Inspirações na obra de Rossini

Fabio Mechetti, regente

|    Fora de Série

ROSSINI
BRITTEN
RESPIGHI
BRITTEN
Sonata nº 5 em Mi bemol maior
Matinées musicales, op. 24
La boutique fantasque: Suíte
Soirée Musicales, op. 9

Fabio Mechetti, regente

Fabio Mechetti é Diretor Artístico e Regente Titular da Filarmônica de Minas Gerais desde a sua fundação, em 2008, sendo responsável pela implementação de um dos projetos mais bem-sucedidos no cenário musical brasileiro. Construiu uma sólida carreira nos Estados Unidos, onde esteve quatorze anos à frente da Sinfônica de Jacksonville, foi regente titular das sinfônicas de Syracuse e de Spokane e conduz regularmente inúmeras orquestras. Foi regente associado de Mstislav Rostropovich na Orquestra Sinfônica Nacional de Washington e com ela realizou concertos no Kennedy Center e no Capitólio norte-americano. Conduziu as principais orquestras brasileiras e também em países da Europa, Ásia, Oceania e das Américas. Em 2014, tornou-se o primeiro brasileiro a ser Diretor Musical de uma orquestra asiática, com a Filarmônica da Malásia. Mechetti venceu o Concurso de Regência Nicolai Malko e é Mestre em Composição e em Regência pela Juilliard School.

Programa de Concerto

Sonata nº 5 em Mi bemol maior | ROSSINI

As seis sonatas para cordas de Rossini foram todas escritas em 1804, quando o músico tinha apenas 12 anos. Um comerciante chamado Agostino Triossi convidou o jovem prodígio para sua casa de campo em Conventello, na região norte da Itália, e pediu que as escrevesse para que pudesse tocá-las no seu instrumento de preferência, o contrabaixo. Segundo o próprio Rossini, todas elas foram finalizadas em um espaço de apenas três dias. Mais tarde na vida, o compositor desdenhou de seus esforços de infância, acusando seu desconhecimento de harmonia na época, mas uma escuta atenta revela que as sonatas já apontavam para o brilho que tornaria as suas óperas tão populares nas décadas seguintes. A Sonata em Mi bemol maior é aberta com um tema principal executado pelos violinos e acompanhado pelo contrabaixo, para depois introduzir um tema secundário a cargo do violoncelo. O segundo movimento é mais lento e dramático, enquanto o terceiro é alegre e contagiante, encerrando a obra com um contentamento tipicamente rossiniano.

As Matinées Musicales de Britten são uma espécie de continuação de outra obra sua escrita cinco anos antes, as Soirées Musicales. Em 1939, às vésperas da entrada do Reino Unido na Segunda Guerra Mundial, Britten decide se mudar para os Estados Unidos com o tenor Peter Pears, seu companheiro no amor e em muitas parcerias artísticas. Já integrado aos circuitos culturais da nova casa, o compositor foi convidado, em 1941, pelo diretor da Companhia Americana de Balé, Lincoln Kirstein, a escrever uma nova suíte inspirada em temas de Rossini, à moda das Soirées Musicales, para o novo espetáculo do coreógrafo George Balanchine. As Matinées seguem a mesma estrutura da irmã mais velha: os três movimentos centrais são baseados em peças das Soirées Musicales originais de Rossini, compostas entre 1830 e 1835; o primeiro movimento é inspirado no "Pas de six" do 1º ato de Guilherme Tell; e o quinto e último movimento bebe da coleção de estudos vocais Gorgheggi e Solfeggi, de 1827. A suíte de Britten foi estreada na turnê sul-americana da Companhia Americana de Balé, em 1941, no Theatro Municipal do Rio de Janeiro. 

Respighi sempre se interessou por revisitar os antigos mestres da música italiana, e, no final dos anos 1910, estava particularmente engajado no estudo de obras para piano solo que Rossini escreveu no fim da vida. Com esse material em mãos, procurou o diretor dos Balés Russos, Sergei Diaghilev, que, por sua vez, já estava desenvolvendo com o coreógrafo Léonide Massine um espetáculo sobre a história de amor de dois bonecos de brinquedo que ganham vida. Coincidentemente, Respighi também vivia, naquele momento, um romance com sua aluna Elsa, com quem se casaria em janeiro de 1919. Talvez essa tenha sido a fonte de inspiração para o brilhante trabalho que o compositor realizou a partir das peças de Rossini, já detentoras de alto grau de excelência por si só. O encontro dos talentos de ambos fez com que a música criada para o balé capturasse perfeitamente a magia fantasiosa de uma loja de bonecos encantados. La boutique fantasque estreou no Teatro Alhambra de Londres, em junho de 1919. Seu imenso sucesso ajudou a construir o caminho que levou Respighi à fama internacional na década seguinte, consolidada por obras como Pinheiros de Roma (1923), Os Pássaros (1927) e Festivais Romanos (1928).

Em 1935, Britten começou a compor trilhas sonoras para os filmes institucionais da GPO Film Unit, um departamento de produção audiovisual do então serviço de correio britânico. Para um desses filmes, o curta-metragem The tocher ("O dote"), ele se inspirou em um conjunto de árias e duetos de câmara escritos por Rossini no início da década de 1830 – uma escolha curiosa, dada a discrepância da obra de ambos, pelo menos à primeira vista. Em 1936, Britten decidiu retrabalhar a peça para orquestra, adicionando dois novos movimentos e lhe conferindo o mesmo nome da coletânea original de Rossini: Soirées Musicales ("Noites Musicais"). Escrito quando o compositor italiano já havia se aposentado da produção operística que o consagrou, o material transita por vários ânimos, do dramático ao festivo, com melodias ricas, que são aproveitadas com inteligência por Britten nos três movimentos centrais (de cinco). O movimento de abertura, por sua vez, é inspirado na marcha dos soldados do 3º ato de Guilherme Tell, uma das óperas mais famosas de Rossini. A suíte se encerra de maneira dançante, com uma típica tarantela siciliana, construída a partir do tema de um dos seus Três coros religiosos, "La charité" ("A caridade").

9 dez 2023
sábado, 18h00

Sala Minas Gerais
Quero ser lembrado deste concerto.
adicione à agenda 09/12/2023 6:00 PM America/Sao_Paulo Inspirações na obra de Rossini false DD/MM/YYYY