O oratório de Mendelssohn

Fabio Mechetti, regente
Marly Montoni, soprano
Nívea Freitas, soprano
Kismara Pezzati, alto
Daniel Umbelino, tenor
Licio Bruno, barítono
Coral Lírico de Minas Gerais
Lara Tanaka, regente do coro

|    Allegro

|    Vivace

MENDELSSOHN
Elias, op. 70

Fabio Mechetti, regente

Fabio Mechetti é Diretor Artístico e Regente Titular da Filarmônica de Minas Gerais desde a sua fundação, em 2008, sendo responsável pela implementação de um dos projetos mais bem-sucedidos no cenário musical brasileiro. Construiu uma sólida carreira nos Estados Unidos, onde esteve quatorze anos à frente da Sinfônica de Jacksonville, foi regente titular das sinfônicas de Syracuse e de Spokane e conduz regularmente inúmeras orquestras. Foi regente associado de Mstislav Rostropovich na Orquestra Sinfônica Nacional de Washington e com ela realizou concertos no Kennedy Center e no Capitólio norte-americano. Conduziu as principais orquestras brasileiras e também em países da Europa, Ásia, Oceania e das Américas. Em 2014, tornou-se o primeiro brasileiro a ser Diretor Musical de uma orquestra asiática, com a Filarmônica da Malásia. Mechetti venceu o Concurso de Regência Nicolai Malko e é Mestre em Composição e em Regência pela Juilliard School.

Marly Montoni estreou no Theatro Municipal de São Paulo em 2017, como Leonora em Fidelio de Beethoven. No mesmo palco, interpretou também obras de Verdi, Puccini, John Adams, Andrew Lloyd Weber e Elodie Bouny. Em Belo Horizonte, foi a protagonista em Porgy e Bess de Gershwin, no Palácio das Artes. Integrou o elenco estável do Theatro São Pedro, e neste palco foi Odaleia em Condor, de Gomes e Wally em La Wally de Catalani. Na Série Concertos Internacionais do mesmo teatro, interpretou trechos de Don Carlo, de Verdi, ao lado do baixo italiano Roberto Scandiuzzi. Cantou também com a Orquestra Sinfônica de Campinas e atuou no Festival de Ópera do Theatro da Paz em Belém. Trabalhou com os diretores musicais Roberto Minczuk, Silvio Viegas, Luiz Fernando Malheiro, André dos Santos, Ligia Amadio e Pedro Messias, e os cênicos Caetano Vilela, William Pereira, André Heller-Lopes, Cleber Papa e Mauro Wrona. Marly Montoni é Bacharel em Canto pela Universidade Cruzeiro do Sul e aperfeiçoou-se com Antonio Lotti.

Nívea Freitas possui título de concertista (Konzertexamen) pela HFMT – Hamburg (Alemanha), onde também realizou seu segundo mestrado, em Canto Lírico, ambos os títulos na classe do professor Mark Tucker. Em 2015, completou seu primeiro mestrado, em Performance Musical, pela UFMG, desenvolvido parcialmente na França, no Departamento de Teatro da Sorbonne Nouvelle de Paris. Como solista, já foi dirigida por André Heller Lopes, Fernando Bicudo, Jorge Takla, Alicia Geugelin e Mien Bogaert, e pelos maestros Silvio Viegas, Roberto Tibiriçá, Bruno Procópio, Christopher Park, Bar Avni e Justus Tennie. Atualmente, tem como preparadora vocal a soprano grega Christina Poulitsi. Em sua trajetória, dedica-se à elaboração de projetos na área de concerto de câmara com o intuito de unir a tradição erudita com a atualidade, por meio do uso de mídias audiovisuais e da interdisciplinaridade. Em 2018, venceu o concurso CLAB Festival – Neue Konzert Ideen, na Alemanha.

Kismara Pezzati tem se estabelecido nos palcos internacionais como uma solista carismática e versátil. Na Alemanha, foi Carmen em Remscheid e Erda (O ouro do Reno e O idílio de Siegfried) em Essen. Também cantou em palcos em Luxemburgo, Barcelona (Espanha), Colônia (Alemanha), Saint-Étienne e Caen (França), Genebra e Zurique (Suíça), Veneza e Bari (Itália), bem como São Paulo, Manaus, Moscou, Londres e Tóquio. Debutou como Unbekannte III na estreia mundial de Der Traum von Dir, de Xavier Dayer, em Zurique, e como Ms Quickly em Falstaff (Verdi) na Ópera de Colômbia. No repertório sinfônico, foi solista de obras de Mahler, Wagner-Henze, Falla, Berio, Haendel, Honegger, Bach, Beethoven, Mendelssohn, Mozart e Verdi em palcos na América do Sul e Europa. Foi solista na Primeira Sinfonia de Hartman no Concertgebouw de Amsterdam e em Rotterdam. Com a Filarmônica de Berlim e Sir Simon Rattle, cantou em Parsifal (Wagner) no Festival de Baden-Baden e em Berlim.

