O mundo pastoral

Fabio Mechetti, regente
Luisa Francesconi, mezzo-soprano

|    Presto 2021

|    Veloce 2021

BEETHOVEN
STRAVINSKY
BEETHOVEN
Sinfonia nº 1 em Dó maior, op. 21
O fauno e a pastora, op. 2
Sinfonia nº 6 em Fá maior, op. 68, "Pastoral"

Fabio Mechetti, regente

Natural de São Paulo, Fabio Mechetti é Diretor Artístico e Regente Titular da Filarmônica de Minas Gerais desde 2008, ano de sua criação. Em 2014, ao ser convidado para ocupar o cargo de Regente Principal da Filarmônica da Malásia, tornou-se o primeiro brasileiro a dirigir uma orquestra asiática. Foi Residente da Sinfônica de San Diego, Titular das sinfônicas de Syracuse, Spokane e Jacksonville, sendo agora Regente Emérito das duas últimas. Foi Regente Associado de Mstislav Rostropovich na Sinfônica Nacional de Washington. Além de uma sólida carreira nos Estados Unidos e no Brasil, já conduziu em países como México, Peru, Venezuela, Nova Zelândia, Espanha, Japão, Escócia, Finlândia, Canadá, Suécia e Itália. Mechetti é vencedor do Concurso Internacional de Regência Nicolai Malko. Possui títulos de mestrado em Composição e em Regência pela Juilliard School.

Luisa Francesconi tem excepcional capacidade para a execução de coloratura, destacando-se no repertório rossiniano e mozartiano ao interpretar papéis em óperas como O barbeiro de Sevilha, L’Italiana in Algeri, Così fan tutte e Don Giovanni. Ela canta com frequência nos principais teatros brasileiros e italianos e tem se apresentado regularmente também em Portugal. Seu repertório de concerto é vasto, com atuações marcantes em obras como a Rapsódia para contralto e a Missa em si Menor de Bach; o Requiem e a Missa da Coroação de Mozart; o Messias de Haendel; a Missa em Dó maior e a Fantasia Coral de Beethoven; as sinfonias números 2, 3 e 8 de Mahler; a Pequena Missa Solene de Rossini; e a Floresta do Amazonas de Villa-Lobos. Luisa gravou como solista a Nona de Beethoven e o Requiem Hebraico de Erich Zeisl, lançados em CD pelo selo Biscoito Fino.

Programa de Concerto

Sinfonia nº 1 em Dó maior, op. 21 | BEETHOVEN

A Sinfonia nº 1 revela um artista inquieto, em busca de seus próprios ideais. Uma introdução, Adagio molto, abre a partitura com inesperado acorde dissonante. Esse começo em tonalidade incorreta foi considerado muito audacioso e reprovado pela crítica da época. A Primeira Sinfonia corrobora com a ideia do musicologista Donald Francis Tovey de uma “despedida apropriada para o século XVIII”. A obra traz a essência do estilo clássico em sua tessitura, mas já mostra algumas características que irão marcar o Beethoven que chegou aos dias de hoje.

Em janeiro de 1906, Stravinsky casou-se com sua prima Yekaterina Nosenko, filha mais nova órfã de seu tio. Em uma das temporadas que passou em Ustilug, terra da noiva, ele compôs uma peça vocal orquestrada a partir dos três primeiros poemas eróticos de Aleksandr Pushkin. Ele afirmaria mais tarde que seu opus 2 teria sido um presente de casamento para sua querida Katya. E foi pela valiosa tutoria de Rimsky-Korsakov que a obra, denominada O fauno e a pastora, ganhou o mundo. Sua primeira apresentação se deu em 1907 com a Orquestra da Corte Imperial, sob a batuta de Hugo Wahrlich em uma apresentação semiprivada. No ano seguinte, seus opus 1 e 2 foram apresentados em concerto público com a mesma orquestra, pelos quais Stravinsky recebeu seus primeiros comentários favoráveis na imprensa.

Em 1808, Beethoven oferece ao público vienense um concerto extraordinário, em que, além de várias outras estreias importantes, apresenta suas Quinta e Sexta sinfonias. O público se mostra mais uma vez apático, certamente por não reconhecer o gênero de prazer a que estava habituado. Essa reação do público demonstra claramente a adoção de uma nova postura estética em Beethoven, que o desvincula do continuísmo clássico e cria laços estreitos com a ideologia romântica, especialmente no que concerne ao direito quase revolucionário de uma expressão individual: a expressão de um gênio criador, consciente de sua missão diante de um status quo que precisa ser modificado. Experiência única em Beethoven, o conceito dessa sinfonia funda-se no movimento de se tentar utilizar a música dita pura para expressar realidades e conteúdos extramusicais.