Danças e inovações da ópera francesa

Simone Menezes, regente convidada

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BERLIOZ
BERLIOZ
BERLIOZ
GOUNOD
MASSENET
MASSENET
MASSENET
OFFENBACH
SAINT-SAËNS
SAINT-SAËNS
Os Troianos: Marcha Troiana
Os Troianos: Abertura
Beatriz e Benedito: Abertura
Fausto: Música de balé
Chérubin: Abertura
Thais: Meditação
Manon: Prelúdio do Ato II
Os contos de Hoffmann: Intermezzo e Barcarola
Spartacus: Abertura
Sansão e Dalila: Bacanal

Simone Menezes, regente convidada

Regente brasileira que vem ganhando destaque em palcos europeus, Simone Menezes iniciou seus estudos na Unicamp e os concluiu na Escola Normal Superior de Paris, tendo sido pupila de Paavo Järvi e Claudio Cruz. Entre 2008 e 2012, foi Diretora Musical e Regente Titular da Orquestra Sinfônica da Unicamp e colaboradora frequente da Orquestra Jovem do Estado de São Paulo. Em 2016, muda-se para França e funda o Ensemble K, conjunto camerístico com o qual lançou dois álbuns. Desde então, Menezes tem atuado com grandes orquestras, como a Filarmônica de Los Angeles, a Sinfônica da BBC da Escócia, a Philharmonia e outras. Em 2023, seu filme Metanoia ganhou o prêmio de melhor documentário pelo International Classical Music Awards. No mesmo ano, lançou o disco Amazônia pela Alpha Classics, um projeto com obras de Heitor Villa-Lobos e Philip Glass realizado em colaboração com o fotógrafo Sebastião Salgado. Menezes foi integrante da segunda turma do Laboratório de Regência da Filarmônica, projeto orientado pelo maestro Fabio Mechetti. Em 2024, faz sua estreia como nossa regente convidada em um programa todo dedicado à ópera francesa.

Programa de Concerto

Mais ainda do que amor, o sentimento de Hector Berlioz por William Shakespeare era de adoração, de paixão. As apresentações de Hamlet e Romeu e Julieta, vistas em Paris quando tinha 24 anos, mudaram o curso de sua vida. Ele não somente se casaria com Henrietta Smithson, a atriz responsável por dar vida a Ofélia e a Julieta, como também mudaria para sempre sua visão sobre a música e as artes graças à poesia de Shakespeare. A ideia da escrita de uma ópera com base em Muito barulho por nada surgiu em 1831, em uma viagem à Itália. Vinte e sete anos depois, em fevereiro de 1862, os rascunhos ganhariam vida e se transformariam na ópera cômica Beatriz e Benedito. A Abertura compartilha as principais características da ópera, com sua vivacidade, humor e poesia. Num jogo de respostas entre os temas, esta rara peça orquestral propõe uma brincadeira de música pura.

Das doze óperas que compôs Charles Gounod, apenas três tiveram sucesso: Fausto, Mirreille e Romeu e Julieta. Fausto, de 1859, foi um sucesso de bilheteria, na França e fora dela: foram mais de três mil récitas na Alemanha, entre 1901 e 1910! Não é para menos. Há na ópera algumas preciosidades que até hoje são cativantes: o ato da quermesse, o dueto O nuit d’amour, e o trio Anges purs, anges radieux. Embora o Fausto de Gounod seja bem diferente do de Goethe, em que se baseou, corre-se o risco, nesse caso, de se poder dizer que a música seja talvez mais determinante que o enredo. O frescor e a simplicidade acessível do melodismo de Gounod sustentam a obra e é uma das razões de sua notoriedade. O célebre balé, que se encontra no início do quinto ato, foi introduzido na partitura em 1869, quando foi reapresentada na Ópera de Paris. Efeitos dramáticos à parte, o fato é que a Música de Balé do Fausto de Gounod tornou-se de pronto uma de suas páginas mais celebradas e mais executadas, como obra autônoma, no mundo sinfônico. São sete danças ao todo. Não há interrupção entre elas, que se entrelaçam. A despeito dos títulos e das temáticas, não há qualquer tipo de referência arcaizante ou estereotipada. É ao século XIX e a Gounod que se ouve: franco, elegante, francês, infinitamente cativante e totalmente original.

Quando encontrou Camille Saint-Saëns nas comemorações do centenário de Beethoven, Franz Liszt o encorajou a terminar sua ópera Sansão e Dalila. Depois de quase dez anos trabalhando na obra, Saint-Saëns tinha percebido que empresários parisienses não a queriam programar em suas casas por se tratar de uma história bíblica, feita a partir do Livro dos Juízes do Antigo Testamento. Por esta mesma razão, o jovem compositor pensou inicialmente em um oratório, mas a mudança para ópera veio por incentivo do libretista Ferdinand Lemaire, que considerava o enredo mais apropriado a uma ópera. Após atrasos causados pela Guerra Franco-Prussiana, a estreia se deu em Weimar, Alemanha, em 2 de dezembro de 1877, em um concerto patrocinado e dirigido por Liszt. Inicialmente, a França permaneceu indiferente ao trabalho; a Opéra de Paris só montou a produção em 1892. Após finalmente aceitarem o trabalho, Sansão e Dalila se tornou o maior sucesso entre as treze óperas do compositor. Bacanal se passa no terceiro ato (cena 2), quando Sansão vai até o templo de Dagom, onde os filisteus celebravam seu triunfo sobre os judeus e Sansão se sente impotente diante da manipulação de Dalila.

29 jun 2024
sábado, 18h00

Sala Minas Gerais
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