Sérvia e Santoro – filho

Vladimir Kulenovic, regente convidado
Marina Martins, violoncelo

RIMSKY-KORSAKOV
SANTORO
SHOSTAKOVICH
Fantasia sobre temas sérvios, op. 6
Concerto para violoncelo
Sinfonia nº 10 em mi menor, op. 93

Vladimir Kulenovic, regente convidado

Atual diretor artístico da Lake Forest Symphony, Vladimir Kulenovic foi regente associado da Sinfônica e da Ópera de Utah por quatro temporadas, regente assistente da Ópera Lírica de Chicago e regente residente na Filarmônica de Belgrado. Nos Estados Unidos, atuou como regente convidado com as sinfônicas de Chicago, Columbus, Grand Rapids, Houston, Indianápolis, Knoxville, Alabama, Jacksonville e São Francisco. Em outros países, Kulenovic apresentou-se com as orquestras Beethoven-Orchester, de Bonn, Bilkent Symphony, Turquia, Deutsche Kammerakademie Neuss am Rhein, Leipziger Symphonie Orchester, Filarmônica da Malásia, Orquestra do Centro Nacional de Artes de Ottawa, Filarmônica da Eslovênia, Sinfônica de Taipei, Filarmônica de Zagreb, Filarmônica da Macedônica e Ópera Nacional da Macedônica. Em 2012, Vladimir Kulenovic foi reconhecido com a Mendelssohn-Bartholdy Scholarship, tornando-se regente assistente na Orquestra Gewandhaus de Leipzig, o que lhe permitiu trabalhar de perto com o maestro Kurt Masur. Ele também foi assistente de Bernard Haitink na Sinfônica de Boston, preparou orquestras para Zubin Mehta e foi regente substituto na Orquestra Sinfônica e na Ópera de Baltimore, assim como na Ópera de Florentine.

Violoncelista brasileira, Marina Martins venceu em 2018 o concurso Jovens Solistas da Osesp e foi escolhida pelo júri para receber a Medalha Eleazar de Carvalho. Em 2019, apresentou-se como solista na Sala São Paulo com a Osesp. A convite do maestro Neil Thomson e Orquestra Filarmônica de Goiás, Marina fez a primeira gravação comercial do Concerto para violoncelo de Claudio Santoro, como parte do projeto Brasil em Concerto, em parceria com o Selo Naxos e o Itamaraty. Em 2021, venceu o prêmio Exilarte Preis, na Áustria. Marina já se apresentou na Inglaterra, Suíça, Itália, França, Alemanha, Áustria, Estados Unidos e Canadá. Nascida em 1999 na Nova Zelândia, venceu seu primeiro concurso aos 8 anos e estreou como solista na Inglaterra aos 16 anos. Atualmente, Marina estuda na Musik Akademie Basel, na Suíça, com o professor Danjulo Ishizaka. Foi aluna de Pieter Wispelwey na Alemanha e participou de masterclasses com protagonistas da cena musical internacional como Gary Hoffman, Antonio Meneses, Laurence Lesser e Jérôme Pernoo.

Programa de Concerto

Fantasia sobre temas sérvios, op. 6 | RIMSKY-KORSAKOV

A Fantasia sobre temas sérvios foi apresentada pela primeira vez em São Petersburgo no Congresso Eslavo, em 12 de maio de 1867, sob regência de Mily Balakirev. Mesmo escrevendo canções focadas em temas russos, Korsakov também seguiu Mikhail Glinka e Alexander Dargomyzhsky ao olhar para elementos folclóricos de fora da Rússia. Ainda que dure curtos dez minutos, a obra expõe frescor e inventividade que garantiram uma boa recepção na estreia.

Claudio Santoro escreveu 28 obras para orquestra e instrumento solista e, provavelmente, teve a intenção de compor mais de uma obra do gênero para violoncelo. Seu único Concerto para violoncelo foi composto em Berlim, Alemanha, em outubro de 1961, após um período de intensa atividade na Europa, como regente. As relações de Santoro com a Alemanha foram tão profícuas que ele posteriormente residiu por quase uma década naquele país. Não é possível fazer referências ao Concerto para violoncelo sem citar a figura do violoncelista brasileiro Aldo Parisot, que estreou a obra em 1965, regendo a Orquestra Sinfônica de Buffalo no 3º Festival Internacional de Música de Washington, nos Estados Unidos. Reverenciado instrumentista e professor, Parisot viveu até os cem anos quase como uma lenda e fez parte do corpo docente da prestigiosa Yale School of Music. Entre os compositores que conheceu e lhe dedicaram obras estão também Camargo Guarnieri, José Siqueira e Villa-Lobos. Parisot e Santoro, além de músicos, dedicaram-se à pintura, e vale a pena lembrar que seus nomes encabeçaram a lista dos Manifestos do Grupo Música Viva, movidos por Koellreutter na década de 1940: “A revolução espiritual que o mundo atualmente atravessa não deixará de influenciar a produção contemporânea. Essa transformação radical que se faz notar também nos meios sonoros é a causa da incompreensão momentânea frente à música nova. As ideias, porém, são mais fortes do que preconceitos!”. De fato, tal declaração, escrita há quase setenta anos, continua audaciosamente viva.

Shostakovich foi denunciado duas vezes ao Partido Comunista por compor uma música demasiado formalista e ocidentalizante, de base nitidamente não russa, que não atingia as massas proletárias. Após a segunda denúncia, a maior parte de suas obras foi banida, ele foi demitido do Conservatório de Leningrado e muitos dos privilégios de sua família foram cancelados. A Décima Sinfonia é a primeira grande obra sinfônica do compositor criada após o ocorrido. Dela, encontram-se esboços que datam ainda de 1946, embora, de acordo com cartas de Shostakovich, o ano de sua composição tenha sido 1953. Esse também foi o ano da morte de Stalin. Por isso, alguns críticos consideram essa sinfonia um manifesto contrário ao regime stalinista, mas há muitas controvérsias quanto a isso. Mais interessante é notar que, na décima sinfonia, o compositor faz uso, como em outras obras suas, de um motivo melódico recorrente, que remete a seu próprio nome: a sequência das notas ré, mi bemol, dó e si (que, na notação teutônica, tomariam as siglas DSCH). Esse motivo aparece, como elemento de unidade, transmutado ou explícito, no primeiro, terceiro e quarto movimentos.

baixar programa
Quero ser lembrado deste concerto.
adicione à agenda 26/08/2022 8:30 PM America/Sao_Paulo Sérvia e Santoro – filho false DD/MM/YYYY