casa, apresentações semanais com canto, flauta, clarinete, fagote, cordas, em duo ou trio. Críticos já comparam Fabio Martino com Nelson Freire, Martha Argerich, Claudio Arrau e Sviatoslav Richter e o relacionam inclusive a Vladimir Horowitz.

Programa de Concerto

Variações Temporais (Beethoven Revisitado) | R. MIRANDA

Nascido em 1948, no Rio de Janeiro, Ronaldo Miranda começou sua carreira como crítico de música e intensificou seu trabalho como compositor a partir de 1977, quando obteve o 1º Prêmio no Concurso de Composição para a II Bienal de Música Brasileira Contemporânea da Sala Cecília Meireles, na categoria de música de câmara. Recebeu vários prêmios em concursos brasileiros de composição, bem como o Troféu Golfinho de Ouro (1981), o Prêmio APCA (1982, 2006 e 2013) e o Troféu Carlos Gomes (2001). Suas Variações Temporais foram escritas em 2014, a partir de um pedido comissionado pela Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (Osesp). A proposta inicial era trabalhar o tempo na música de Beethoven – tanto em sua dimensão rítmica como na observação dos fenômenos climáticos – à luz da célebre Sinfonia Pastoral. Mas Miranda optou por ir além das referências sinfônicas e pastoris, abarcando também linguagens camerísticas e o conceito de tempo nas estações do ano e nas fases do dia. A partir de um tema inicial simples, o compositor carioca explora o universo beethoveniano à sua maneira, passando pela primavera, a aurora e a tempestade, inspirado pelas sonatas do mestre de Bonn.

Nesta fantasia baseada em As ruínas de Atenas, Franz Liszt transforma de maneira criativa e imponente o conjunto de música incidental escrito por Beethoven em 1811 para a peça de mesmo nome do dramaturgo alemão August von Kotzebue. Criada para a inauguração do novo Teatro Imperial Húngaro de Pest (hoje Budapeste), sob encomenda de Francisco I da Áustria, a obra de Beethoven é dominada pelo propósito patriótico e contribui para a exaltação do imperador. O que Liszt faz, contudo, é transcender a intenção inicial dos temas, superando-se em um intenso arranjo para piano e orquestra. Trata-se de um feito fascinante, mas não inesperado, tendo em vista que, em suas composições, Liszt desenvolveu novos métodos, tanto imaginativos como técnicos, que marcaram de maneira decisiva os seus contemporâneos de vanguarda e anteciparam algumas ideias e procedimentos do século XX.

Frédéric Chopin escreveu Variações sobre "Là ci darem la mano" aos dezessete anos, como tarefa de suas aulas no Conservatório de Varsóvia, Polônia. O tema para seu opus 2 foi retirado de um dueto de mesmo nome da ópera Don Giovanni, de Mozart. Obra de juventude, representa a primeira ocasião em que Chopin escreveu um trabalho com acompanhamento orquestral. Sua genialidade se mostra conforme a maestria do piano é revelada ao longo da peça, mas a orquestra faz um pouco mais do que simplesmente acompanhar o solista. Ciente da importância de Variações sobre "Là ci darem la mano" como uma declaração de amadurecimento que introduziria seu talento além das fronteiras da Polônia, Chopin revisou a obra extensivamente. Atento aos detalhes da peça, diversos esboços e alterações foram feitas até que o trabalho fosse um cartão de visitas à altura do compositor. Sucesso imediato, a estreia ocorreu em Viena, em 11 de agosto de 1829. Dois anos depois, após a publicação das Variações, Schumann declarou: "Tirem os chapéus, senhores! Um gênio!"

Muitos dizem que Johannes Brahms foi o último romântico, embora seus contemporâneos constantemente o vissem como um tradicionalista, influenciado mais pela música do passado, do que preocupado com os desafios da linguagem do presente e do futuro. Sobre Haydn, Brahms escreveu um dia: "Aquele sim foi um par! Quão miserável estamos por comparação". Nada mais natural então que dedicasse uma composição ao mestre classicista. As Variações são um bom exemplo do estilo inicial de Brahms, que começou a estudar seriamente a obra de Haydn por influência de Karl Ferdinand Pohl, arquivista e estudioso da Filarmônica de Viena. Assim, descobriu uma melodia para sopros conhecida como Coral de Santo Antônio, que se tornou a base para as Variações (curiosamente, mais tarde se descobriu que o tema foi provavelmente escrito por um dos pupilos de Haydn). O próprio Brahms listou a obra como uma de suas favoritas.

18 mar 2023
sábado, 18h00

Sala Minas Gerais
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