Klatzow, Hindemith, Villa-Lobos e Rossini em Câmara

Cássia Lima, flauta
Rafael Alberto, marimba
Rodrigo de Oliveira, violino
João Carlos Ferreira, viola
Robson Fonseca, violoncelo
Philip Hansen, violoncelo
Neto Bellotto, contrabaixo
Laura von Atzingen, violino
Arthur Vieira Terto, violino
Nathan Medina, viola
William Neres, violoncelo

|    Filarmônica em Câmara

KLATZOW
HINDEMITH
ROSSINI
VILLA-LOBOS
Figuras numa paisagem, para flauta e marimba
Trio de cordas nº 2
Dueto para violoncelo e contrabaixo em Ré maior
Quarteto de cordas nº 1

Cássia Lima, flauta

Cássia é Bacharel em Flauta pela Unesp e concluiu seu mestrado e Artist Diploma na Mannes College of Music, Nova York. Foi aluna de João Dias Carrasqueira, Grace Busch, Jean-Nöel Saghaard, Marcos Kiehl e Keith Underwood. Participou dos principais festivais de música do país e venceu concursos importantes, como o II Concurso Nacional Jovens Flautistas, o Jovens Solistas da Orquestra Experimental de Repertório, a Mannes Concerto Competition e o Gregory Award. Tem ampla atuação com música de câmara, integrando atualmente o Quinteto de Sopros da Filarmônica e diversos outros grupos em Belo Horizonte. Bolsista do Tanglewood Music Center, atuou como camerista e Primeira Flauta sob regência de James Levine, Kurt Masur, Seiji Ozawa e Rafael Frühbeck de Burgos. Na Minnesota Orchestra foi regida por Charles Dutoit. Foi Primeira Flauta e solista da Osesp, integrando-se à Filarmônica em 2009 como Flauta Principal. Gravou o CD Memória da Música Brasileira com o pianista Miguel Rosselini. Desde 2019, participa do Festival Artes Vertentes, em Tiradentes (MG).

Rafael Alberto é Percussionista Principal da Filarmônica de Minas Gerais desde 2011. Natural de Santos (SP), iniciou seus estudos formais em música no Conservatório de Tatuí, sob orientação de Javier Calvino e Luis Marcos Caldana. Seguiu na Universidade Estadual Paulista (Unesp), graduando-se sob orientação de John Boudler, Carlos Stasi e Eduardo Gianesella. Em 2011, concluiu seu mestrado em música pela Stony Brook University, em Nova York, como aluno de Eduardo Leandro. Participou dos festivais Música nas Montanhas (sétima edição), em Poços de Caldas, de Música de Santa Catarina, de Inverno de Campos do Jordão (em quatro edições) e foi aluno da 33ª Cloyd Duff Timpani Masterclass, na Universidade da Georgia (EUA). Juntamente com Leonardo Gorosito, é membro-fundador do Desvio, grupo dedicado a compor e interpretar novas peças para percussão. O duo tem dois discos, sendo o segundo, Ritmos Brasileiros, lançado pelo selo Naxos. Suas peças têm sido executadas por músicos de países como Inglaterra, França, Bélgica, Japão, Singapura, Dinamarca e Estados Unidos. Como solista junto à Filarmônica, Rafael executou o Concerto para vibrafone, de Ney Rosauro, em 2012 e o Concerto para vibrafone, de Villani-Côrtes, em 2017.

Natural de Taubaté, SP, Rodrigo de Oliveira ingressou na Orquestra Filarmônica de Minas Gerais com apenas 19 anos, em 2010. Atuou como solista e spalla na Camerata Zajdenbaum, Orquestra Sinfônica Jovem de Taubaté, Orquestra Ouro Preto, Sinfônica de Atibaia e Sinfônica de São José dos Campos. Participou de masterclasses com Augustin Hadelich, Rachel Barton Pine, Vadim Gluzman, Charles Stegeman, Clara Takarabe, Roberto Díaz, Misha Keylin, I-Hao Lee, Blair Milton, Alexander Kagan e Shlomo Mintz, por quem é orientado no momento. Iniciou estudos em violino na Escola Municipal de Artes Maestro Fêgo Camargo, onde concluiu o curso técnico de Violino, na classe do professor Jefferson Denis. Deu sequência à sua formação com a professora Elisa Fukuda, em São Paulo, e graduou-se em Música na Universidade Metropolitana de Santos, em 2018. Rodrigo é um dos protagonistas do documentário Prova de Artista, dirigido por José Joffily. Venceu o Concurso Jovens Solistas da Orquestra Sinfônica de Minas Gerais, em 2016, e o Concurso Nacional de Jovens Solistas da Sinfônica de Goiânia, em 2017. Nas plataformas digitais, tem realizado, por meio de gravações, performances destacadas pelo nível técnico e artístico, fomentando a fruição da música de concerto. Rodrigo tem interpretado obras assinadas por diversos compositores para violino solo, diferentes formações em música de câmara e violino solo com orquestra.

