Introdução ao Brasil

Fabio Mechetti, regente
Fabio Zanon, violão

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VILLA-LOBOS
MIGNONE
GOMES
GOMES
GOMES
GOMES
Introdução aos Choros
Concerto para violão
Salvator Rosa: Sinfonia
A noite do castelo: Prelúdio
Fosca: Sinfonia
O Guarani: Protofonia

Fabio Mechetti, regente

Fabio Mechetti é Diretor Artístico e Regente Titular da Filarmônica de Minas Gerais desde a sua fundação, em 2008, sendo responsável pela implementação de um dos projetos mais bem-sucedidos no cenário musical brasileiro. Construiu uma sólida carreira nos Estados Unidos, onde esteve quatorze anos à frente da Sinfônica de Jacksonville, foi regente titular das sinfônicas de Syracuse e de Spokane e conduz regularmente inúmeras orquestras. Foi regente associado de Mstislav Rostropovich na Orquestra Sinfônica Nacional de Washington e com ela realizou concertos no Kennedy Center e no Capitólio norte-americano. Conduziu as principais orquestras brasileiras e também em países da Europa, Ásia, Oceania e das Américas. Em 2014, tornou-se o primeiro brasileiro a ser Diretor Musical de uma orquestra asiática, com a Filarmônica da Malásia. Mechetti venceu o Concurso de Regência Nicolai Malko e é Mestre em Composição e em Regência pela Juilliard School.

Uma das figuras centrais no cenário internacional de violão clássico, como solista ou camerista, Fabio Zanon tem se apresentado por toda a Europa, Américas, Austrália e Oriente Médio. É também convidado regular de teatros como o Royal Festival Hall, Wigmore Hall, Philharmonie (Berlim), Carnegie Hall, Tchaikovsky Hall (Moscou) e Sala Filarmônica de São Petersburgo, Beux Arts Centre (Bruxelas), Les Invalides (Paris), Concertgebouw (Amsterdã), Sala Verdi (Milão), Sala da Filarmônica de Varsóvia, Musikhalle de Hamburgo, Ateneu de Madri, KKR em Lucerna e todas as mais importantes casas do Brasil. Venceu por unanimidade o 30° Concurso Francisco Tarrega (1996), na Espanha, e o 14° Concurso da Fundação Americana de Violão (GFA), nos Estados Unidos. A essas vitórias seguiu-se uma turnê de 56 concertos nos EUA e Canadá e o lançamento de seus primeiros álbuns. Sua gravação da obra completa de Villa-Lobos, pelo selo Music Masters, é considerada uma referência, e o álbum Guitar Recital (Naxos) foi escolhido pela revista Gramophone como o melhor de 1998. Desde 2009, Zanon é professor visitante da Royal Academy of Music de Londres. Em 2014, assumiu a coordenação artística e pedagógica do Festival Internacional de Inverno de Campos do Jordão.

Programa de Concerto

Introdução aos Choros | VILLA-LOBOS

Se os anos 1930 foram os anos das Bachianas, a década de 1920 foi a dos Choros para Heitor Villa-Lobos. Enquanto as Bachianas evidenciavam a intenção de redescoberta da forma clássica, os Choros apertam o laço do compositor brasileiro com a Europa. Em uma inventividade absoluta, a inclusão de instrumentos considerados populares ou exóticos não se expressa somente com uma intenção pitoresca, mas como um reino de ideias livres onde, em cada obra, amplia-se a exploração de timbres. Ao ciclo, foi introduzido em 1929 uma entrada monumental para violão e orquestra. Imaginada como uma abertura para a performance do ciclo completo, a Introdução aos Choros é, nas palavras do próprio compositor, “uma espécie de abertura sinfônica, orquestrada para todos os instrumentos envolvidos no restante dos trabalhos da série Choros”. De fato, demonstrando a função clássica da abertura sinfônica, inúmeras referências às outras peças do ciclo podem ser ouvidas. Desde a abertura Forte, uma transfiguração da melodia da flauta ouvida no início dos Choros nº 6, até o solo de corne inglês no finale que antecipa as primeiras notas dos Choros nº 1, a Introdução demonstra ao ouvinte a importância da série como uma entidade única. Nas palavras de Pierre Vidal: “Os Choros criam sua própria lógica. Com sua diversidade de conteúdos, sua originalidade harmônica, sua variedade de ritmos e virtuosidade instrumental, eles são representativos de um Villa-Lobos no auge de seu arrojo nos anos 1920, e têm sido considerados a mais importante contribuição brasileira para a música do século XX”.

