Mil e uma noites em uma só noite

Fabio Mechetti, regente
Ronaldo Rolim, piano
Xiaohui Yang, piano

|    Presto

|    Veloce

BUSONI
POULENC
RIMSKY-KORSAKOV
Abertura de Comédia, op. 38
Concerto para dois pianos em ré menor
Sheherazade, op. 35

Fabio Mechetti, regente

Fabio Mechetti é Diretor Artístico e Regente Titular da Filarmônica de Minas Gerais desde a sua fundação, em 2008, sendo responsável pela implementação de um dos projetos mais bem-sucedidos no cenário musical brasileiro. Construiu uma sólida carreira nos Estados Unidos, onde esteve quatorze anos à frente da Sinfônica de Jacksonville, foi regente titular das sinfônicas de Syracuse e de Spokane e conduz regularmente inúmeras orquestras. Foi regente associado de Mstislav Rostropovich na Orquestra Sinfônica Nacional de Washington e com ela realizou concertos no Kennedy Center e no Capitólio norte-americano. Conduziu as principais orquestras brasileiras e também em países da Europa, Ásia, Oceania e das Américas. Em 2014, tornou-se o primeiro brasileiro a ser Diretor Musical de uma orquestra asiática, com a Filarmônica da Malásia. Mechetti venceu o Concurso de Regência Nicolai Malko e é Mestre em Composição e em Regência pela Juilliard School. Em 2024, realizará concertos com a Orquestra Petrobrás Sinfônica e a Sinfônica de Porto Alegre, além de retornar ao Teatro Colón, em Buenos Aires.

Ronaldo Rolim é um dos principais nomes da nova geração de pianistas brasileiros. Já tocou em mais de vinte países, passando por palcos como o Carnegie Hall (Nova York), Tonhalle (Zurique), Wigmore Hall (Londres), Grande Sala da Academia Franz Liszt (Budapeste) e National Centre for the Performing Arts (Pequim). Como solista, apresentou-se frente a diversas orquestras brasileiras e internacionais, dentre elas as sinfônicas Brasileira, de Phoenix e da Capela de São Petersburgo, a Royal Liverpool Philharmonic e a Musikkollegium Winterthur. Ávido camerista e frequentador de festivais, integrou por quinze anos o Trio Appassionata, com o qual realizou turnês na Europa, China, Estados Unidos e Brasil. Nascido em Votorantim, no interior de São Paulo, Rolim começou a praticar piano com a mãe e depois foi bolsista na Fundação Magda Tagliaferro. Aos 18 anos, após vencer os concursos Nelson Freire e Magda Tagliaferro, mudou-se para os Estados Unidos, onde continuou seus estudos. Em 2019, lançou o álbum Szymanowski The War Triptychs, fruto de sua pesquisa de doutorado sobre obras do compositor polonês Karol Szymanowski escritas durante a Primeira Guerra Mundial. Um de nossos colaboradores mais frequentes, Rolim retorna nesta temporada para se apresentar em dueto com a  pianista chinesa Xiaohui Yang, com quem é casado, no Concerto para dois pianos de Poulenc.

Vencedora do Prêmio Naumburg 2017 e do Festival Internacional de Piano do Rio de Janeiro 2022, Xiaohui Yang iniciou seus estudos de piano aos nove anos no Conservatório de Shenyang (China). Mudou-se para os Estados Unidos na adolescência e formou-se no Curtis Institute of Music, onde estudou com Ignat Solzhenitsyn e recebeu o Prêmio Festorazzi, concedido somente aos melhores alunos. Realizou seu mestrado na Juilliard School, sob orientação de Robert McDonald, e o doutorado no Conservatório de Peabody, sob orientação de Boris Slutsky. Apresentou-se em países da Europa, Ásia e Américas, passando por palcos como Carnegie Hall (Nova York), Ozawa Hall (Boston), Museu de Arte de Tel Aviv e Centro de Artes de Seul. Como solista, Yang colaborou com a Filarmônica de Louisiana e as sinfônicas de Milwaukee, Nova Jersey e Acadiana. Apaixonada por música de câmara, esteve nos mais prestigiados festivais da América do Norte e tocou com grandes nomes, como Peter Wiley, Charles Neidich e Roberto Díaz. Em 2024, Yang faz sua estreia com a Filarmônica na Sala Minas Gerais, executando o famoso Concerto para dois pianos de Poulenc, em duo com o marido, o pianista brasileiro Ronaldo Rolim.