João Carlos nasceu em Juiz de Fora e iniciou sua atuação como violista na Filarmônica em 2009, onde ocupa a posição de Viola Principal. Foi também músico da Orquestra Sinfônica Brasileira e membro do Quarteto Radamés Gnattali, com o qual recebeu o Prêmio Rumos Itaú Cultural 2007-2009. Participou de masterclasses com Marie Christine Springuel, Luis Otávio Santos, Menahem Pressler e Roberto Díaz, entre outros notáveis professores. Entusiasta da música de câmara, dirige o Trio Villani-Côrtes, composto também por Jovana Trifunovic e Eduardo Swerts. O grupo foi contemplado pelo Natura Musical e lançou em 2016 o álbum Três Tons Brasileiros. Como solista, João Carlos apresentou-se junto à Petrobras Sinfônica e às orquestras sinfônicas do Espírito Santo, da UFMG, UFRJ e com a própria Filarmônica. Outras atuações de destaque foram ao lado de Antonio Meneses, Roman Simovic, Márcio Carneiro, Quarteto Bessler e Sigiswald Kuijken.

Mineiro de São João del-Rei, Robson já se apresentou nas principais salas de concerto do país, como recitalista e camerista. Em 2009, formou-se pela USP, instituição pela qual obteve o I Prêmio Olivier Toni. No ano seguinte, teve aulas com Matias de Oliveira Pinto na Alemanha, e, em 2011, concluiu seus estudos na Universidade de Münster e ingressou na Filarmônica. Durante seis anos, foi chefe de naipe dos violoncelos da Sinfônica de Ribeirão Preto e professor na Escola de Música de Sertãozinho. Robson também foi bolsista do Festival de Campos do Jordão e participou de vários outros festivais nacionais, além de ter se apresentado no Teatro Cólon (Buenos Aires) e em Montevidéu. Foi integrante do Quarteto Mineiro de Cordas, com o qual venceu o Concurso de Música de Câmara da UFMG. Robson é membro da Filarmônica desde 2011 e seu Violoncelo Principal Assistente. É também Primeiro Violoncelo na Orquestra Ouro Preto e professor na Academia Ouro Preto.

Violoncelo Principal da Filarmônica desde 2015, Philip é conhecido por transitar entre diversos gêneros musicais e por sua participação em projetos educacionais e comunitários. Foi embaixador do Departamento de Estado de Cultura dos Estados Unidos na Rússia e artista residente nos conservatórios centrais de Pequim e Shangai, além de membro por longa data da Académie Internationale Musicale em Provença, na França. É fundador e Diretor Artístico do Festival de Música de Câmara Quadra Island, no Canadá. Possui um álbum solo dedicado ao tango, Bragatissimo, que vem sendo tocado em rádios importantes como a NPR dos Estados Unidos e a CBC. Philip também compôs a música tema de Charlie the Cello, um livro infantil e também produção teatral de Deborah Nicholson, em que toca junto à Filarmônica de Calgary (Canadá). Sua gravação das Suítes de Bach para o violoncelo barroco está disponível nas plataformas de streaming e em CD.

