Para violino e orquestra

Fabio Mechetti, regente
Vadim Gluzman, violino

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FERNANDEZ
BRAHMS
Sinfonia nº 1
Concerto para violino em Ré maior, op. 77

Fabio Mechetti, regente

Fabio Mechetti é Diretor Artístico e Regente Titular da Filarmônica de Minas Gerais desde a sua fundação, em 2008, sendo responsável pela implementação de um dos projetos mais bem-sucedidos no cenário musical brasileiro. Construiu uma sólida carreira nos Estados Unidos, onde esteve quatorze anos à frente da Sinfônica de Jacksonville, foi regente titular das sinfônicas de Syracuse e de Spokane e conduz regularmente inúmeras orquestras. Foi regente associado de Mstislav Rostropovich na Orquestra Sinfônica Nacional de Washington e com ela realizou concertos no Kennedy Center e no Capitólio norte-americano. Conduziu as principais orquestras brasileiras e também em países da Europa, Ásia, Oceania e das Américas. Em 2014, tornou-se o primeiro brasileiro a ser Diretor Musical de uma orquestra asiática, com a Filarmônica da Malásia. Mechetti venceu o Concurso de Regência Nicolai Malko e é Mestre em Composição e em Regência pela Juilliard School.

Vadim Gluzman dá vida à gloriosa tradição violinística dos séculos XIX e XX. O violinista israelense se apresenta regularmente com as principais orquestras e maestros do mundo, entre as quais destacam-se a colaboração com Tugan Sokhiev e a Filarmônica de Berlim, as sinfônicas de Boston e Chicago, as orquestras de Paris, Royal Concertgebouw, Cleveland e a Gewandhaus de Leipzig, e a Filarmônica de Londres. Gluzman é convidado regular em festivais internacionais, como Ravinia, Tanglewood, Grant Park, Colmar, e fundou o North Shore Chamber Music Festival em Chicago, junto com a pianista Angela Yoffe, sua esposa e parceira de recital. Vadim Gluzman tocou e gravou estreias de obras de Sofia Gubaidulina, Moritz Eggert, Giya Kancheli, Elena Firsova, Pēteris Vasks, Michael Daugherty e Lera Auerbach. Compromissos futuros incluem a estreia mundial de um novo concerto para violino de Erkki-Sven Tüür, ao lado das sinfônicas da Rádio de Frankfurt e de Gotemburgo, e o Concerto Duplo, de Joshua Roman, com a Orquestra de Câmara ProMusica Columbus.

Programa de Concerto

Sinfonia nº 1 | FERNANDEZ

1945 foi um importante ano para Lorenzo Fernandez. Além do sucesso comercial do Batuque, nos dez anos anteriores, o regente e compositor também havia realizado sua primeira turnê pela América Latina e tinha sido convidado pelo prefeito de Bogotá para musicar o Hino à raça, de Guillermo Valencia. O Batuque também foi executado em um concerto no Rio de Janeiro pela orquestra da National Broadcasting Corporation, dos EUA, sob regência de Arturo Toscanini. Por fim, Fernandez dividiu o júri de um concurso de composição no Chile com Aaron Copland e Honorio Siccardi. Em junho de 1945, seu Primeiro Concerto, para violino e orquestra, foi executado por Oscar Borgerth sob regência de Erich Kleiber. Logo depois, ficaria pronta também sua Primeira Sinfonia, estreada em 1948 pela Orquestra Sinfônica Brasileira sob regência de Eleazar de Carvalho.

O célebre Joseph Joachim cumpriu muitas vezes o papel de consultor de Brahms em assuntos ligados a aspectos técnicos do violino e da linguagem violinística. O compositor, sendo pianista, se preocupava com a viabilidade técnica daquilo que compunha para um instrumento que não fosse o seu. Assim que terminou um primeiro esboço de seu opus 77, Brahms pediu a Joachim sua opinião sobre a parte do solista, ao que o amigo respondeu ser “violinisticamente muito original”, mas que esperava ver a peça inteira antes de emitir qualquer juízo mais consistente. O concerto para violino, concebido no verão de 1878, foi dedicado a Joachim. A estreia se deu um ano mais tarde, em Leipzig, tendo Brahms como regente e Joachim como solista. As primeiras críticas não foram favoráveis: o violinista e compositor polonês Henryk Wieniawski considerou o Concerto “intocável”, e o espanhol Pablo de Sarasate recusou-se a interpretá-lo. Hans von Bülow o considerou uma “contra o violino”. Tais críticas advinham do fato de que o Concerto de Brahms não trata o solista como uma parte em especial destaque e sim como parte integrante do ambiente sinfônico. Assumindo a estrutura concertante clássica, não é exatamente pelo tratamento dado ao solista que a obra é importante, mas, antes, por revelar uma mentalidade contraditoriamente romântica: se Brahms tem uma alma dionisíaca, conserva uma mente apolínea, e sua inventividade melódica supera quaisquer tendências reacionárias que eventualmente lhe são imputadas.

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