Vigor, clarinete, enigma

José Soares, regente
Jonatas Bueno, clarinete

|    Allegro

|    Vivace

MOZART
MIGNONE
ELGAR
Sinfonia nº 34 em Dó maior, K. 338
Concertino para clarinete
Variações Enigma, op. 36

José Soares, regente

Natural de São Paulo, José Soares é Regente Associado da Orquestra Filarmônica de Minas Gerais, tendo sido seu Regente Assistente desde as duas temporadas anteriores. Venceu o 19º Concurso Internacional de Regência de Tóquio, edição 2021 (Tokyo International Music Competition for Conducting). José Soares recebeu também o prêmio do público na mesma competição. Iniciou-se na música com sua mãe, Ana Yara Campos. Estudou Regência Orquestral com o maestro Cláudio Cruz, em um programa regular de masterclasses em parceria com a Orquestra Sinfônica Jovem do Estado de São Paulo. Participou como bolsista nas edições de 2016 e 2017 do Festival Internacional de Inverno de Campos do Jordão, sendo orientado por Marin Alsop, Arvo Volmer, Giancarlo Guerrero e Alexander Libreich. Recebeu, nesta última, o Prêmio de Regência, tendo sido convidado a atuar como regente assistente da Osesp em parte da temporada 2018, participando de um Concerto Matinal a convite de Marin Alsop. Foi aluno do Laboratório de Regência da Orquestra Filarmônica de Minas Gerais, sendo convidado pelo maestro Fabio Mechetti a reger um dos Concertos para a Juventude da temporada 2019. Em julho desse mesmo ano, teve aulas com Paavo Järvi, Neëme Järvi, Kristjan Järvi e Leonid Grin, como parte do programa de Regência do Festival de Música de Parnü, Estônia. Atualmente, cursa o bacharelado em Composição pela Universidade de São Paulo.

Nascido em São Paulo, Jonatas iniciou seus estudos na Emesp e graduou-se em Clarinete pela Universidade Estadual Paulista (Unesp), sob orientação do professor Sérgio Burgani. Participou de masterclasses com Wenzel Fuchs, Christoph Muller, Michael Gurfinkel, Ovanir Buosi e Cristiano Alves. Em 2012, ganhou o primeiro lugar na categoria Música de Câmara no concurso Pré-Estreia da TV Cultura, com o Quarteto Nó na Madeira. Com o grupo, apresentou-se como solista em concerto da Orquestra Jovem Tom Jobim, interpretando obras de Léa Freire com arranjo de Luca Raele. Também venceu as edições 2010 e 2011 do concurso Jovens Solistas da Orquestra Sinfônica Jovem de Guarulhos e a edição 2009 do Jovens Solistas da Banda Sinfônica Jovem do Estado de São Paulo. É músico da Filarmônica desde 2013.

Programa de Concerto

Sinfonia nº 34 em Dó maior, K. 338 | MOZART

A sinfonia K. 338 é de 1780, pertence à fase em que Mozart ainda residia em Salzburgo e antecede duas obras-primas: a sinfonia K. 385 (Haffner) e a K. 425 (Linz). É interessante notar o trabalho com os sopros e a rítmica típica da fanfarra, no primeiro movimento, que lhe atribuem um caráter festivo, que contrasta com o segundo movimento. Este desperta o Mozart da ópera e da música vocal. O último movimento é uma dança, um tanto enérgica, bem à maneira da tradição musical italiana. Não se sabe ao certo a data de estreia dessa obra, mas pode-se supor que se deu na corte do Príncipe-Arcebispo de Salzburgo, antes de 1781.

Ao lado de Fernandez e Villa-Lobos, Francisco Mignone completa “a trinca da excelência do nacionalismo musical brasileiro”. A história de seu Concertino para clarinete deve muito ao rádio. Na década de 1950, a Orquestra Sinfônica da Rádio Gazeta de São Paulo transmitia para quase todo o Brasil, por meio do sistema de ondas médias, programas semanais com repertório sinfônico. Em 1955, ao ouvir a interpretação do Primeiro Concerto para clarinete de Weber, Alfério Mignone, pai do compositor, surpreendeu-se com a qualidade da Orquestra e do solista José Botelho. Ao ouvir os elogios tecidos pelo pai, Mignone, que tinha vários amigos na instituição, visitou um dos ensaios e perguntou sobre o clarinetista de nome Botelho. Nesse primeiro encontro, o compositor afirmou que escreveria um Concertino para ele. Concluída no Rio de Janeiro em 27 de fevereiro de 1957 e dedicada a José Botelho, a obra chegou às mãos do instrumentista quando Mignone viajou a São Paulo para reger a orquestra da rádio. A estreia da obra se deu pouco tempo depois, em 9 de junho de 1957, com a regência de Mignone e o solo de Botelho, no Auditório da Rádio Gazeta.

Elgar compôs sua primeira grande obra aos quarenta e dois anos de idade: as Variações Enigma. Uma noite, ao dedilhar o piano descompromissadamente, sua esposa o interrompeu, pedindo que repetisse a música que acabara de tocar. Elgar logo percebeu que havia criado uma bela melodia, e começou a brincar ao piano, alterando o tema da maneira como seus amigos o teriam feito, se fossem músicos. Nasciam ali as Variações para Orquestra, obra que consiste de um tema e quatorze variações, cada uma representando as características íntimas de um amigo do compositor – como a buzina da bicicleta de Baxter Townshend e as oscilações de humor do amigo Penrose Arnold. Terminadas em fevereiro de 1899, as Variações para Orquestra foram estreadas em junho desse ano. Elgar revisou a obra em 12 de julho, estendendo o final a fim de criar uma forma mais simétrica. A nova peça recebeu o título de Variações Enigma graças a uma carta de Elgar, logo após a estreia, dizendo que havia um segundo tema, misterioso, que perpassava todas as variações, não perceptível a ninguém. “O enigma”, disse o compositor, “eu não explicarei”. Esse tema, escondido nas profundezas do tecido musical, deu início a inúmeras especulações. Até hoje, o enigma não foi solucionado.

18 ago 2022
quinta-feira, 20h30

Sala Minas Gerais

19 ago 2022
sexta-feira, 20h30

Sala Minas Gerais