Um dos principais nomes da nova geração de contrabaixistas brasileiros, Neto Bellotto desenvolve um importante papel na literatura do instrumento por meio de seu trabalho como instrumentista, arranjador e compositor. Neto é instrumentista da Orquestra Filarmônica de Minas Gerais desde 2010 e, a partir de 2016, seu Principal Contrabaixo. Como solista, executou, com a Filarmônica, Carmen Fantasy, de Frank Proto; Concerto nº 2 e Grand Duo Concertante, de Giovanni Bottesini, esta última com o violinista Rommel Fernandes. Com outras orquestras brasileiras foi solista em Elegia e Tarantella, de Bottesini, e nos concertos para contrabaixo de Deagonetti e Koussevitzky.   É fundador, diretor artístico, arranjador e membro do inusitado Quintetto di Contrabbassi – DoContra (Contro corrente). O refinadíssimo quinteto de virtuoses do instrumento apresenta uma novíssima releitura de obras do repertório clássico e popular brasileiro, de Villa-Lobos, Tom Jobim, Edu Lobo, Chico Buarque, Roberto Menescal, entre outros. O grupo lançou recentemente seu primeiro álbum, Paraíso, dedicado ao cantor e compositor brasileiro Flavio Venturini, sendo a canção de abertura, Suíte Venturini, uma composição de Bellotto dedicada ao amigo. Neto se apresenta com grandes nomes brasileiros, como Milton Nascimento, Ivan Lins, Edu Lobo, Alceu Valença, Tavinho Moura e Leila Pinheiro. Como arranjador, é parceiro do grupo Skank. Em seus estudos, foi orientado por Pedro Gadelha, Ana Valéria Poles, Sérgio de Oliveira e Fábio Calvazara Júnior. Foi aluno da Academia de Música da Osesp e Primeiro Contrabaixo das sinfônicas de Heliópolis e de Bragança Paulista e da Orquestra Jovem de Atibaia.

Laura von Atzingen começou a estudar violino aos três anos com a professora Luciene Vilani. Concluiu seu bacharelado em Violino na UFMG na classe do professor Edson Queiroz. Durante sua graduação, foi segundo lugar do Concurso Nacional de Cordas Paulo Bosísio (2011) e venceu os concursos para jovens solistas da Orquestra Sinfônica de Minas Gerais (2012) e da Orquestra da Escola de Música da UFMG (2012). Em 2018, no Festival de Juiz de Fora, apresentou Desafio III de Marlos Nobre com a Orquestra de Câmara Sesiminas. Laura participou de festivais, como o de Campos do Jordão, em 2007 e 2008, e o Festival junger Künstler Bayreuth (2010) na Alemanha, onde trabalhou com regentes como Kurt Masur, Osvaldo Ferreira, Alex Klein e Patrick Lange. Em 2017, Laura concluiu seu mestrado em Performance pela Duquesne University (Pittsburgh, EUA), na classe do professor Charles Stegeman. Para a realização do curso, teve bolsa completa da Universidade e foi spalla da orquestra da instituição, bem como integrante do seu quarteto de cordas. Ainda nos EUA, foi violinista substituta nas sinfônicas de Westmoreland e Wheeling. De 2012 a 2019, Laura integrou o naipe de Primeiros Violinos da Orquestra de Câmara Sesiminas. É instrumentista da Filarmônica desde 2019.

Arthur nasceu em Belo Horizonte, onde iniciou seus estudos no Centro de Musicalização Infantil da UFMG. Graduou-se pela mesma universidade em 2005 e participou de diversas masterclasses no Brasil e nos Estados Unidos. Integrou o Jung Quartet de 1998 a 1999 e o Quarteto Vivace de 2002 a 2005. Venceu o concurso Jovens Solistas da UFMG e recebeu o segundo lugar no Concurso Nacional de Cordas Paulo Bosísio em 2003 e 2005. Atuou como solista frente às orquestras Sinfônica da Escola de Música da UFMG e do Sesiminas. Já se apresentou com a Sinfônica de Minas Gerais como músico convidado e fez parte da Orquestra Experimental da UFOP. Arthur também foi professor da Orquestra Sinfônica Jovem do Palácio das Artes. É membro da Filarmônica desde 2008 e integra o Quarteto Musik desde 2016.

Nathan Medina começou a estudar música aos sete anos em Portland (EUA), sua cidade natal. Teve aulas de violino com Kathy Walden e Robert Hertzel. Aos dezoito anos, ganhou bolsa para aperfeiçoar-se com Kelly Farris na Eastern Washington University e tocar na Spokane Symphony, sob direção de Fabio Mechetti. Nos verões de 1994 e 1995, começou seus estudos em viola e continuou se dedicando ao violino na Meadowmount School of Music com Alan Bodman. Graduou-se em Violino pela Eastern Washington University e é Mestre pela Universidade de Washington, sob orientação de Steven Staryk e Robert Davidovici. Nathan foi Viola Principal na Yakima Symphony de 1998 a 2000. Nesse mesmo período, foi chefe dos Segundos Violinos da Federal Way Symphony e da Spokane Symphony. Em 2001, iniciou doutorado pela Universidade de Washington, recebendo bolsa Brechemin para estudar viola com Helen Callus e violino com Ronald Patterson. Aperfeiçoou-se na Le Domaine Forget Académie de Music, no Canadá, de 2003 a 2004.

