De Mozart a Offenbach

Fabio Mechetti, regente
Marcus Julius Lander, clarinete

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MOZART
MOZART
NIELSEN
OFFENBACH
A flauta mágica, K. 620: Abertura
Sinfonia nº 38 em Ré maior K. 504, "Praga"
Concerto para clarinete, op. 57
Orfeu no Inferno: Abertura

Fabio Mechetti, regente

Fabio Mechetti é Diretor Artístico e Regente Titular da Filarmônica de Minas Gerais desde a sua fundação, em 2008, sendo responsável pela implementação de um dos projetos mais bem-sucedidos no cenário musical brasileiro. Construiu uma sólida carreira nos Estados Unidos, onde esteve quatorze anos à frente da Sinfônica de Jacksonville, foi regente titular das sinfônicas de Syracuse e de Spokane e conduz regularmente inúmeras orquestras. Foi regente associado de Mstislav Rostropovich na Orquestra Sinfônica Nacional de Washington e com ela realizou concertos no Kennedy Center e no Capitólio norte-americano. Conduziu as principais orquestras brasileiras e também em países da Europa, Ásia, Oceania e das Américas. Em 2014, tornou-se o primeiro brasileiro a ser Diretor Musical de uma orquestra asiática, com a Filarmônica da Malásia. Mechetti venceu o Concurso de Regência Nicolai Malko e é Mestre em Composição e em Regência pela Juilliard School.

Marcus Julius Lander é Bacharel em Clarinete pela Unesp, na turma de Sérgio Burgani. Também foi aluno de Luis Afonso “Montanha” na USP e de Jonathan Cohler no Conservatório de Boston. Atuou como spalla na Banda Sinfônica Jovem do Estado de São Paulo e chefe de naipe nas orquestras Jovem de Guarulhos, do Instituto Baccarelli e da Sinfônica Jovem do Estado de São Paulo. Integrou ainda a Orquestra Acadêmica da Cidade de São Paulo e o Quarteto Paulista de Clarinetas. Nos últimos anos, Marcus Julius foi artista residente em festivais e congressos na China, Peru e Tailândia. Também atuou como jurado e professor em competições de clarinete nacionais e internacionais. Desde 2009, é Clarinete Principal na Filarmônica.

Programa de Concerto

A flauta mágica, K. 620: Abertura | MOZART

Em novembro de 1790, Mozart concordou em colaborar com o amigo Emanuel Schikaneder para a produção de um singspiel, forma dramático-musical tipicamente germânica e que combina, em obras de caráter popular, o diálogo falado e o canto. Nascia assim A flauta mágica, para muitos, a obra máxima do gênero. Schikaneder ficou responsável pelo libreto, cujo enredo, ambientado no Egito exótico, combina elementos de conto de fadas, farsa popular, comédia crítica e alusões finamente disfarçadas à maçonaria. Para essa ópera em que impera a diversidade, Mozart criou obras-primas variadas — números bufos, árias de ópera séria italiana, motivos populares vienenses, corais luteranos — que, miraculosamente, formam um todo preciosamente coeso e lógico. A Abertura constrói-se sobre dois temas principais, que apresentam contrastes de dinâmica, riqueza dos timbres orquestrais e jogos contrapontísticos repletos de erudição e espontaneidade. A flauta mágica estreou em Viena, dois meses antes da morte precoce de Mozart, aos 35 anos.

No fim de 1786, Mozart concluiu duas peças magistrais – o Concerto para piano nº 25 e a Sinfonia nº 38 –, obras em que a densidade do pensamento musical e o pleno domínio dos recursos composicionais sinalizam o derradeiro período criativo do compositor. Ambas destinavam-se ao público de Praga e apresentam a particularidade de não usar clarinetes (instrumento muito querido de Mozart, mas com os quais, ao que parece, ele não contaria na orquestra de Praga). O consagrado rótulo de Sinfonia de Praga se presta, portanto, muito bem à obra, homenageando a cidade tão amada pelo compositor e onde sua música era acolhida com entusiasmo. O sucesso triunfal de As bodas de Fígaro no teatro local contrastara com a fria recepção da estreia vienense. Confiante no caloroso público tcheco, Mozart não precisou fazer concessões: a composição da nova Sinfonia marca um nítido salto qualitativo em sua criação sinfônica. E, mais uma vez, Praga mostrou apreciar as inovações, encomendando-lhe uma nova ópera. E, de fato, há vários episódios no Don Giovanni que lembram trechos da Sinfonia de Praga.

O mais importante compositor dinamarquês de seu tempo, Carl Nielsen deixou um legado de seis sinfonias, duas óperas, três concertos e outros trabalhos orquestrais. Seus concertos para flauta e clarinete são os únicos que acompanham um desejo de Nielsen de escrever para cada um dos instrumentistas para quem compôs o Quinteto de sopros de 1922. O compositor conhecia bem a personalidade de cada musicista e trouxe para o Concerto para clarinete a contradição de ser gentil e histérico. Segundo Aage Oxenvad, clarinetista do Quinteto de Sopros de Copenhagen, Nielsen deve ter sido capaz de tocar ele mesmo o clarinete. Caso contrário, não teria conseguido encontrar todas as notas mais difíceis de se tocar. Chamado de “música de outro planeta”, o Concerto foi criado em um movimento, porém dividido em três partes. Sua primeira apresentação ocorreu em 14 de setembro de 1928.

Conta a lenda que Orfeu foi o melhor músico que já pisou na terra. Com o poder da música, domou animais selvagens, fez com que as árvores o seguissem e despertou para a vida seres inanimados. Ele tocou tão divinamente a lira que todos pararam para ouvi-lo. Quando sua amadíssima esposa, Eurídice, morreu, foi buscá-la no Hades, e a força de sua lágrima suavizou até o severo deus dos mortos... Mas, a versão de Jacques Offenbach para Orfeu no Inferno é de outra ordem. Escrita como ópera burlesca, transformou-se em uma sátira na qual Orfeu e Eurídice não levam uma típica vida de casal – estão cansados um do outro e, por isso, já nenhum deles é fiel aos votos do matrimônio. Enquanto Orfeu se encanta com as suas belas alunas, Eurídice jura amor a Aristeu. Depois de descoberta a traição e em prol da sua imagem, Orfeu prepara a morte do amante da mulher e esta corre para lhe contar os planos do marido... Aristeu (na verdade, Plutão disfarçado) atrai Eurídice e toma o mesmo veneno que ela, em nome do amor. Ela morre e é conduzida por Aristeu/Plutão para o inferno. Orfeu fica feliz com a morte da mulher, mas, para seu infortúnio, a opinião pública exige que vá salvá-la.

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