Programa de Concerto

Abertura de Comédia, op. 38 | BUSONI

Ferruccio Busoni, cujos 150 anos são celebrados em 2016, estudou piano e composição com alguns dos melhores mestres de sua época e foi considerado, após a morte de Liszt, como o maior pianista do mundo. Passou a maior parte de sua vida na Áustria e na Alemanha, em busca de aperfeiçoamento técnico e reconhecimento artístico, uma vez que a cena musical italiana do final do século XIX era dominada pela ópera. Busoni não foi um conservador, nem um inovador radical. Sua música traz frescor e originalidade. Abertura de Comédia apresenta certo caráter mozartiano e a dramaticidade germânica do final do século XIX, revestidos de melodias tipicamente italianas, à maneira de Rossini. Composta em uma única noite, a obra foi revisada pelo compositor em 1904 e publicada no mesmo ano.

Poulenc percorreu um caminho pouco convencional em seus estudos musicais, dividindo-se entre a carreira de intérprete e compositor. Viu-se obrigado a lidar com frequentes crises de depressão, consequência da morte prematura de amigos próximos e da relação conflituosa com sua homossexualidade. Todos esses desafios fizeram dele um compositor paradoxal, capaz de sintetizar em sua obra o religioso e o irônico. Claude Rostand disse que “em Poulenc há algo de monge e algo de malandro”. Seu primeiro grande sucesso de crítica foi o balé Les biches, em parceria com Diaghilev. No verão de 1932 Poulenc compôs o Concerto para dois pianos em ré menor, por encomenda da princesa de Polignac, a quem é dedicado. A obra foi estreada no Festival Internacional de Música Contemporânea de Veneza e com Poulenc e Jacques Février como solistas. Apresenta o ecletismo de inspiração cotidiana característico da ideologia de seus contemporâneos franceses, servindo-se do vaudeville, do circo, da jazz band e dos gamelões balineses que ouviu na Exposição Colonial de Paris de 1931. Suas duas veias composicionais, o irônico e o grave, entrecruzam-se nesta obra. “Poulenc puro”, nas palavras do próprio compositor.

Sheherazade é a protagonista das Mil e uma noites, coletânea de contos populares medievais da Ásia ocidental e meridional, originalmente escritos em árabe. Desde que foram traduzidos para o francês, pela primeira vez, no início do século XVIII, esses contos passaram a ser considerados na Europa como a representação máxima do fantástico mundo da fábula oriental. As fábulas são ligadas, entre si, por meio de um conto base: o sultão, traído por sua primeira esposa, manda executá-la e decide casar-se com uma jovem virgem a cada noite, fazendo executá-la no dia seguinte para se prevenir de uma futura infidelidade. Sheherazade, filha mais velha do vizir, decide casar-se com o sultão. Na noite de núpcias, conta-lhe uma história cujo final é deixado para a noite seguinte, a fim de que o sultão tivesse que adiar a sua execução para saber o desfecho. Na noite seguinte, tão logo ela termina a primeira história, começa outra imediatamente, sem terminá-la. E assim, sucessivamente, Sheherazade prende o sultão por mil e uma noites até que, como prova de afeição, ele perdoa-lhe a sentença, e ela lhe apresenta os três filhos que, neste período, dera à luz. Para dar vida às incríveis fábulas e, ao mesmo tempo, preservar o colorido russo, Rimsky-Korsakov explorou ao máximo os timbres da orquestra. Ao evitar a mera combinação de folclore com música erudita, ele se livrava de dois possíveis erros: o de degenerar a obra em amadorismo, ao amarrá-la à entonação folclórica; e o de sacrificar a própria entonação folclórica para adequá-la às demandas artísticas. Nas palavras do compositor, a suíte sinfônica Sheherazade foi inspirada “em imagens singulares e episódios separados das Mil e uma noites, espalhados pelos quatro movimentos da suíte. Como ligação entre esses quadros, criei os breves trechos para violino solo, que são atribuídos à sultana Sheherazade”.

9 Maio 2024
quinta-feira, 20h30

Sala Minas Gerais, com transmissão ao vivo pelo YouTube

10 Maio 2024
sexta-feira, 20h30

Sala Minas Gerais
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