O enigma de uma sinfonia – filho

Fabio Mechetti, regente

LEVY
BEETHOVEN
DVORÁK
Werther – Abertura Dramática
Sinfonia nº 8 em Fá maior, op. 93
Sinfonia nº 8 em Sol maior, op. 88

Fabio Mechetti, regente

Natural de São Paulo, Fabio Mechetti é Diretor Artístico e Regente Titular da Filarmônica de Minas Gerais desde 2008, ano de sua criação. Em 2014, ao ser convidado para ocupar o cargo de Regente Principal da Filarmônica da Malásia, tornou-se o primeiro brasileiro a dirigir uma orquestra asiática. Foi Residente da Sinfônica de San Diego, Titular das sinfônicas de Syracuse, Spokane e Jacksonville, sendo agora Regente Emérito das duas últimas. Foi Regente Associado de Mstislav Rostropovich na Sinfônica Nacional de Washington. Além de uma sólida carreira nos Estados Unidos e no Brasil, já conduziu em países como México, Peru, Venezuela, Nova Zelândia, Espanha, Japão, Escócia, Finlândia, Canadá, Suécia e Itália. Mechetti é vencedor do Concurso Internacional de Regência Nicolai Malko. Possui títulos de mestrado em Composição e em Regência pela Juilliard School.

Programa de Concerto

Werther – Abertura Dramática | LEVY

Filho de um clarinetista e comerciante, Alexandre Levy teve contato com a música desde cedo, o que contribuiu para significativa produção musical mesmo com uma morte precoce, aos 28 anos. Em São Paulo, ajudou a fundar o Clube Haydn e o Clube Mendelssohn. No fim do século XIX, os ambientes sociais estavam inquietos diante da iminência do Abolicionismo e da República. Nesse contexto, embarcou para viagem pela Itália e pela França em 1897. Compôs, no ano seguinte, diversas obras orquestrais de fôlego. Entre eles está Werther, inspirado no personagem título de Os sofrimentos do jovem Werther, obra de Goethe que marca o início do Romantismo alemão. Maria Alice Volpe explica que, no repertório de Levy, Werther é seu maior exemplo no quesito “obras que exploram a nova morfologia romântica de grande extensão, o poema sinfônico”.

Embora os primeiros esboços da Sinfonia nº 8 datem de 1811, foi apenas a partir de maio do ano seguinte que Beethoven pôde realmente se dedicar à obra. No final de setembro a composição já estava pronta e em outubro Beethoven confeccionava a partitura definitiva. A estreia se daria dois anos mais tarde, em 27 de fevereiro de 1814, em um concerto em Viena regido pelo próprio compositor. Sob vários aspectos, a Oitava nos remete às sinfonias de Haydn, especialmente à Sinfonia nº 101 (“O relógio”): por suas dimensões, no colorido e, principalmente, pelo tratamento temático.

Na década de 1880, Antonín Dvorák se tornava conhecido em toda a Europa. Em meados do ano de 1889, o maestro Vasily Safonov, diretor do Conservatório de Moscou, convidou-o para reger obras suas na Rússia. Seria a primeira ida de Dvorák à terra de Tchaikovsky, compositor que ele tivera a oportunidade de conhecer em Praga, quando o russo apresentou sua Quinta Sinfonia. Naquela vez, em que Tchaikovsky conduziu também a ópera Eugene Onegin, o colorido e a originalidade da música de Tchaikovsky deixaram forte impressão em Dvorák. Ele tinha agora a oportunidade de apresentar sua música ao público russo, um público já bastante habituado à música de Tchaikovsky. Pensando em quais obras suas seriam mais interessantes para essa estreia na Rússia, Dvorák pretendeu compor uma nova sinfonia especialmente para a ocasião. Criou então a Sinfonia em Sol maior que, no entanto, desistiu de apresentar em Moscou naquela temporada, optando por outras obras. A Oitava Sinfonia foi então estreada com muito sucesso em Praga, sob a regência do autor, em fevereiro de 1890. A Sinfonia nº 8, em quatro movimentos, foi inspirada nas fontes da tradição popular boêmia, na esteira do nacionalismo dominante na segunda metade do século XIX, de que Dvorák é um dos mais importantes representantes.

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adicione à agenda 20/03/2020 8:30 PM America/Sao_Paulo O enigma de uma sinfonia – filho false DD/MM/YYYY