William Neres é graduado em Música pela Universidade Federal de São João del-Rei, com período de mobilidade acadêmica na Universidade Federal de Uberlândia, nas classes dos professores Abel Moraes e Kayami Satomi, respectivamente. Especializou-se em Violoncelo e Música de Câmara na École Normale de Musique de Paris, sob orientação de Roland Pidoux e Chantal De Buchy. Foi premiado nos concursos Paulo Bosísio, Eleazar de Carvalho e Música XXI. Junto ao violonista Adriano D. Melo, participou das séries Segunda Musical (BH), Jovem Músico BDMG (BH) e Semana do Violão (Juiz de Fora). Com o UDI Cello Ensemble, realizou turnês pelo Brasil e França. Apresentou-se também com as orquestras sinfônicas de Poços de Caldas e Pouso Alegre e com a Jazz Sinfônica de São José do Rio Pardo.

Programa de Concerto

Figuras numa paisagem, para flauta e marimba | KLATZOW

Nascido em Springs, África do Sul, Peter Klatzow é um dos poucos compositores sul-africanos a obter reconhecimento internacional. Embora já tivesse escrito obras para a marimba, sua experiência transformadora ocorreu ao ouvir a marimba do Fires of London, importante grupo de câmara britânico ativo entre 1965 e 1987. O contato com Robert van Sice, percussionista que chegou ao país na década de 1980 para assumir o posto de timpanista principal da Sinfônica da Cidade do Cabo, intensificou sua composição para a marimba. O primeiro trabalho feito especificamente para Sice foi Figuras numa paisagem, desafiante e exigente composição em forma livre — um ensaio sobre a evocação visual em que a marimba cria a paisagem e a flauta cria as figuras.

Criado nove anos depois do primeiro, o Trio de cordas nº 2 estabelecia um contraponto ou substituição ao Primeiro Trio. Compositor ao mesmo tempo ousado e elogiado, Hindemith estava, no período, se voltando para novas formas de polifonia. A obra foi estreada na Antuérpia (Bélgica) e traz, em seu primeiro movimento, técnicas virtuosísticas e uma organização complexa do som. De notável exuberância e lirismo, o segundo movimento é capaz de apresentar um marcante tema das cordas de diversas maneiras. O terceiro movimento alterna introversão e velocidade — contraste aplicado diversas vezes até o clímax final.

Embora ofuscado pelo seu trabalho para a ópera, o repertório de música de câmara de Gioachino Rossini tem notáveis contribuições. Mais de duzentas composições foram feitas em seus últimos anos de vida. Chamados coletivamente de Sins of My Old Age (Pecados da minha velhice, tradução nossa), fazem parte deste grupo seis quartetos de cordas, obras para flauta e harpa e também para trompa e piano. Comissionado por Sir David Salomons, um violoncelista amador, o Dueto foi apresentado por ele ao lado do contrabaixista Dominico Dragonetti. Qualidades operísticas aparecem neste interessante trabalho: o primeiro Allegro traz o espírito de uma abertura; o segundo movimento, Andante, é ornamentado e lírico; o terceiro, também Allegro, é um desafio virtuosístico aos dois instrumentos.

Um impressionante conjunto de 2000 trabalhos compõem o catálogo de Villa-Lobos. Além de doze sinfonias, mais de meia dúzia de óperas e uma variedade espantosa de formas, gêneros e modos de expressão, nosso maior compositor produziu, no mundo da música de câmara, partituras que abordam vários instrumentos da orquestra. Só no contexto dos quartetos de cordas, são, ao todo, dezessete trabalhos escritos em um período de quarenta e dois anos. Concluído em 1915, o primeiro Quarteto de cordas alterna seis movimentos rápidos e lentos. No Allegro final, intitulado Saltando como um Saci, Villa-Lobos, caprichosamente, tenta reimaginar os saltos da personagem do folclore brasileiro. O Quarteto de cordas nº 1 teve sua estreia em 3 de fevereiro de 1915, em Nova Friburgo (Rio de Janeiro).

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19 abr 2022
terça-feira, 20h30

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