É inegável a contribuição de Francisco Mignone para o amadurecimento do repertório brasileiro do violão. Sua rica produção musical, de destacada importância para a música brasileira do século XX, passeou por diversos instrumentos, estilos e gêneros. Graças ao incentivo de violonistas e seu próprio interesse em criar para o instrumento, que pouco dominava, sua colaboração para o repertório para violão tem nos Doze estudos para violão solo e nas Doze valsas para violão solo, ambos de 1970, importantes emblemas. Criado em 1975, o Concerto para violão foi dedicado a Antônio Carlos Barbosa Lima, amigo e violonista que o estreou dois anos depois em Washington (EUA). Ponto alto de seu amadurecimento com o violão, é possível ouvir no Concerto sua criatividade e experiência transcritas em uma obra de grande relevo.

Depois de O Guarani (1870) e Fosca (1873), Carlos Gomes deixou de lado a amizade e os laços com a Casa Lucca e entregou seu próximo trabalho aos cuidados de Giulio Ricordi. Aplaudida pela crítica milanesa, a Fosca não foi sucesso de público nas poucas récitas que recebeu em Milão e Modena. Logo após sua criação, em 1873, o compositor percebeu que se fazia necessária uma guinada em direção à ópera italiana, abandonando os esquemas franceses ou alemães. O resultado desta guinada é Salvator Rosa, estreada em Gênova em 1874, seu segundo maior sucesso na Itália e a ópera que mais lhe rendeu dinheiro. A partir de então, Carlos Gomes estaria estreitamente ligado à Casa Ricordi. O contrato firmado com os Ricordi para Salvator Rosa era muito mais vantajoso para Carlos Gomes, o que se refletiu em mais liberdade e uma leveza elaborada, o que não se nota em seus trabalhos anteriores.

Em 20 de junho de 1859, Carlos Gomes tomou o navio em Santos que o levaria à Corte. Já no Rio de Janeiro, matriculou-se no Conservatório de Música, onde frequentaria aulas de contraponto com Gioacchino Giannini e despertaria o entusiasmo do diretor e professor Francisco Manuel da Silva. Em 1860, torna-se ensaiador no Teatro Lírico Nacional, cargo que lhe permite conviver com musicistas, produtores e cantores de companhias de ópera italianas. O contato diário com a obra de Rossini, Bellini, Donizetti e Verdi exerceu profunda influência sobre o compositor. Em 4 de setembro do ano seguinte, Francisco Manuel da Silva regeu a estreia de sua primeira ópera, A noite do castelo. A partir daí, recebeu de D. Pedro II o título de cavaleiro da Ordem da Rosa, marcando a admiração mútua entre imperador e compositor. Dois anos depois, em 15 de setembro de 1863, Gomes estreou no Teatro Lírico Nacional sua segunda ópera, Joana de Flandres, e logo depois partiu para a Europa por ter sido o aluno medalha de ouro de 1863 do Conservatório, com bolsa que a escola concedia uma vez a cada cinco anos.

Depois de uma temporada no Rio de Janeiro, onde foi recebido como herói e apresentou a estreia brasileira de O Guarani, Carlos Gomes retornou a Milão e casou-se com a pianista italiana Adelina Peri, de quem havia sido colega no conservatório. No mesmo ano, em 1871, começou a compor Fosca, ópera com libreto de Antonio Ghilarzoni. Estreada em 16 de fevereiro de 1873 no Teatro Scala de Milão, a obra foi inicialmente mal recebida, muito em razão de uma disputa entre reformadores wagnerianos e os defensores do bel canto italiano. Anos mais tarde, novas montagens dariam à ópera um considerável sucesso. A mais italiana de suas óperas, Fosca é considerada por Mário de Andrade o maior feito musical de Carlos Gomes. No Sul global, a Fosca foi bem recebida em Buenos Aires e no Rio de Janeiro, onde estreou em 25 de julho de 1877, no Teatro Dom Pedro II.

Carlos Gomes se inspirou no romance indianista O Guarani, de José de Alencar, para compor sua ópera de mesmo nome. A obra em quatro atos, com libreto em italiano de Antônio Sclavini e Carlo D’Orneville, trata da história de amor de Ceci e Peri. A montagem estreou com grande sucesso em 19 de março de 1870 no Teatro Scala de Milão – a estreia brasileira só veio em dezembro do mesmo ano, no Rio de Janeiro. A Protofonia, ou Abertura, é sem dúvida o tema mais conhecido dessa criação de Carlos Gomes.

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