Inverno Russo

Marcos Arakaki, regente convidado
Cristian Budu, piano

|    Presto 2021

|    Veloce 2021

TCHAIKOVSKY
RACHMANINOV
Sinfonia nº 1 em sol menor, op. 13, "Sonhos de inverno"
Concerto para piano nº 2 em dó menor, op. 18

Marcos Arakaki, regente convidado

Marcos Arakaki é Bacharel em Música pela Unesp e Mestre em Regência Orquestral pela Universidade de Massachusetts (EUA). Foi orientado por David Zinman no Aspen Music Festival and School (2005) e frequentou masterclasses dos maestros Kurt Masur, Charles Dutoit e Sir Neville Marriner. Foi vencedor do I Concurso Nacional Eleazar de Carvalho para Jovens Regentes (2001) e do I Prêmio Camargo Guarnieri (2009), e semifinalista no Concurso Internacional Eduardo Mata (2007), no México. Arakaki tem dirigido as principais orquestras sinfônicas brasileiras, além de orquestras nos Estados Unidos, México, Argentina, República Tcheca e Ucrânia. Colaborou com importantes artistas, como Gabriela Monteiro, Sergio Tiempo, Anna Vinnitiskaya, Sofya Gulyak Ricardo Castro, José Feghali, Pinchas Zukerman, Rachel Barton Pine, Chloë Hanpslic e Luís Fílip, Günter Klaus, Eddie Daniels, David Gérrier, Pacho Flores e Yamandu Costa. No repertório popular, já atuou com Sivuca, João Donato, Ivan Lins e Fafá de Belém. Em 2015, regeu a montagem do balé Cinderela, com o Balé do Teatro Guaíra e a Sinfônica do Paraná. Nos últimos 15 anos, Arakaki tem contribuído de forma decisiva para a formação de novas plateias por meio de turnês a mais de 100 cidades brasileiras, apresentações em praças, parques e concertos didáticos. Foi Regente Assistente da Orquestra Sinfônica Brasileira (2007/2010) – onde gravou a trilha para o filme Nosso Lar, composta por Philip Glass –, Regente Titular da OSB Jovem (2008/2010) e da Sinfônica da Paraíba (2007/2010). Como Regente Associado da Filarmônica por nove temporadas (2011/2019) realizou mais de 250 concertos. É Regente Titular da Sinfônica da UFPB e autor do livro A História da Música Clássica Através da Linha do Tempo.

Vencedor do Concurso Internacional Clara Haskil (2013), incluindo prêmio do público e da jovem crítica, Cristian Budu também ganhou prêmios como Instrumentista do Ano (2017) da Associação Paulista de Críticos de Artes (APCA), Melhor Concerto do Ano (2016) no Guia da Folha e na Gramophone, principal veículo da crítica internacional, entrou para as ultrasseletas listas Top 10 Recent Beethoven Recordings, Top 10 Chopin Recordings – que inclui gravações históricas de Martha Argerich, Arthur Rubinstein, Maria João Pires, Dinu Lipatti, Murray Perahia e Nikolaus Harnoncourt – e Top 50 Greatest Chopin Recordings, que selecionou apenas 50 gravações de Chopin em toda a história. Experiências recentes incluem duos com Renaud Capuçon e Antonio Meneses, música de câmara com músicos da Orquestra Filarmônica de Berlim, concerto com a Orquestra de Câmara de Lausanne e recital solo no Verbier Festival. Budu já solou à frente da Orquestra Sinfônica de Lucerna, Orquestre de la Suisse Romande, Orquestra Sinfônica da Rádio de Stuttgart e em salas como Jordan Hall, Liederhalle, KKL, LAC de Lugano e Ateneu de Bucareste. Seu último CD solo ganhou prêmios como Editor's Choice, na Gramophone, e 5-Diapasons. Nos Estados Unidos, integrou um quarteto de música brasileira que venceu o Honors Competition do Conservatório de Música da Nova Inglaterra, em Boston. No Brasil, é criador do projeto Pianosofia.

Programa de Concerto

Sinfonia nº 1 em sol menor, op. 13, "Sonhos de inverno" | TCHAIKOVSKY

Tchaikovsky chegou a Moscou em janeiro de 1866, aos vinte e cinco anos de idade, convidado por Nikolai Rubinstein para lecionar no futuro Conservatório de Música da cidade, que seria inaugurado em setembro. Desejoso de se firmar como compositor, logo se empenhou em uma tarefa árdua para um jovem recém formado: a criação de uma sinfonia. Em março, começou, com dificuldade, a traçar os primeiros rascunhos mas, no mês seguinte, a publicação de uma crítica devastadora a respeito de sua cantata An die Freude desencadeou uma série de problemas psicológicos que o acompanhariam por toda a vida. Ao final de maio, conseguiu terminar o esboço da sinfonia e, nos meses de junho e julho, em São Petersburgo, passou várias noites acordado trabalhando na orquestração. Com a saúde física e mental em frangalhos, Tchaikovsky cometeu um erro. Antes de voltar a Moscou para a inauguração do Conservatório, resolveu submeter a sinfonia, ainda inacabada, à crítica de seus antigos professores Anton Rubinstein e Nikolai Zaremba. Os dois foram impiedosos. Hipersensível a críticas, Tchaikovsky voltou a Moscou arrasado. Porém, assumiu suas funções no Conservatório e no mês de dezembro conseguiu voltar à Sinfonia. Trechos dela foram apresentados naquele final de ano e no início do, mas ele ainda teve de esperar doze meses para ter sua Sinfonia no 1 executada na versão completa, em Moscou, sob regência de Nikolai Rubinstein. Trata-se de uma obra madura, evidenciando o temperamento típico da música russa, tanto em seus temas de sabor folclórico quanto no brilhante colorido orquestral.

No final do século XIX, enquanto a reputação do jovem Rachmaninov se firmava em toda a Rússia, crescia também a expectativa em torno de suas novas criações. O compositor, regente e pianista amargou o fracasso nas estreias de sua Primeira Sinfonia e de seu Concerto para piano nº 1. Entre 1897 e 1898, sofrendo de uma profunda depressão e sem compor nada, foi buscar ajuda no consultório do Dr. Nicolai Dahl. Por três meses, seu tratamento diário incluía hipnoterapia e psicoterapia. Consciente dos problemas do Primeiro Concerto, Rachmaninov preferiu compor um novo. Durante a hipnose, o Dr. Dahl sugeria a seu paciente: “você vai começar a escrever o seu concerto, você trabalhará com grande facilidade, o seu concerto será uma grande obra”. Surge assim o Concerto para piano nº 2, op. 18, obra cuja beleza e o fino acabamento fizeram dela, além de exemplo de superação e êxito, um novo modelo estético de concerto romântico para piano.