Conheça a Temporada 2022

José Soares, regente

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MOZART
DVORÁK
BRAHMS
A flauta mágica, K. 620: Abertura
Sinfonia nº 9 em mi menor, op. 95, "Do Novo Mundo": 4º movimento (excerto)
Sinfonia nº 1 em dó menor, op. 68: 4º movimento (excerto)

José Soares, regente

Natural de São Paulo, José Soares é Regente Assistente da Orquestra Filarmônica de Minas Gerais desde 2020. Venceu o 19º Concurso Internacional de Regência de Tóquio, edição 2021 (Tokyo International Music Competition for Conducting). José Soares recebeu também o prêmio do público na mesma competição. Iniciou-se na música com sua mãe, Ana Yara Campos. Estudou Regência Orquestral com o maestro Cláudio Cruz, em um programa regular de masterclasses em parceria com a Orquestra Sinfônica Jovem do Estado de São Paulo. Participou como bolsista nas edições de 2016 e 2017 do Festival Internacional de Inverno de Campos do Jordão, sendo orientado por Marin Alsop, Arvo Volmer, Giancarlo Guerrero e Alexander Libreich. Recebeu, nesta última, o Prêmio de Regência, tendo sido convidado a atuar como regente assistente da Osesp em parte da temporada 2018, participando de um Concerto Matinal a convite de Marin Alsop. Foi aluno do Laboratório de Regência da Orquestra Filarmônica de Minas Gerais, sendo convidado pelo maestro Fabio Mechetti a reger um dos Concertos para a Juventude da temporada 2019. Em julho desse mesmo ano, teve aulas com Paavo Järvi, Neëme Järvi, Kristjan Järvi e Leonid Grin, como parte do programa de Regência do Festival de Música de Parnü, Estônia. Atualmente, cursa o bacharelado em Composição pela Universidade de São Paulo.

Programa de Concerto

A flauta mágica, K. 620: Abertura | MOZART

Em novembro de 1790, Mozart concordou em colaborar com o amigo Emanuel Schikaneder para a produção de um singspiel, forma dramático-musical tipicamente germânica e que combina, em obras de caráter popular, o diálogo falado e o canto. Nascia assim A flauta mágica, para muitos, a obra máxima do gênero. Schikaneder ficou responsável pelo libreto, cujo enredo, ambientado no Egito exótico, combina elementos de conto de fadas, farsa popular, comédia crítica e alusões finamente disfarçadas à maçonaria. Para essa ópera em que impera a diversidade, Mozart criou obras-primas variadas — números bufos, árias de ópera séria italiana, motivos populares vienenses, corais luteranos — que, miraculosamente, formam um todo preciosamente coeso e lógico. A Abertura constrói-se sobre dois temas principais, que apresentam contrastes de dinâmica, riqueza dos timbres orquestrais e jogos contrapontísticos repletos de erudição e espontaneidade. A flauta mágica estreou em Viena, dois meses antes da morte precoce de Mozart, aos 35 anos.

Em 1891, já célebre, Dvorák assume o posto de professor de Composição no Conservatório de Praga. No ano seguinte, muda-se para os Estados Unidos para ser o diretor do então Conservatório de Nova York, onde permanece até 1895. São desse período obras significativas de seu legado, como a Sinfonia “Do Novo Mundo”. Dentre seus alunos em Nova York, havia um rapaz negro que lhe deu a conhecer os spiritual americanos, com a metáfora das imagens bíblicas, a tragédia e o sofrimento da escravidão na América e dos africanos desterrados. O interesse despertado em Dvorák por esse gênero musical é o fundamento do célebre tema do segundo movimento da Nona Sinfonia, cujo solo de corne inglês constitui evocação da melodia pungente que muitas vezes caracteriza os negro spiritual. Ele realiza também, com o elemento musical folclórico norte-americano, um processo de assimilação análogo ao que se observa em relação ao folclore boêmio no contexto de sua obra. Esse processo, aqui, é consciente, e manifesto pelo próprio compositor, que afirmou não ter utilizado temas da música nativa norte-americana, mas, sim, ter-se utilizado dos fundamentos essenciais dessa música para elaborar seus próprios elementos originais. Não se pode dizer, com isso, que Dvorák tenha abandonado suas fontes boêmias em função da descoberta de uma nova linguagem. Ao contrário, esses novos elementos agregam-se, na Nona Sinfonia, àqueles que até então lhe haviam servido de fonte, para, aí, criar uma espécie de linguagem multicultural.

Brahms tinha já 43 anos quando apresentou ao público sua primeira sinfonia — fato surpreendente para um compositor que, desde criança, se dedicara exclusivamente à música e acumulara várias obras de peso. Quando, em 1862, Brahms fixou-se definitivamente em Viena, o público já o aclamava como o “herdeiro de Beethoven”. Importantes músicos contemporâneos, como o crítico Eduard Hanslick, zelosos com a tradição musical alemã, o elegeram como a figura emblemática do movimento de reação à “música do futuro”, preconizada pelos poemas sinfônicos de Liszt e pelo drama musical wagneriano. É provável que o receio de uma comparação direta com o legado beethoveniano determinasse a demora da estreia da primeira sinfonia de Brahms. A partitura passou por um longo processo de elaboração que se arrastou por mais de 20 anos, de 1854 a 1876. Logo após a estreia da Primeira, o maestro von Bülow a denominou a Décima, aludindo à continuidade que ela representaria em relação às nove sinfonias de Beethoven. Entretanto, a Primeira é uma obra absolutamente pessoal, dosando com inteligência a variedade de recursos e os elementos de contraste, como o uso de tonalidades e compassos diferentes para cada andamento. Brahms limitou-se à orquestra usada por Beethoven na Nona Sinfonia e conseguiu cores e planos sonoros absolutamente originais que contribuem para realçar os aspectos inovadores de sua sinfonia — as sutilezas rítmicas, mudanças de acentuação, ruptura da regularidade dos compassos e a genial habilidade em variar os temas com fragmentações e inversões.