Entre sopros e cordas – filho

José Soares, regente
Cássia Lima, flauta
Fábio Zanon, violão

NEPOMUCENO
SAINT-SAËNS
SAINT-SAËNS
CASTELNUOVO-TEDESCO
Suíte Antiga, op. 11
Romance, op. 37
Odelette, op. 162
Concerto para violão nº 1 em Ré maior, op. 99

José Soares, regente

Natural de São Paulo, José Soares é Regente Assistente da Orquestra Filarmônica de Minas Gerais desde 2020. Iniciou-se na música com sua mãe, Ana Yara Campos. Estudou Regência Orquestral com o maestro Cláudio Cruz, em um programa regular de masterclasses em parceria com a Orquestra Sinfônica Jovem do Estado de São Paulo. Participou como bolsista nas edições de 2016 e 2017 do Festival Internacional de Inverno de Campos do Jordão, sendo orientado por Marin Alsop, Arvo Volmer, Giancarlo Guerrero e Alexander Libreich. Recebeu, nesta última, o Prêmio de Regência, tendo sido convidado a atuar como regente assistente da Osesp em parte da temporada 2018, participando de um Concerto Matinal a convite de Marin Alsop. Foi aluno do Laboratório de Regência da Orquestra Filarmônica de Minas Gerais, sendo convidado pelo maestro Fabio Mechetti a reger um dos Concertos para a Juventude da temporada 2019. Em julho desse mesmo ano, teve aulas com Paavo Järvi, Neëme Järvi, Kristjan Järvi e Leonid Grin, como parte do programa de Regência do Festival de Música de Parnü, Estônia. Atualmente, cursa o bacharelado em Composição pela Universidade de São Paulo.

Cássia é Bacharel em Flauta pela Unesp e concluiu seu mestrado e Artist Diploma na Mannes College of Music, Nova York. Foi aluna de João Dias Carrasqueira, Grace Busch, Jean-Nöel Saghaard, Marcos Kiehl e Keith Underwood. Participou dos principais festivais de música do país e venceu concursos importantes, como o II Concurso Nacional Jovens Flautistas, o Jovens Solistas da Orquestra Experimental de Repertório, a Mannes Concerto Competition e o Gregory Award. Tem ampla atuação com música de câmara, integrando atualmente o Quinteto de Sopros da Filarmônica e diversos outros grupos em Belo Horizonte. Bolsista do Tanglewood Music Center, atuou como camerista e Primeira Flauta sob regência de James Levine, Kurt Masur, Seiji Ozawa e Rafael Frühbeck de Burgos. Na Minnesota Orchestra foi regida por Charles Dutoit. Foi Primeira Flauta e solista da Osesp, integrando-se à Filarmônica em 2009 como Flauta Principal.

Uma das figuras centrais no cenário internacional de violão clássico, como solista ou camerista, Fábio Zanon tem se apresentado por toda a Europa, Américas, Austrália e Oriente Médio. É também convidado regular de teatros como o Royal Festival Hall, Wigmore Hall, Carnegie Hall, Sala Verdi (Milão), Sala da Filarmônica de Varsóvia, Musikhalle de Hamburgo, Ateneu de Madri, KKR em Lucerna e todos as mais importantes casas do Brasil. Venceu por unanimidade o 30° Concurso Francisco Tarrega, na Espanha, e o 14° Concurso da Fundação Americana de Violão (GFA), nos Estados Unidos. A essas vitórias seguiu-se uma turnê de 56 concertos nos EUA e Canadá e o lançamento de seus primeiros álbuns. Sua gravação da obra completa de Villa-Lobos, pelo selo Music Masters, é considerada uma referência, e o álbum Guitar Recital (Naxos) foi escolhido pela revista Gramophone como o melhor de 1998. Desde 2008, Zanon é professor visitante da Royal Academy of Music de Londres. Em 2013 assumiu a coordenação artística e pedagógica do Festival Internacional de Inverno de Campos do Jordão.

Programa de Concerto

Suíte Antiga, op. 11 | NEPOMUCENO

Em 1890, o cearense Alberto Nepomuceno ficou em terceiro lugar no concurso para a escolha do Hino à Proclamação da República. O prêmio em dinheiro possibilitou que o compositor finalmente realizasse o desejo de fixar-se em Berlim para estudar na Escola Superior de Música (entre 1890 e 1892) e no Conservatório Stern (entre 1892 e 1894). Para as provas finais do conservatório, em maio de 1894, Nepomuceno regeu a Orquestra Filarmônica de Berlim, executando duas obras de sua autoria: Scherzo e Suíte Antiga. Chave na formação da linguagem de Nepomuceno, a Suíte Antiga revela influências de Brahms e da Suíte Holberg, de Edvard Grieg. Divisor de águas na carreira do compositor, o concerto incitou sua ambição de uma carreira internacional de compositor e regente. Um dos compositores mais influentes da geração entre Carlos Gomes e Villa-Lobos, Nepomuceno ajudou a criar no Brasil algumas das primeiras orquestras dedicadas ao repertório sinfônico.

Em 1871, Camille Saint-Saëns fundou a Societé Nationale de Musique, com o objetivo de promover a composição francesa. Desde o ano anterior, a França se via envolvida na Guerra Franco-Prussiana e, no intuito de restaurar o patriotismo e a esperança do país, a organização foi criada. Escrita originalmente para piano e flauta, Romance, op. 37 foi criada no ano de fundação da Sociedade e estreada no ano seguinte na Salle Pleyel, em Paris. Ao piano, Saint-Saëns foi acompanhado pelo flautista Paul Taffanel. A simplicidade da melodia principal sugere a esperança de Saint-Saëns para dias melhores após o fim da guerra. Em 1878, o compositor finalizou a versão para violino e orquestra.

Em seus anos finais, Camille Saint-Saëns voltou a se entusiasmar pelos instrumentos de sopro. O interesse se refletiu na composição de três sonatas dedicadas à família das madeiras (oboé, clarinete e fagote). Sabe-se que, em seus últimos dias em Argel, ele estava refletindo a respeito de uma quarta sonata, sobre o corne inglês. Escrita para flauta, a composição de Odelette data de 1920. Uma transcrição para o piano também foi produzida por Saint-Saëns.

Ao lado de Heitor Villa-Lobos, Manuel Ponce, Joaquín Rodrigo e Leo Brouwer, o italiano Mario Castelnuovo-Tedesco pertence ao grupo dos mais importantes compositores para violão do século XX. Dotado de escrita límpida e, ao mesmo tempo, demonstrando apaixonado lirismo, seu Primeiro Concerto para violão é seu maior trabalho neoclássico, ponto alto do diálogo entre solista e orquestra. Composto em 1939, e adotando um estilo mozartiano, foi dedicado ao violonista espanhol Andrés Segovia, com quem o compositor colaborava desde 1932. Sucesso imediato, Segovia considerou o opus 99 de Castelnuovo-Tedesco o principal trabalho responsável por convencer a crítica de que era viável equilibrar violão e orquestra.

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