Mignone e Fernandez revisitados

Fabio Mechetti, regente
Clélia Iruzun, piano

|    Allegro

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MIGNONE
FERNANDEZ
FERNANDEZ
Concerto para piano
Reisado do pastoreio
Sinfonia nº 2, "O caçador de esmeraldas"

Fabio Mechetti, regente

Natural de São Paulo, Fabio Mechetti é Diretor Artístico e Regente Titular da Filarmônica de Minas Gerais desde 2008, ano de sua criação. Em 2014, ao ser convidado para ocupar o cargo de Regente Principal da Filarmônica da Malásia, tornou-se o primeiro brasileiro a dirigir uma orquestra asiática. Foi Residente da Sinfônica de San Diego, Titular das sinfônicas de Syracuse, Spokane e Jacksonville, sendo agora Regente Emérito das duas últimas. Foi Regente Associado de Mstislav Rostropovich na Sinfônica Nacional de Washington. Além de uma sólida carreira nos Estados Unidos e no Brasil, já conduziu em países como México, Peru, Venezuela, Nova Zelândia, Espanha, Japão, Escócia, Finlândia, Canadá, Suécia, Itália e Dinamarca. Mechetti é vencedor do Concurso Internacional de Regência Nicolai Malko. Possui títulos de mestrado em Composição e em Regência pela Juilliard School. Em 2022, fará sua estreia com a Filarmônica do Teatro Colón, em Buenos Aires, e a Sinfônica da Colômbia, em Bogotá.

A feliz junção do colorido espírito brasileiro e da musicalidade espontânea firmou Clélia Iruzun como uma das artistas mais interessantes no cenário mundial, nos últimos anos. Apresenta-se com frequência nas maiores salas de Londres, como Wigmore Hall, Purcell Room, Queen Elizabeth Hall no Southbank Centre e em sociedades musicais por todo o Reino Unido. Na Europa, foi solista com a Poznan Philharmonic, Artur Rubinstein Symphony, Vasteras Sinfonietta, Boras Symphony, Kristiansand Symphony, Orquestra Metropolitana de Lisboa, London Soloists Chamber Orchestra, Lontano Chamber Orchestra e BBC Scottish Symphony Orchestra, entre outras. No Brasil, tocou com a Sinfônica Municipal de São Paulo, Petrobras Sinfônica, entre outras. Suas gravações, para os selos Meridian Records, Intim Musik, Lorelt e Somm, prestigiam especialmente a música sul-americana. Clélia gravou Villa-Lobos, Mignone, Lecuona, Maconchy, Mendelssohn, Marlos Nobre, Federico Mompou, Henrique Oswald e Ernesto Nazareth, além de danças latino-americanas e valsas de compositores românticos e brasileiros, recebendo excelentes críticas.

Programa de Concerto

Concerto para piano | MIGNONE

Francisco Mignone nasceu em 1897 em São Paulo, filho do flautista italiano Alfério Mignone. Estudou música desde cedo, formando-se em Flauta, Piano e Composição no Conservatório Dramático e Musical de São Paulo. Mignone tinha um forte vínculo com a música popular e chegou a usar o pseudônimo Chico Bororó em suas composições desse gênero. Desde adolescente já se apresentava como flautista e pianista, sendo atuante em serenatas e rodas de choro. Obteve bolsa para estudar na Itália e ficou fora do Brasil por nove anos, passando também pela França e Espanha. De volta ao Brasil, sua carreira de professor ganhou força e, após passagem pelo conservatório onde havia estudado, em São Paulo, Mignone mudou-se para o Rio de Janeiro e tornou-se docente no Instituto Nacional de Música (atual Escola de Música da UFRJ). Além disso, seguiu intensa atividade como compositor, pianista e também regente. A obra para orquestra se destaca em seu repertório, incluindo óperas, mas ele também escreveu música de câmara. Excelente pianista, tem importantes peças para esse instrumento, sendo o Concerto para piano a mais ousada. Com uma sólida orquestração e escrita pianística complexa, o Concerto é dedicado ao pianista Arnaldo Estrela, que o estreou com a Orquestra Sinfônica Brasileira regida pelo próprio Mignone.

Lorenzo Fernandez, junto com Villa-Lobos e Francisco Braga, tornou-se expoente do nacionalismo e do modernismo brasileiros. Foi inclusive Braga quem regeu a estreia da suíte Reisado do pastoreio, em três movimentos, de Lorenzo Fernandez. O Batuque final causou entusiasmo. É a peça mais conhecida desse compositor eclético que se dedicou a vários gêneros. Fernandez foi parceiro de Villa-Lobos em muitas atividades musicais e, se sua carreira não fosse inesperadamente interrompida aos cinquenta anos (na véspera de sua morte, fora muito aplaudido, ao reger um concerto na Escola Nacional de Música), Lorenzo Fernandez poderia ter tido destaque semelhante ao do amigo.

Apenas dois anos depois de concluir a sua Primeira Sinfonia, Lorenzo Fernandez concluiu a partitura de sua segunda obra sinfônica. O cunho programático da Sinfonia nº 2 se deve à inspiração no poema O caçador de esmeraldas, de Olavo Bilac. Os versos iniciais de cada parte da poesia estão previstos na partitura, servindo como referência de cada um dos movimentos. Em sua obra Música Erudita Brasileira: Gêneros e Formas, Sylvio Lago argumenta que, na estrutura, “o compositor não se afasta das fórmulas convencionais dos quatro movimentos, revelando-se um melodista original e demonstrando habilidade em converter o idioma nacional numa alta expressão artística de caráter universal”. Concluída próximo às comemorações do cinquentenário de Lorenzo Fernandez, a Segunda Sinfonia não chegou a ser executada durante a vida do compositor. Ele morreria em agosto do ano seguinte.

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22 set 2022
quinta-feira, 20h30

Sala Minas Gerais

23 set 2022
sexta-feira, 20h30

Sala Minas Gerais