Vencedor do Primeiro Prêmio Masculino e do Prêmio Personagem Alfredo Germont no 15º Concurso Maria Callas, o tenor Daniel Umbelino é formado pela Escola de Música do Estado de São Paulo. Foi aluno de Ernesto Palacio e Juan Diego Florez na Accademia Rossiniana em Pesaro (Itália). Já trabalhou com grandes diretores como Graham Vick, Emílio Sagi, Bruno Berger-Gorski, Jorge Takla e André Heller-Lopes. E também com grandes maestros da cena internacional como Francesco Lanzillotta, Diego Matheuz, Nicolas Nägele e Luiz Fernando Malheiro. Com um repertório voltado a Rossini e ao bel canto, interpretou a maioria dos grandes papéis de tenor rossinianos, como Almaviva (O barbeiro de Sevilha), Lindoro (Uma italiana na Algéria), Belfiore e Liebenskoff (Il Viaggio a Reims), Rodrigo (Otello) e Bertrando (L’Inganno Felice). Já se apresentou em importantes palcos do Brasil e do mundo, como SemperOper (Dresden, Alemanha), Royal Opera House Muscat (Omã), Rossini Opera Festival em Pesaro (Itália), Teatro São Pedro e Festival Amazonas de Ópera.

Baixo-barítono, Licio Bruno é detentor do Prêmio Carlos Gomes 2004 e um dos mais celebrados cantores líricos brasileiros da atualidade. Bacharel em Canto e Mestre em Performance, aperfeiçoou-se na Franz Liszt Academy of Music e na Ópera de Budapeste, sendo depois membro da casa e artista convidado. É professor e pesquisador e desenvolve programas de formação de jovens cantores. Com apresentações no Brasil, Europa, América Latina e Ásia, Licio Bruno atua junto às principais orquestras e teatros de nosso país e conquistou dez primeiros prêmios em concursos de canto nacionais e internacionais. Interpretou mais de oitenta papéis em óperas de diferentes autores e estilos, sendo, até hoje, o único cantor brasileiro a ter interpretado Wotan/Wanderer, do ciclo integral wagneriano O anel do Nibelungo. Gravou, com a pianista Cláudia Marques, disco com canções de Villani-Côrtes e, com a pianista Sonia Rubinsky, o ciclo de Serestas de Villa-Lobos. Nos últimos anos, tem se dedicado também à direção de óperas de compositores brasileiros contemporâneos, como Jaceguay Lins e Guilherme Bernstein.

O Coral Lírico de Minas Gerais é um dos raros grupos corais que possui programação artística permanente e interpreta repertório diversificado, incluindo motetos, óperas, oratórios e concertos sinfônico-corais. Participa da política de difusão do canto lírico promovida pelo Governo de Minas Gerais, por meio da Fundação Clóvis Salgado (FCS), a partir da realização dos projetos Concertos no Parque, Lírico Sacro, Sarau ao Meio-dia e Lírico em Concerto, além de concertos em cidades do interior de Minas e capitais brasileiras, com entrada gratuita ou preços populares. Participa também das temporadas de óperas realizadas pela FCS. Sua atual Regente Titular é a maestrina Lara Tanaka. Já estiveram à frente do Coral os maestros Luiz Aguiar, Marcos Thadeu, Carlos Alberto Pinto Fonseca, Ângela Pinto Coelho, Eliane Fajioli, Sílvio Viegas, Charles Roussin, Afrânio Lacerda, Márcio Miranda Pontes e Lincoln Andrade. Criado em 1979, o Coral Lírico de Minas Gerais tornou-se Patrimônio do Estado em 2018 e comemorou quarenta anos em 2019.

Natural de Belo Horizonte, Lara Tanaka estudou piano no Conservatório Mineiro de Música e Regência na Escola de Música da UFMG. Foi aluna de Sérgio Magnani, Roberto Tibiriçá, Cláudio Ribeiro, Per Brevig, Mogens Dahl e Nelson Niremberg. Ministrou aulas de Regência no 33º Festival de Inverno da UFMG e, em 2001, dirigiu a oficina de coral infantil no Festival Nacional de Música de Câmara na Paraíba. Foi finalista do Prêmio TIM da Música em duas edições, com os CDs Villa-Lobos e os Brinquedos de Roda, gravado com o Coral Infantojuvenil do Palácio das Artes e o Grupo de Percussão da UFMG, e Os Cocos. Lara Tanaka atua como cravista continuísta em diversos grupos de música antiga e com as orquestras da Musicoop, da UFOP e a Sinfônica de Minas Gerais. Atuou como regente titular do Coral Infantojuvenil Palácio das Artes de 2001 a 2015. Atualmente é a regente titular do Coral Lírico de Minas Gerais.

Programa de Concerto

Elias, op. 70 | MENDELSSOHN

Desde 1837, Mendelssohn já manifestava planos de uma grande obra coral baseada no Antigo Testamento. Seu amigo Karl Klingemann, com quem pensou várias ideias, deveria escrever o libreto de Elias. No entanto, Klingemann declinou do convite e a tarefa foi acolhida por Julius Schubring. O Festival Trienal de Birmingham (Inglaterra) convidou Mendelssohn nas edições de 1837 e 1840 para atuar como pianista, organista e compositor. O sucesso das edições — e de Mendelssohn! — fizeram dele a escolha óbvia para tornar-se condutor residente na edição de 1846 (ele não pôde comparecer em 1843). No entanto, o compositor não se sentia disposto a dirigir todo o festival, mas aceitou a encomenda de um novo oratório para a ocasião. Sua primeira audição ocorreu em Birmingham, em 26 de agosto de 1846.

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